quarta-feira, 29 de julho de 2009

O jornalismo em debate

* Taís Ferreira

Na atual conjuntura brasileira, com o fim da “Lei de Imprensa” e da exigência do diploma para o exercício do jornalismo como fatos antecedentes a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, não podemos deixar de refletir sobre os interesses políticos que visam estabelecer um controle sobre a imprensa no Brasil em ano que antecede a eleição presidencial.

Ao contrário do que querem fazer crer, a desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa determinados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque.

A decisão é um retrocesso institucional e acentua o atrelamento das recentes posições do Supremo Tribunal Federal (STF) aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, aos que controlam os meios de comunicação do país. Para o ministro Gilmar Mendes e mais sete ministros do STF, as empresas têm condições de se auto-regularem. Uma ameaça à democracia brasileira.

A sociedade, indignada com a distorção do conceito de liberdade de expressão utilizado como desculpa para a sentença judicial, já começa a se manifestar. Jornalistas, parlamentares e estudantes protestam, em todo o País, contra a decisão com o apoio da população.

A decisão claramente viola o Artigo XIX dos Direitos Humanos ao favorecer a interferência dos meios de comunicação sobre a decisão completa e irrestrita dos conteúdos a serem veiculados, assim como fere Constituição Federal em seu Capítulo V- da Comunicação Social, Artigo 5º, que proíbe os meios de comunicação social de serem objetos de monopólio ou oligopólio, assim como o Artigo 221 que se refere a produção e a programação da rádios e televisão do país.

É importante afirmar que a profissão não desapareceu, continua a ser regulamentada por outros instrumentos, como um capítulo específico na CLT e as convenções coletivas (que definem, entre outros assuntos, o piso salarial). Também é fundamental salientar que o papel dos Sindicatos dos Jornalistas em todo o país não se esvaziou. Ao contrário, na fraqueza da legislação, os sindicatos e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) se tornam as mais importantes instituições de defesa do jornalista.

Assim, os jornalistas brasileiros, com seus 200 anos de história, se voltam agora para a recriação do marco regulatório da comunicação brasileira, para a criação de uma nova lei de imprensa e de uma nova regulamentação profissional. Participe do debate!

*jornalista editora do Blog:
www.cinejornalismoempauta.blogspot.com

O Supremo errou, cabe consertar


*Laurindo Lalo Leal Filho

O Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro ao acabar com a exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Como guardião da Constituição brasileira, o STF entendeu que uma de suas cláusulas – a que garante a livre manifestação de pensamento – estaria sendo violada pela lei que regulamentou a profissão de jornalista.

Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o seu favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento. Nunca houve, nos mais de quarenta anos de vigência da lei, qualquer violação da liberdade que tivesse sido decorrente de sua aplicação. Houve sim censura prévia durante a ditadura e censura empresarial depois dela, fatos sem nenhuma relação com a exigência do diploma.

Os nobres julgadores parecem não ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. Neles, todos os dias opinam profissionais de todas as áreas sem nenhum obstáculo. Portanto, a exigência do diploma não fere a Constituição e esta deveria ser a singela resposta do Supremo aos autores da ação, não por acaso entidades patronais do setor.

O que a lei derrubada garantia era a o exercício legalizado de uma profissão cujo conhecimento acumulado ao longo dos anos não pode ser transmitido senão de forma sistematizada, como se faz na academia. Foi-se o tempo em que jornalismo se aprendia nas redações. Hoje esse ensinamento é fruto da pesquisa científica desenvolvida numa área específica do conhecimento e que se transmite nas salas de aulas e nos laboratórios.

Gostaria de saber se alguns dos juízes que votaram contra o diploma – e que escrevem nos jornais com absoluta liberdade – sabem como se define e se produz uma pauta jornalística, como se apuram as informações e como se faz a edição de uma reportagem, por exemplo? Ou ainda quais são as diferenças entre um texto escrito para ser lido nos jornais, na internet ou para ser ouvido através do rádio. E como escrever para a TV combinando com precisão texto e imagem? Isso não tem nada a ver com liberdade de informação. É conhecimento especializado que sociólogos, advogados e médicos não aprendem em suas faculdades. Só os jornalistas.

E o mais importante: gostaria de saber se esses doutos juízes se debruçaram sobre o currículo teórico dos cursos de comunicação, base fundamental para o trabalho prático acima descrito. Não há hoje jornalista formado que não tenha tido contato com as diferentes correntes teóricas da comunicação, estudadas e discutidas nas faculdades.

São essas leituras que permitem aos futuros jornalistas compreender melhor o funcionamento da mídia, as suas relações com os diferentes poderes, os seus interesses muitas vezes subalternos. É nas faculdades que se formam jornalistas críticos, não apenas da sociedade, mas principalmente da mídia, capazes de saber com clareza onde estarão pisando quando se formarem. É tudo que os donos dos meios não querem.

A luta deles pelo fim do diploma resume-se a dois objetivos: destruir a regulamentação da categoria aviltando ainda mais os salários e as condições de trabalho e, ao mesmo tempo, evitar a presença em suas redações de jornalistas que possam, ainda que minimamente, contestar – com conhecimento de causa - o poder por eles exercido sem controle. Querem escolher a dedo pessoas dóceis e subservientes e transformá-las nos “seus” jornalistas.

Transfere-se dessa forma da esfera pública para o setor privado a decisão de definir quem pode ou não ser jornalista. As universidades públicas quando outorgam um diploma de um dos seus cursos ou quando reconhecem a legitimidade do diploma fornecido por instituição privada exercem a prerrogativa de possuírem fé pública. O diploma de jornalismo era, portanto, referendado pelo Estado em nome da sociedade, dando a ele a sustentação necessária para o exercício de uma profissão regulamentada desde 1938. Agora é o mercado que decide.

Outro argumento ridículo usados pelos juízes do Supremo é que o diploma era um entulho autoritário produzido pela ditadura militar. Bastava uma breve consulta aos anais de todos os encontros e congressos de jornalistas para perceber que tal afirmação é insustentável. Em 1918, quarenta e seis anos antes de se instalar a ditadura de 64, os jornalistas reunidos em Congresso no Rio de Janeiro já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão. E seguiram lutando por essa bandeira e pela regulamentação profissional.

Em 1961, o presidente Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. A partir dai o seu exercício ficou restrito aos portadores de diploma específico de nível superior. Como agora, as empresas jornalísticas se mobilizaram e conseguiram, um ano depois, a revogação do decreto pelo presidente João Goulart. Mas em compensação foi criada uma comissão para dar nova forma à legislação. O resultado foi a volta da exigência da formação superior, embora admitindo o autodidata e o reconhecimento de jornalistas sem diploma nas cidades onde não haviam faculdades de jornalismo. O decreto-lei de 1969 apenas acabou com o autodidatismo, mas permitiu a existência do jornalista provisionado, aquele que já exercia a profissão antes da promulgação da lei.

Foi graças à mobilização e à pressão da categoria que, depois de mais de 50 anos de luta conquistou-se a exigência do diploma, nos termos previstos desde o final da primeira década do século 20.

E os juízes de 2009 ainda tiveram a coragem de aceitar a tese de que foi a ditadura que exigiu o diploma para impedir contestações nos jornais. Como se os jornalistas pudessem escrever o que quisessem sem a anuência dos patrões, como se na época não houvesse censura policial e como se todos os possíveis contestadores do regime não estivessem àquela altura mortos, exilados, sendo torturados ou simplesmente calados pela força da intimidação.

Voltamos agora à pré-história do jornalismo brasileiro quando os donos de jornais davam “carteiras de jornalistas” para os empregados e diziam: “agora você já é jornalista, pode ir buscar o salário lá fora”. Se o “jornalista” tivesse algum pudor iria ganhar seu dinheiro em outra profissão trabalhando no jornal por diletantismo. Se não tivesse iria usar do seu espaço para ameaçar pessoas, em troca de remuneração. Era o chamado achaque que, obviamente não era generalizado mas que constrangia os jornalistas idôneos.

A obrigatoriedade do diploma foi responsável pela moralização da profissão. Além disso, estimulou os diplomados a refletirem sistematicamente sobre o seu trabalho. Será que os nobres juízes do Supremo ouviram falar alguma vez na riquíssima experiência de pesquisa, necessária ao trabalho de conclusão de curso, condição para se obter o grau superior de jornalismo? Acredito que não. E não sabem também como, ao ingressar na profissão com o diploma, o jornalista tem olhos mais atentos para recolher na prática profissional os elementos necessários para a realização de novas pesquisas acadêmicas.

São inúmeros os jornalistas que depois de alguns anos de vida profissional voltam à academia ingressando em programas de mestrado ou doutorado. Carreiras acadêmicas serão destruídas. E com isso vai se iniciar um processo de destruição de uma área do conhecimento que vinha se consolidando nos últimos anos graças ao investimento dos órgãos de fomento à pesquisa e das universidades. A exigência do diploma é vital para manter viva a relação entre o trabalho e a pesquisa.

Como se vê, além de errarem, os juízes do Supremo foram irresponsáveis por não mediram as conseqüências da decisão tomada.

Mas há conserto. Tramitam no Congresso duas propostas de emenda constitucional determinando a volta da exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão. Não é fácil aprová-las dadas as exigências regimentais. Na Câmara, por exemplo, precisam do voto favorável de três quintos dos deputados (308 entre 513) e no Senado de 49 dos 81 senadores. Votos que só serão conseguidos com a mobilização ampla da categoria e dos estudantes, o que aliás já vem ocorrendo em todo o Brasil. Resta agora intensificar essa luta que já se mostrou vitoriosa em outros momentos de nossa história.

* Sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Publicado pela Agência Carta maior em 07/07/2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Confecom e defesa do diploma são prioridades dos jornalistas no segundo semestre

A luta em defesa do diploma e a participação das entidades sindicais dos jornalistas no processo da Conferência Nacional de Comunicação foram debatidas em reunião ampliada e em um seminário nacional da FENAJ, em São Paulo, no último final de semana. As duas questões serão priorizadas na agenda de lutas do segundo semestre para assegurar que o debate em torno da democratização da comunicação e da importância social do Jornalismo ganhe maior espaço na sociedade.

Na sexta-feira (17/7), a FENAJ realizou reunião ampliada de sua diretoria para definição de ações relativas à luta pela manutenção da exigência do diploma. Dirigentes de 25 Sindicatos de Jornalistas participaram da discussão. Já no Seminário sobre a Confecom, participaram também jornalistas, professores e representantes de outras entidades e categorias profissionais.

Sérgio Murillo de Andrade, presidente da FENAJ, conta que os dois espaços de discussão resultaram em mais de duas dezenas de propostas e encaminhamentos aprovados. “Tudo o que foi aprovado será divulgado no seu devido momento”, disse. Ele antecipou que permanecem as orientações aos Sindicatos para manterem os mesmos procedimentos quanto à emissão da carteira de jornalista, sindicalização e registro profissional. “Até porque, no que se refere aos registros, o próprio Ministério do Trabalho prossegue encaminhando apenas o dos diplomados até a publicação do acórdão do STF”.

Quanto às iniciativas que vêm ocorrendo no Congresso Nacional, de proposições de PECs e regulamentação da profissão, Murillo revela que a FENAJ não analisará, de imediato, o mérito de cada uma delas. O importante para a Federação e Sindicatos da categoria é que, tanto tais propostas quanto as audiências públicas que estão sendo agendadas, ampliam o debate sobre o diploma. “Agora a sociedade vai ter condições de acompanhar este debate que foi sonegado e escondido pelos donos da mídia”, considera Murillo, para quem a sociedade vai compreender o desconhecimento que o STF mostrou ter sobre o Jornalismo e o equívoco da decisão tomada.

Além da intensificação da agenda de lutas e protestos no segundo semestre, uma das ações imediatas dos Sindicatos e da categoria é buscar em seus Estados e regiões, neste período em que o Congresso Nacional está em recesso, contato com os parlamentares que ainda não assinaram a proposta de constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. “Para oficializar sua criação no Congresso, são necessárias 191 assinaturas”, lembra Sérgio Murillo, registrando que a proposta já tem cerca de 150 apoiadores entre deputados e senadores. Com a frente formada, a perspectiva de agilizar a tramitação das matérias de interesse da categoria é maior.

O presidente da FENAJ conta, também, que a ideia das entidades da categoria é fazer do processo da Confecom um espaço privilegiado de debate sobre a profissão de jornalista, a realidade do setor de comunicações no País e a necessidade social do Jornalismo.

Entre os temas que a entidade pretende destacar no processo da Confecom estão a Lei de Imprensa, a Liberdade de expressão, o Conselho Federal de Jornalistas e um estatuto de ética para o Jornalismo, a regulamentação e o Jornalismo como necessidade social, além de questões como as outorgas e concessões, regulação de conteúdos, controle público e marco regulatório da comunicação.

Fonte:
Boletim Eletrônico da Federação Nacional dos Jornalistas
Número 229 - 22 de Julho de 2009

Polêmica decisão do STF provoca manifestações sobre o diploma

O debate e mobilizações sobre a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo e a decisão do Supremo Tribunal Federal, que extinguiu tal requisito, progride nacionalmente. No Congresso Nacional, propostas de emenda constitucional e de constituição de uma Frente Parlamentar em Defesa do Diploma envolvem deputados e senadores. Manifestações em apoio à manutenção do diploma ocorrem em diversos espaços. Enquanto não é publicada a decisão do Supremo, o Ministério do Trabalho efetua somente o registro de jornalistas diplomados. Já surgem questionamentos à regulamentação de outras profissões.

Na semana passada, houve novos movimentos em defesa da luta dos jornalistas e da sociedade pela qualificação do Jornalismo. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitação de audiência com o ministro Gilmar Mendes. Ele quer discutir alternativas à decisão que acabou com a exigência do diploma em jornalismo. A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou, por unanimidade, moção contra a decisão de extinguir com a exigência do diploma para o exercício da profissão. Uma vigília em Curitiba, no dia 17, marcou o primeiro mês de intensas mobilizações em todo o País após a decisão do STF.

O apoio de outras entidades da sociedade civil também foi marcante. A CUT e a SBPC aprovaram posicionamentos em defesa da regulamentação profissional dos jornalistas e da constituição da Frente Parlamentar em defesa do diploma.

Com o recesso parlamentar e período de férias em instituições de ensino, o agendamento de atividades se projeta para o mês de agosto. O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso marcou ato em defesa do diploma para o dia 6 de agosto. Já na Paraíba, o Sindicato dos Jornalistas, a Associação Campinense de Imprensa e o Fórum de Luta Contra a Desregulamentação das Profissões, preparam para o dia 13 de agosto, em Campina Grande novo protesto contra a não-obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão do país.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados realizará audiência pública sobre o tema no dia 20 de agosto, às 9h30. A FENAJ será uma das entidades expositoras.

Registros
A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que o órgão não fará pronunciamento oficial enquanto não for publicada a decisão do STF. Posteriormente, serão analisados os efeitos que tal decisão produzirá sobre a emissão de registros profissionais, bem como dos procedimentos a serem tomados. Enquanto a decisão não é oficializada e o Supremo não comunique o Ministério, prossegue apenas o registro de jornalistas diplomados.

Já a assessoria do STF informou que não há data prevista para a publicação da decisão. Os votos dos ministros estão sendo publicados no site do Supremo à medida que são entregues.

Precedente para desregulamentações
A perspectiva aberta com a decisão do STF sobre o diploma de jornalistas já provoca, por motivos e argumentos diferenciados, movimentos de questionamento quanto à regulamentação de outras profissões. A procuradora-geral da República interina, Deborah Duprat, propôs uma ação para que o STF considere inconstitucional a Lei 3.857/60, que criou a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e estabeleceu requisitos para o exercício da atividade. Já o governo do Paraná questiona a exigência de diploma para o exercício da função de oficial de justiça.


Fonte:
Boletim Eletrônico da Federação Nacional dos Jornalistas
Número 229 - 22 de Julho de 2009

Conferência Nacional de Comunicação em debate no Extra-Classe

O Extra-Classe, programa de TV do Sinpro Minas, exibe no próximo domingo (26/7), às 8h55, uma entrevista com o jornalista Altamiro Borges, autor de diversos livros sobre comunicação e sindicalismo, entre eles, "A ditadura da mídia" seu mais recente livro.

O tema do programa será a Conferência Nacional de Comunicação.
Não perca.
Todo domingo, às 8h55, pela TV Bandeirantes.

video

apresentação: Denilson Cajazeiro
roteiro e direção: Taís Ferreira
produção: Rogéria Rocha
reportagem:Saulo Martins
Coordenação: Comunicação SinproMinas

quinta-feira, 16 de julho de 2009

ALMG discute 1ª Conferência de Comunicação


A 1º Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo presidente Lula e marcada para os dias 1 e 3 de dezembro de 2009, em Brasília, poderá não acontecer caso o Ministério do Planejamento não retome a proposta original da liberação de R$ 8,2 milhões para a realização do evento. O alerta foi feito durante reunião da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, durante audiência publica realizada nesta quinta-feira (9). A verba disponível, atualmente, é de R$1,6 milhão, o que na opinião dos participantes não é suficiente para a realização da conferência. A reunião foi solicitada pelo deputado Carlin Moura (PCdoB) discutir aspectos relativos à conferência.

O representante da Comissão Mineira Pró-Conferência Nacional de Comunicação e Coordenador da Campanha Contra a Baixaria na TV, Ricardo Moretzson, disse que os empresários radiodifusores não se comprometeram com a realização da conferência, e que sem a participação deles, de outros representantes do setor privado, de autoridades e da comunidade, a conferência não alcançará seu objetivo. Ele lembrou que a cada dez anos, as concessões de rádio devem ser renovadas, e a cada 15 anos, as de televisão. ''Queremos o controle da mídia neste País, existem outorgas que já estão vencidas há mais de 10 anos e a Anatel não tomou nenhuma providência'' , denunciou.

Para o integrante da Coordenação Nacional do Fórum de Mídia Livre, Altamiro Borges, a mídia é um poderoso aparelho ideológico ''que consegue projetar ou destruir a reputação de uma pessoa, que dita a moda, que seduz''. Borges considera como grandes desafios da conferência: fortalecer a rede pública; criar mecanismos para garantir a aplicação das leis das concessões; regulamentar o funcionamento das rádios comunitárias; definir critérios para que a publicidade oficial não se concentre apenas nos grandes meios de comunicação; e criar mecanismos de controle social.

A diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais e coordenadora do Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação de Minas Gerais, Lidyane Ponciano, defende a luta por uma política pública nacional que inclua no currículo escolar do ensino fundamental e médio, disciplinas sobre a mídia; sensibilizar os jornalistas brasileiros e a sociedade sobre a importância das políticas democráticas de comunicação; buscar parceria no Ministério da Educação para estudos, pesquisas e identificação de problemas e construções da mídia; apoiar a criação de conselhos comunitários de educação para reflexão sobre a mídia.

A deputada federal Jô Moraes (PCdoB) acredita que existam duas ameaças para que a conferência não aconteça em tempo hábil. Uma delas, o regulamento da Comissão Nacional de Organização, que não foi aprovado até hoje. ''A regulamentação é urgente, pois a temática deve ser construída com muita antecedência, comentou a parlamentar' '. Outro desafio é conseguir unir na conferência, especialistas, conselheiros tutelares, representantes de comunidades e de toda militância social, para tornar o debate mais amplo e proveitoso. Já a ex-deputada federal Maria do Carmo Lara (PT) disse que a conferência só terá sentido se contar com a participação das Tvs Comunitárias. Ela defende a criação de uma lei que autorize o Ministério Público a cancelar qualquer outorga, o que atualmente só pode ser feito através de votação no plenário da Câmara. Na opinião dela as outorgas não deveriam ser concedidas a autoridades que estejam cumprindo mandato.

O deputado Domingos Sávio (PSDB) lembrou que o debate sobre a conferência deve ser institucionalizado para conseguir resultados práticas. Ele concordou com as críticas feitas ao domínio do capital privado sobre a comunicação, e lamentou a manipulação da imprensa. ''Sabemos que esse é um problema que deve ser enfrentado. A subordinação da imprensa acontece nas instâncias municipais, estaduais e federal, nos poderes executivo, legislativo e judiciário''.

Também participaram da reunião o superintendente de Imprensa da Subsecretaria de Comunicação Social do Governo do Estado, Hugo Teixeira; e o presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom), Edivaldo Amorim Farias.

Requerimentos - A comissão aprovou requerimento do deputado André Quintão (PT) solicitando audiência pública para discutir os avanços do Estatuto da Criança e do Adolescente e seus desafios diante da proposta da maioridade penal.

Durante a reunião realizada à tarde, os deputados aprovaram requerimento de Carlin Moura e André Quintão para que sejam encaminhadas ao Ministério das Comunicações, à Secretaria Geral da Presidência da República, à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ao Governador do Estado e à Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Comunicação, cópia das notas taquigráficas da reunião da manhã.

Um segundo requerimento aprovado, dos mesmos deputados, pede ao governador Aécio Neves providências para que se convoque a Conferência Mineira de Comunicação para antes de outubro deste ano. Os parlamentares também pediram que o governador receba, em audiência, a Comissão Mineira Pró-Conferência de Comunicação.


Fonte - ALMG

A Índia que eu vi: Lançamento em Belo Horizonte


Editora Leitura lança livro do escritor e geógrafo João Avelar Lobato que se aventurou por uma das mais antigas culturas do mundo

Lançamento em Belo Horizonte:
Data: 16 de julho
Horário: 19 horas
Local: Leitura Megastore Pátio Savassi
Endereço: Av. do Contorno, 6061- Savassi



Descrição

“A Índia que eu vi” é um livro que mistura relatos de viagem e informações sobre a história, cultura e curiosidades do país. São mais de 50 fotos e mapas de alguns dos mais importantes lugares da Índia, incluindo o Taj Mahal, os fortes do deserto do Rajstão, templos budistas, hindus e a maior mesquita do país. O livro abrange a região central da Índia (incluindo Agra e Delhi); Spiti, na divisa com o Tibete; o Rajstão, a oeste; e Tâmil Nadu, ao sul. Existem capítulos dedicados a costumes, comida, vestuário, religião, cultura e história da Índia. A viagem aconteceu em 2006 quando o autor, João Avelar Lobato morava no Sri Lanka fazendo uma pesquisa sobre a cultura da região.
Livro de João Avelar Lobato com fotos de Susannah Pritchard.

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Sobre o autor

João Avelar Lobato é especialista em escrita criativa e publicação de livros, oferecendo cursos pelo seu site: www.ototem.com. Além de livros, ele cria autores fictícios para as diferentes linhas que aborda. Assina como Norman Lance seus livros de ação (CONEXÕES e OCULTO – Despertando para o Poder); como Leon Carmine textos alternativos (como o livro CONTOS) e com seu próprio nome artigos sobre literatura e cordel (e viagens! A ÍNDIA QUE EU VI). Lobato tem também trabalhos publicados na Inglaterra, Estados Unidos e Sri Lanka. Ele é geógrafo de formação e colaborador do jornal Folha de São Paulo.



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Sobre a fotógrafa

Susannah Pritchard trabalha há mais de 10 anos na área de desenvolvimento social. Seu primeiro trabalho fora da Inglaterra (seu país de origem) foi na Índia rural em 1998, onde ficou maravilhada pelo calor humano e receptividade das pessoas. Desde então ficou viciada por conhecer novas culturas e trabalhar em outros países, tendo vivido duas vezes na Índia, no Sri Lanka, Chipre, França, Brasil e outros. Seus principais hobbies são fotografia, capoeira e, claro, viagens.


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Entrevista com o autor


Como foi o processo de pesquisa para escrever “A Índia que eu vi”?O meu interesse pela Índia é antigo, antes de morar na Ásia ou visitar o país eu já tinha uma base. Mas quando se chega ao lugar, conversa com as pessoas e vê os locais, é que se passa a entender melhor a realidade. Parte do livro foi baseada em experiências (e nisso tive ajuda da Susannah, que viveu por duas vezes na Índia) e parte em pesquisas.

O roteiro foi elaborado muito tempo antes da viagem? Teve alterações?Não tínhamos um roteiro fixo, queríamos visitar a região na fronteira com o Tibete com seus templos budistas e paisagem deslumbrante, depois o Rajstão, famoso pelos fortes no deserto e riqueza cultural, e passar por atrações mundialmente conhecidas, como Taj Mahal e Delhi. Acho que uma viagem para a Índia tem de ser flexível, pois nunca sabemos o que vamos encontrar.

A Índia era um sonho antigo? Já pensa numa próxima expedição para outro país?
Certamente, desde criança me interesso pela história, cultura, religiões e diversidade da Índia. Foi um sonho realizado. Tive a felicidade de conhecer outros países incríveis na Ásia, como Tailândia, Camboja e Sri Lanka, além de Jordânia, Marrocos e parte da Europa. Com certeza tem material para mais um ou dois livros. Para o futuro, gostaria muito de ir ao Egito e também conhecer a America Latina, em especial Bolívia, Peru e México.

Em que ajudou sua formação como geógrafo durante o passeio?A entender tanto o ambiente físico como questões sociais. Creio que isso foi uma base sólida para escrever um livro informativo (e divertido!).

Depois de ficar quase um mês viajando pelas cidades da Índia suas percepções sobre essa nação mudaram, é claro. Nesse sentido, você acha que é muito “superficial” a dramaturgia da novela “Caminho das Índias”?A novela tem sido muito criticada – em especial por indianos que vivem no Brasil – pelos seus estereótipos. Eu concordo com as críticas, acho que a produção deveria ter feito uma pesquisa mais aprofundada para criar uma trama mais próxima da realidade indiana. O lado positivo, no entanto, é que a novela ajudou a despertar o interesse de muitas pessoas em relação a esse país tão fascinante.

Como foi trabalhar em parceria com a fotógrafa Susannah Pritchard? Foi difícil fazer a seleção das imagens?
A seleção foi realmente muito difícil, tínhamos mais de 600 fotos e só podíamos incluir cerca de 50. Mas com paciência deu tudo certo, a Susannah tem uma percepção estética muito boa e conhece bem a Índia, o que ajudou a capturar a essência da cultura indiana.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Índia que eu vi: Livro de João Avelar Lobato


Do tradicional ao contemporâneo em “A Índia que eu vi”

Editora Leitura lança livro do escritor e geógrafo João Avelar Lobato que se aventurou por uma das mais antigas culturas do mundo


O novo livro de Lobato é muito mais que um diário de bordo, é um conjunto de informações que tem relatos, pesquisas, rica bibliografia e cheiro exótico, é isso mesmo, cheiro! O autor narra de forma tão solta e franca como foi a viagem pelas cidades da Índia que aguça todos os sentidos do leitor – pelo menos na imaginação.

Reunir todas as sensações e experiências em “A Índia que eu vi” foi também uma maneira sincera para descrever as curiosidades, costumes, crenças, exuberantes roupas e comidas desse povo que mantém há milênios tradições que ainda intrigam os ocidentais.

Agora com a atual novela global “O Caminho das Índias”, os brasileiros estão ainda mais interessados pelo tema. Mas a pesquisa de Lobato não iniciou com o boom televisivo. A viagem aconteceu em 2006 quando ele e Susannah Pritchard, que tirou as fotos, moravam no Sri Lanka, país próximo que recebeu muita influência da Índia ao longo da história.

“Foi uma viagem cheia de emoções, de contratempos, desafios e, sobretudo, fascínio. Alguns momentos foram perigosos (espero não passar situações como aquelas novamente), outros confirmaram que a Índia é ainda mais do que se imagina. Ela é real, mas daquele tipo de realidade que desafia a mais viva imaginação”, relata Lobato que passou por lugares como Agra, Delhi, Spiti, Rajstão e Jaipur.

Em cada lugar que passavam eles descobriam novos “modos” e tinham de se adaptar a eles. Uma das coisas interessantes que Lobato descreve é a existência – em todos os locais – de duas filas, uma para homens, outra para mulheres. “Eu fui em uma e Susannah na outra. Depois de empurrarmos e sermos empurrados, ela conseguiu comprar as passagens primeiro. Isso foi apenas o começo de uma maratona que iria se repetir ao longo da viagem. Ninguém sabia dizer corretamente, nem mesmo a pessoa que me vendeu a passagem, onde o nosso trem iria parar e, apesar de termos os bilhetes comprados, nada garantia que teríamos lugar para sentar”.

Durante a expedição o autor também se preocupa em contextualizar o leitor, como informar que da Índia nasceram três das maiores religiões da atualidade: o hinduísmo, o budismo e o sikhismo. Segundo o autor, somados ao jainismo os seguidores dessas religiões representam um quarto da população do mundo.

Em contraponto com a riqueza cultural, tradição no campo das ciências exatas, povo gentil e hospitaleiro, o país tem uma profunda e chocante miséria social. Lobato pelo texto e Susannah pelas imagens conseguem demonstrar esse contraste. “Entre as 10 pessoas mais ricas do mundo em 2009, segundo a revista Forbes, duas são indianas. Do outro lado da moeda, 80% da população vive com menos de R$ 1 por dia”. É o conflito entre o mundo moderno e valores antigos, que, entre outras coisas, dificultam a posição da mulher na sociedade.

Na opinião de Lobato, embora o Brasil tenha uma das piores distribuições de renda do mundo, a desigualdade na Índia causa mais choque. A miséria chega a níveis indescritíveis.

O livro é ilustrado com mais de cinquenta fotos e mapas, incluindo o Taj Mahal, os fortes do deserto do Rajstão, templos budistas, hindus e mesquitas. O livro abrange a região central da Índia (incluindo Agra e Delhi); Spiti, na divisa com o Tibete; o Rajstão, a oeste; e Tâmil Nadu, ao sul. Há também capítulos dedicados a costumes, comida, vestuário, religião, cultura e história da Índia. É conhecimento puro!

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Curiosidades sobre a Índia

“Ir ao cinema na Índia é uma experiência única. Ao contrário daqui, onde o menor ruído é recriminado com violentos “psss”, lá a platéia interage com os filmes. Canta, ri, critica o violão, emociona-se com o encontro do mocinho e da donzela, levanta-se da cadeira, xinga e, às vezes, até joga comida na tela. As pessoas vão ao mesmo filme várias vezes, decoram as falas, os passos das danças, as músicas, enfim, se sentem parte daquele mundo”.
“A questão das línguas na Índia é de uma complexidade sem tamanho. Oficialmente são 22 línguas! Somadas a essas, existem outras centenas (alguns falam em 350, outros em 420) de línguas maiores e outros tantos dialetos ou línguas ‘menores’, passando das 1.600 no total”.
“Uma característica comum aos pratos é a pimenta forte que, mesmo quando pouca, nos fazia lacrimejar em algumas refeições. Para compensar, sempre vinha um acompanhamento com menos pimenta, além de uns pastéis sem recheio, e, para tirar a ardência da boca depois da refeição, curd, um iogurte natural servido com cebolas ou pepinos! É isso mesmo, acredita-se que essa combinação é boa para digestão e diminui a ardência da pimenta”.
Veja o Blog do autor em www.livrodaindia.blogspot.com
Fale com o autor: (81) 9900 2566

Taís Ferreira / jornalista
taisttf@yahoo.com.br
(31)9806-3249

Lançamento em Belo Horizonte:
Data: 16 de julho
Horário: 19 horas
Local: Leitura Megastore Pátio Savassi
Endereço: Av. do Contorno, 6061- Savassi
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A Índia que eu vi – Aventuras e histórias numa das mais antigas culturas do mundo
Autor: João Avelar Lobato
Formato: 16x23
ISBN: 978857358892-7
Peso 0.30 kg.
R$ 35,00

domingo, 5 de julho de 2009

Audiência Pública Conferência Nacional de Comunicação ALMG


A Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza, nesta quinta-feira (9/7/09), um debate para colher sugestões para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). A audiência pública, requerida pelo deputado Carlin Moura (PCdoB), será às 9h30, no Auditório da ALMG.

De acordo com o deputado, o objetivo da reunião é discutir alguns dos assuntos a serem abordados na conferência, que acontece em Brasília, entre os dias 1º e 3 de dezembro. "Nesse momento da derrubada do diploma de jornalista, a democratização da comunicação precisa ser debatida em todas as esferas", afirma Carlin. O parlamentar ressaltou que a audiência da ALMG se soma a uma série de eventos preparatórios, organizados pela Comissão Mineira Pró-Conferência Nacional de Comunicação, tais como seminários, palestras e conferências regionais em todo o País.

A 1ª Confecom foi convocada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em 16 de abril de 2009, por meio de decreto. O tema oficial é "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital", que será debatido por delegados da sociedade civil eleitos em conferências estaduais e por representantes do poder público.

Estão convidados a participar da audiência pública na Assembleia de Minas o ministro de Estado das Comunicações e senador Hélio Costa; a deputada federal Luiza Erundina de Souza, representante da Câmara dos Deputados na Comissão Organizadora da Confecom; o subsecretário de Comunicação Social do Governo do Estado, Sérgio Esser; a prefeita de Betim, Maria do Carmo Lara, que foi relatora da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre radiodifusão; a representante da Comissão Mineira Pró-Conferência Nacional de Comunicação, Lidyane Ponciano Ferreira; a presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt), Marcos André Carneiro Naves; o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Aloísio Morais Martins; e o jornalista e membro da Coordenação Nacional do Fórum Mídia Livre, Altamiro Borges.



fonte: ALMG

Deputados defendem exigência de diploma para exercício do jornalismo


A Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai votar, em sua próxima reunião, requerimento a ser enviado ao Congresso Nacional para fortalecer a campanha de integração de frente parlamentar mista em defesa do diploma para exercício do jornalismo. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (3/7/09) durante audiência requerida pelo presidente da comissão, deputado André Quintão (PT), e pelo deputado Carlin Moura (PCdoB), a pedido do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG).

Durante a reunião, os participantes discutiram as consequências da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) do dia 17 de junho, extinguindo a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercício da profissão. Para o deputado André Quintão, a decisão STJ representa uma evidente "judicialização da política".

A comissão também vai manifestar apoio à proposta de emenda à Constituição (PEC) do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que pretende reverter a decisão do STF, prevendo que o jornalismo seja exercido privativamente por profissionais portadores de diploma na área. A PEC teve a adesão de outros 40 senadores.

O deputado Carlin Moura fez críticas aos argumentos do ministro do STF Gilmar Mendes, relator do recurso do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) pelo fim da exigência do diploma. Ao justificar a decisão com o argumento de defesa da liberdade de expressão, o ministro estaria, na verdade, defendendo a "liberdade de empresa", segundo o parlamentar.

O deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT) informou ter protocolado um projeto de lei para que os concursos públicos em Minas Gerais façam a exigência de diploma para o cargo de jornalista. Projetos de teor semelhante já teriam sido apresentados em outras 17 assembleias legislativas, de acordo com o deputado. A comissão deve votar também na próxima reunião requerimento para que o projeto tramite em regime de urgência. O diretor da TV Assembleia e presidente da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral), Rodrigo Lucena, sugeriu que no projeto conste um instrumento que ofereça um maior peso nas provas de títulos de concursos para o cargo de jornalismo aos diplomados nessa área.

Entidades defendem o diploma
O presidente do SJPMG, Aloísio Morais, fez um histórico sobre o processo de regulamentação do jornalismo, determinada pelo Decreto-lei 972, de 1969. Rebatendo opiniões de que o decreto teria sido fruto do regime militar, Morais disse que a regulamentação da profissão foi uma conquista da categoria. Ele considera que o STF assume a postura de um "governo paralelo", que age contrariamente aos interesses da população.

O diretor de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Aloisio Lopes, citou dados de pesquisa realizada no ano passado pelo Instituto Sensus sobre o assunto, alegando que a sociedade discorda da posição do STF. De acordo com a pesquisa, 85% da população defende a formação em jornalismo para exercício da profissão. Ele considera que pode haver uma mudança no quadro a partir da mobilização das casas legislativas. O jornalista Dídimo Paiva também criticou a decisão, e disse que "o STF não é mais importante que o povo."

O conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Mário Lúcio Quintão Soares, afirmou que a entidade dá apoio incondicional à causa. Ele nega a irreversibilidade da decisão, dizendo que o legislativo pode apresentar PEC pela obrigatoriedade do diploma.

Para o vereador de Belo Horizonte Adriano Ventura, uma das possíveis consequências da decisão do STF é a queda da média salarial dos jornalistas. Mas ele ponderou que pode haver também um ganho com o fato. "O tiro que nos foi dado pode sair pela culatra. Nossa categoria está encontrando o caminho da unidade", disse. Ele aproveitou para informar que tramita na Câmara Municipal projeto de lei de sua autoria que estabelece que nos concursos públicos para provimento de cargos de jornalismo no âmbito municipal seja exigida formação na área.

A professora de Jornalismo do Curso de Comunicação da UFMG, Carmen Dulce Diniz Vieira, disse que a decisão do STF contraria uma tendência internacional de regulamentação das profissões. "Como é possível que para exercer uma profissão altamente complexa, em suas teorias, métodos e técnicas, seja exigido apenas um estágio de 15 dias numa redação?", questionou.

Para Antônio Achiles, presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), o argumento em defesa do diploma deve ser pautado pela racionalidade. Achiles disse que é preciso alertar a sociedade quanto aos prejuízos que podem decorrer da decisão do STF. Ele também defendeu a modernização da atividade jornalística, para acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Segundo o jornalista Luís Carlos Bernardes, diretor do SJPMG, um dos riscos da decisão do STF é que os anunciantes possam interferir na contratação de jornalistas com a extinção de exigência do diploma.

Interesses de empresas impedem liberdade de expressão, dizem participantes
A concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos grupos empresariais foi apontada pela maioria dos participantes como o principal entrave à liberdade de expressão. Aloísio Morais disse que é um equívoco considerar a exigência do diploma como impedimento à liberdade de imprensa.

"A restrição à liberdade de expressão não diz respeito ao diploma, e sim às empresas", avaliou Rodrigo Lucena. Concordando com Lucena, Aloisio Lopes disse que são as empresas que controlam a imprensa, com a imposição de seus interesses, que embaraçam a liberdade de expressão.

Na opinião do ex-presidente da Fenaj e do SJPMG, Américo Antunes, a decisão é fruto de um lobby promovido pelas empresas contra a regulamentação profissional do jornalismo. Para ele, trata-se de uma "estratégia dos oligopólios de comunicação" oferecer resistência à regulamentação na área.

Para o professor Alexandre Freire, do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, mais que a defesa do diploma, a luta deve ser pela democratização da comunicação. "Não existe sociedade democrática sem jornalismo de qualidade", disse.

A diretora de comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Luana Bonone, disse que o debate sobre o diploma deve estar associado à democratização da comunicação. "A questão principal é a formação profissional e seu papel na sociedade", completou.

Outras categorias profissionais manifestam apoio à causa
Representantes de diversas categorias profissionais, como economistas, bancários, veterinários, professores, administradores, além de entidades estudantis, marcaram presença na reunião.

Aloísio Morais lembrou que o ministro Gilmar Mendes disse, em entrevista, que outras profissões podem passar pelo mesmo processo. "A luta não é só dos jornalistas. Hoje somos nós, amanhã serão outras profissões", frisou.

A professora Leni Maria Rabelo disse que a educação também vem passando por um longo processo de regulamentação. Ela lembrou que era comum profissionais como engenheiros atuarem nos ensinos fundamental e médio, e que a exigência da licenciatura é recente. Ela disse que tem vontade de ser jornalista, e que pretende fazer vestibular na área.

O publicitário Pedro Pena defendeu o diploma para exercício do jornalismo e disse que luta também pela regulamentação de sua profissão, para a qual também não há exigência de formação específica. "A publicidade, assim como o jornalismo, forma opinião e molda comportamentos. São responsabilidades enormes", disse.

O jornalista e ex-deputado federal Tilden Santiago disse que é necessária uma resposta incisiva à decisão do STF e disse que a luta não está restrita à categoria. "A luta tem que ser da sociedade, da rua, das escolas. É a formação da cabeça do Brasil que está em jogo", defendeu.

Fonte: ALMG

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sindicato convoca os jornalistas para defender a profissão


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) convoca jornalistas, professores e estudantes de jornalismo para participar da audiência pública em defesa da regulamentação profissional e em repúdio à decisão Supremo Tribunal Federal (STF). A audiência será realizada nessa sexta-feira, dia 3 de julho, às 10h, no auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O duro golpe contra a profissão torna ainda mais urgente e necessária a nossa mobilização e dos demais setores da sociedade na defesa da formação e a qualificação profissional para o exercício do jornalismo e de outras profissões, que também estão sendo ameaçadas por este retrocesso institucional produzido pelos ministros do STF.

Participe da audiência pública!

Venha manifestar a sua indignação com o descaso contra inúmeras gerações de jornalistas e demonstrar que vamos continuar combatendo toda e qualquer iniciativa de desqualificar a nossa profissão.

Foram convidados para a reunião o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sergio Murillo de Andrade; o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas, Aloísio Morais Martins; o ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Américo Antunes; o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Minas (OAB); Raimundo Cândido Júnior; o presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCcom) e presidente da TV Comunitária de Belo Horizonte (TVCBH), Edivaldo Amorim Farias; a professora da PUC Minas, Sandra Freitas; e o vice- Presidente da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral), Rodrigo Barreto de Lucena.

Audiência Pública debate decisão do STF

Data: 3 de julho - sexta-feira
Horário: 10 horas
Local: Auditório da ALMG


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