segunda-feira, 12 de julho de 2010

Imprensa italiana tem dia de greve por 'lei da mordaça' do governo Berlusconi

Jornalistas na Itália realizam nesta sexta-feira(10-07-2010)uma jornada de greve com um elevado nível de adesão em protesto contra a chamada "lei da mordaça" do governo de Silvio Berlusconi, com a qual é limitado o uso e difusão das escutas telefônicas nas investigações oficiais.

Jornais, canais de televisão, rádios e agências de notícias, convocados pela Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI) se calam para mostrar insatisfação com uma norma que tramita atualmente no Parlamento e com a qual, segundo eles, fica restrito o direito à informação dos cidadãos.

As bancas de jornal da Itália têm um número bastante reduzido de publicações nesta sexta-feira. Entre os que foram publicados, está o "Il Giornale", de propriedade família Berlusconi.

Os dois principais diários do país, o milanês "Corriere della Sera" e o romano "La Repubblica", decidiram se unir à greve e deixaram, inclusive, seus sites sem atualizações, com declarações públicas nas quais justificam o motivo da iniciativa.

A greve "pode parecer uma contradição perante uma lei que limita a liberdade de informação, assinada por um primeiro-ministro que convida os leitores a fazerem greve contra os jornais", afirma em seu manifesto o "La Repubblica".

"Na realidade, é um gesto de responsabilidade dos jornalistas italianos para denunciar o governo e chamar a atenção de todos os cidadãos sobre a gravidade de uma norma que atenta contra a legalidade, a luta contra o crime e a livre e transparente circulação de notícias", prossegue.

O jornal romano explica que a greve desta sexta-feira pretende também permitir que o público das televisões saiba o que realmente ocorre na Itália, um país no qual seu primeiro-ministro é proprietário dos canais privados mais importantes.

"Pedimos desculpas aos leitores. Os jornalistas do 'Corriere' estão em greve e perdem parte de seu salário, não por um conflito econômico e também não para defender privilégios corporativos, mas por uma batalha civil que nos situa, contra nossa vontade, na linha de frente", comenta o Conselho de Redação do jornal milanês em seu manifesto.

"Com a adesão à greve, esperamos contribuir para sensibilizar o país e sua classe política sobre o perigo que representam as normas propostas para os direitos democráticos e constitucionais de todos os cidadãos que querem ser conscientes do que ocorre em seu entorno", acrescenta.

Os jornais não são os únicos que fazem greve: as principais agências de notícias do país, Ansa e Agi, deixaram de transmitir informações desde as 6h30 locais (1h30 em Brasília).

Alguns canais televisivos também aderiram ao movimento, como a emissora via satélite Sky TG24, propriedade do grupo do magnata Rupert Murdoch, que transmite apenas programas previamente gravados e anuncia a seus telespectadores a greve em mensagens exibidas na tela.

A grande maioria dos jornalistas da corporação de televisão pública nacional RAI também decidiu participar da greve, embora o principal canal do grupo transmita, como em cada amanhã, o magazine matinal "Uno Mattina", baseado principalmente no entretenimento.

O Canale 5, do grupo Mediaset (de propriedade de Berlusconi), não transmitiu seu habitual informativo matinal das 8h (3h em Brasília), embora não tenha deixado claro se a ausência se deve à adesão à greve.

A "jornada de silêncio", como batizou a FNSI, chega precedida por manifestações e protestos, como os do último 1º de julho em 20 cidades italianas.

A chamada "lei da mordaça" prevê, entre outras, penas de até 30 dias de prisão ou sanções de até 10 mil euros para os jornalistas que publiquem escutas durante as investigações ou as atas sob segredo, enquanto fixa multas de entre 300 mil e 450 mil euros para os responsáveis dos veículos que o façam.

Redação da Agência Efe
Folha de S. Paulo

Imprensa proibida na área de vazamento no Golfo do México



Dahr Jamail*
Envolverde


Nova Orleans, Estados Unidos – A Guarda Costeira dos Estados Unidos, que trabalha em coordenação com a gigante petroleira British Petroleum (BP), estabelece novas restrições ao trabalho da imprensa em relação ao vazamento de petróleo no Golfo do México. “Não pode vir aqui”, disse à IPS o guarda de segurança Don, contratado pela BP, no Centro de Reabilitação de Fauna Contaminada por Petróleo de Forte Jackson, no Estado da Louisiana.

Do lado de dentro, funcionários do Centro Internacional para a Pesquisa no Resgate de Aves, uma das empresas contratadas pela BP para limpar o dano, trabalham tratando de animais afetados pelo petróleo. O Centro permite acesso limitado para a imprensa às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras, por apenas duas horas cada vez. A IPS chegou numa quarta-feira apenas para ficar sabendo que já não poderia entrar porque o acesso ficou restringido a dois dias por semana.

Quando a IPS perguntou ao guarda de segurança privada que impediu sua entrada a quem obedecia, ele respondeu: “Trabalho para a HUB, uma companhia de segurança contratada pela BP”. A Hub Enterprises, com sede em Broussar, na Louisiana, tem contrato com a BP para fornecer “funcionários de segurança” e “supervisores”. Don recebe entre US$ 13 e US$ 14 por hora para manter os jornalistas longe do que acontece após o maior desastre ambiental causado por um vazamento de petróleo na história dos Estados Unidos.

Cerca de 60 mil barris de 159 litros de petróleo ainda vazam por dia no Golfo do México, mais de dois meses após a explosão, em 20 de abril, da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP. Na semana passada, a Guarda Costeira impôs novas restrições à cobertura jornalística. Os jornalistas estão sujeitos a multas de até US$ 40 mil, ou penas de prisão entre um e cinco anos, se violarem a regra que impede a aproximação a menos de 20 metros de qualquer bomba ou embarcação de limpeza.

O Comando Unificado, criado pelo governo de Barack Obama para cuidar da situação ambiental, argumenta que se trata de uma “zona de segurança” e que qualquer intruso pode ser um obstáculo aos trabalhos. Porém, existem muitos indícios de que o cerco à imprensa aumentou de muitas outras formas. Na semana passada, a IPS tinha uma entrevista marcada com um especialista do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Estado da Louisiana, em Nova Orleans, que conhece de perto as investigações dessa instituição sobre o possível impacto do vazamento da BP.

Na mesma manhã em que aconteceria o encontro, o especialista, que preferiu ficar no anonimato, enviou uma mensagem por correio eletrônico à IPS dizendo: “Disseram para cancelar a entrevista. Lamento qualquer inconveniente que possa ter causado”. Quando a IPS perguntou se havia alguma razão em particular para a mudança de planos, respondeu: “Não”. Mais tarde, uma fonte anônima informou à IPS que a decisão fora tomada pelo reitor Larry Hollier, que preside o Centro de Ciências da Saúde da Universidade.

A BP fornece a maior parte do dinheiro destinado a estudar os efeitos do desastre, e prometeu US$ 500 milhões para projetos de pesquisa e restauração. Robert Gagosian é presidente do Consórcio para Liderança Oceânica, que representa instituições dedicadas à pesquisa de oceanos e aquários, e administra um programa de pesquisa sobre perfuração marítima. O especialista está preocupado com a maneira como o dinheiro está sendo usado. Seus temores, compartilhados por outros cientistas e pesquisadores, se devem ao interesse da BP em preservar seu negócio. Também duvidam da utilização de um critério adequado para avaliar quais pesquisas realizar.

Jeff Short, ex-cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica e agora membro do grupo conservacionista Oceana, afirmou que, pelo fato de ser a BP que paga as pesquisas, o governo está cedendo o controle da situação. “Eu me pergunto, por que a BP iria querer despejar dinheiro em projetos que claramente mostrarão muito mais o dano ambiental daquilo que de todo modo teria vindo à tona?”, disse.

Os primeiros US$ 25 milhões dos fundos da BP foram rapidamente distribuídos entre a Universidade do Estado da Louisiana, o Instituto de Oceanografia da Flórida, a Universidade da Flórida do Sul e um consórcio liderado pela Universidade do Estado do Mississippi. Muitos cientistas independentes e jornalistas temem que isto seja parte de um esforço para influenciar os estudos e a forma como essas instituições públicas falam com a imprensa sobre o desastre.

No dia 2, Lance Rosenfield, repórter fotográfico do veiculo de jornalismo investigativo sem fins lucrativos ProPublica, foi detido por um tempo pela polícia quando fotografava perto da refinaria da BP na cidade do Texas. Rosenfield disse que foi cercado por um segurança da BP, policiais locais e um homem que se identificou como agente do Departamento de Segurança Interna. O repórter foi liberado depois que a polícia revisou suas fotos e registrou sua data de nascimento, o número do seguro social e outras informações pessoais. Um agente da polícia entregou os dados ao segurança da BP, o que, segundo disse o policial a Rosenfield, era parte de um “procedimento operacional padrão”.

Também há restrições no espaço aéreo sobre as áreas onde acontecem as operações de contenção e limpeza do petróleo. A Administração Federal de Aviação proibiu voos de órgãos de comunicação a menos de 900 metros sobre as zonas afetadas pelo vazamento.

*da IPS.

5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos abre inscrições

Estão abertas até 2 de agosto as inscrições para a 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, evento dedicado a obras que abordam questões referentes aos direitos humanos produzidas recentemente nos países sul-americanos. Uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira e patrocínio da Petrobras, a Mostra acontecerá no período de 8 de novembro a 15 de dezembro de 2010.

O circuito de exibição, que em 2009 aconteceu em 16 capitais brasileiras, chega este ano a 20 cidades: Aracaju, Cuiabá, João Pessoa e São Luis, pela primeira vez, receberão a Mostra que se realizará também em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Teresina.

O evento é apoiado pelo Ministério das Relações Exteriores, TV Brasil, Sesc São Paulo e Sociedade Amigos da Cinemateca. Podem participar obras realizadas em países da América do Sul finalizadas a partir de 2007 cujo conteúdo contemple aspectos relacionados aos direitos humanos. Não há restrição quanto à duração, gênero ou suporte de captação/finalização. Regulamentos e ficha de inscrição podem ser acessados através do website www.cinedireitoshumanos.org.br. Cópias em DVD - acompanhadas de sinopse, foto, ficha técnica e contato - devem ser encaminhadas até 2 de agosto para o seguinte endereço: 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul.

Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso 207 / 04021-070 / São Paulo / SP. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3512.6102 ou pelo e-mail contato@cinedireitoshumanos.org.br.

As obras mais votadas pelo público serão contempladas com o Prêmio Aquisição TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. Em 2009, foram contemplados o longa “Entre a Luz e a Sombra”, de Luciana Burlamaqui (Brasil), o média “Nunca Mais!!! Cochabamba, 11 de Janeiro de 2007” de Roberto Alem (Bolívia), e o curta “Além de Café, Petróleo e Diamantes”, de Marcelo Trotta (Brasil).

A programação da 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul tem curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho. Desde 2008, os filmes contemporâneos passaram a ser selecionados não apenas por meio de convite da curadoria, como nas duas primeiras edições do evento, mas também via seleção pública por meio de convocatória.

Em suas quatro primeiras edições, a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul exibiu títulos realizados na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, consolidando-se como espaço de reflexão no qual os direitos humanos encontram-se com a expressão cinematográfica. Ao exibir a produção contemporânea sul-americana, o evento promove o encontro de cineastas, militantes e ativistas com o público de diversas regiões do país.

Confira também o site da
4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Resoluções da Confecom

Em Brasília, na última quinta-feira, representantes de movimentos sociais e da comunicação, integrantes do Comitê Nacional Pró-Confecom (CNPC) participaram em do seminário proposto pelas deputadas Iriny Lopes (PT-ES), pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, e Luiza Erundina (PSB-SP), pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, e entidades da sociedade civil.

O encontro estabeleceu critérios de importância entre as propostas da Confecom. Foram priorizadas 70 proposições para serem implementadas com mais celeridade.
“O seminário ajudou na articulação e na definição de ações para o segundo semestre deste ano. Foi o pontapé inicial pós-conferência. Aglutinamos entidades para fazer pressão no Executivo e no Legislativo”, relatou Nascimento Silva, representante do FNDC e da Fitert.

Sociedade civil não aceita transferir para próximo governo os encaminhamentos dos resultados da Confecom

Ana Rita Marini
FNDC

Para o país avançar na democratização da comunicação, as resoluções da Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009, precisam ser encaminhadas independentemente de este ser um ano de eleições para o Congresso e os poderes Executivos estaduais e federal.

A recente declaração do ministro-chefe Franklin Martins, da Secretaria da Comunicação Social do Planalto - durante audiência pública na Câmara dos Deputados, no último dia 10 de junho - de que as deliberações da Confecom terão de ser conduzidas pelo próximo governo desagrada o movimento social que participou intensamente da Confecom e vem lutando há mais de três décadas para que se crie no país políticas públicas no setor. Para o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a manifestação do ministro foi equivocada.

A coordenação-executiva do FNDC, presente na última quinta-feira (a exceção do seu coordenador- geral, Celso Schröder) no seminário que reuniu em Brasília as entidades que protagonizaram a construção e realização da 1ª Confecom, manifesta-se a favor do imediato encaminhamento das suas proposições. A criação do Conselho Nacional de Comunicação do Executivo é uma dessas prioridades. Leia as manifestações de todos seus integrantes.

Celso Schröder – Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
A agenda da democratização da comunicação não pode ser anulada pela agenda eleitoral brasileira. Há espaços e necessidades de que algumas decisões da Confecom já sejam encaminhadas. Não podemos permitir que se esfrie o enorme apoio popular que a Confecom ganhou no País. Nem podemos perder este momento histórico, porque há mudanças a serem feitas que são amplamente amparadas, validadas pela Confecom. Ressalto aqui a urgência na instalação do Conselho Nacional de Comunicação, que poderia e deveria ser feito este ano.

Nascimento Silva – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert)
A gente vai mostrar para o Franklin que ele está equivocado. Este é o sentimento da Fitert, é o sentimento também do FNDC e de todos os movimentos que participaram da Confecom. Porque a gente não esteve lá só para dizer que esteve. Quando o ministro fala assim, parece que já está tudo definido. Parece que é o governo que manda e ponto final.

O momento, no país, para o movimento pela democratização da comunicação, é de pressionar o Executivo e o Legislativo, iniciar uma interlocução com os candidatos para essas eleições que estão aí. E pressionar os poderes Executivos, no âmbito federal, estadual e municipal. Afinal, quem é que está compromissado com a comunicação? Esse é um momento rico para cobrarmos do governo, dos políticos, - muitos deles, a maioria, estiveram fora deste processo.
Hoje podemos falar com mais propriedade sobre a conferência, que existiu e tem seus desdobramentos.

Rosane Bertotti – Central Única dos Trabalhadores (CUT)
O rico e intenso processo vivenciado antes, durante e depois da Confecom, realizada ao longo de 2009, demonstrou que a democratização da comunicação é tão imprescindível quanto espinhosa em determinada esfera política.

Estamos em pleno 2010 e nos causa estranhamento que o ministro responsável pela Secretaria da Comunicação Social do Planalto declare que este governo não poderá por em pratica nenhuma das propostas aprovadas na Confecom. Que razões levam o ministro Franklin Martins a desconsiderar o esforço de uma conferência de tamanha transcendência para a própria democracia? Vale ressaltar que, driblando as sabotagens dos setores reacionários, o evento mobilizou milhares de pessoas em todo o País e, por meio do diálogo e do debate, conseguiu construir consensos entre a representação de trabalhadores, empresários e governos, isolando a direita mais empedernida.

Ao longo destes sete anos de governo Lula, são incontáveis os avanços obtidos, medidas que transformaram, inquestionavelmente , a vida do povo nas mais diferentes áreas. Infelizmente, tais medidas não se refletem no que diz respeito à comunicação, onde os latifúndios midiáticos mantêm bem altas as suas cercas, dentro de uma lógica que transforma a informação em mercadoria e o cidadão em mero consumidor.

Reforçamos que a convocação de um Conselho Nacional de Comunicação se faz premente, pois a responsabilidade e os compromissos assumidos com a sociedade brasileira não nos permitem manter guardada na gaveta decisões de tamanha importância para o presente e o futuro do país.

José Luiz Sóter – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço)
Acho que o ministro Franklin falou de improviso, foi apressado. Depois de toda a expectativa em torno da Confecom e o consenso em torno de temas polêmicos debatidos, foi criada uma base política para sua implementação. Então, acreditamos que existe, sim, condições de implementar várias medidas.Algumas coisas definidas pela 1ª Confecom e que dizem respeito diretamente ao Executivo Federal já começaram a ser implementadas, mas só as que já estavam de acordo com a política mais ou menos apontada pelo governo.

A implementação do Plano Nacional de Banda Larga - PNBL, por exemplo, com o restabelecimento da Telebrás. A banda larga, inclusive, é uma das bandeiras levantadas pela Abraço desde o início dos debates. A recriação das delegacias do Ministério das Comunicações, que já ocorreu em sete estados e está em andamento, é outra bandeira da Abraço. Por outro lado, oficialmente, o caderno com as resoluções da Confecom foi entregue apenas nesta semana ao presidente Lula.

Em reunião nesta segunda-feira com o Ministério das Comunicações, a Abraço cobrou algumas das propostas aprovadas na Confecom e que foram acordadas pelo Executivo para implementá-las. A criação do Conselho Nacional de Comunicação do Executivo, depende só do próprio fazê-la.

O governo pode, até final do ano, trabalhar na proposta de uma nova lei geral de comunicação para encaminhar ao Congresso Nacional e a próxima candidatura, os calouros, já terão de início com que trabalhar.

Roseli Goffman – Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Se observarmos na linha de tempo, percebemos que só para criar o regimento da Conferência demorou quase seis meses, algo totalmente diferente de todas as outras conferências já feitas no Brasil. A divulgação do resultado da Confecom também levou seis meses. Este aspecto já nos dá uma noção da dificuldade que é implantar um marco regulatório na área da comunicação, mesmo depois de um processo de debate que reuniu em torno do tema quase 30 mil pessoas, em todo o país.

Diferente do que declarou o Franklin Martins, de que não há possibilidade de implementação das propostas ainda em 2010, acreditamos que, agora que estamos vivendo um processo eleitoral, precisamos comprometer as pautas partidárias sobre comunicação.

Essa reunião do CNPC em Brasília reconvocou o movimento para garantir os resultados da Conferência junto ao Parlamento e ao Executivo. Nossa principal preocupação agora é criar o Conselho Nacional de Comunicação do Executivo e produzir um marco regulatório. Se o governo federal se comprometeu com a Conferência, tem que estar comprometido com os resultados.

Berenice Mendes – Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Aneate)
Quando saímos da Confecom, com mais de 600 proposições aprovadas, a gente tinha consciência de que não seria simples o tratamento e o seu encaminhamento. Até porque, para além dos objetivos concretos de cada uma, elas têm um significado simbólico, que é o da enorme demanda da sociedade brasileira de que sejam democratizados os meios de comunicação. Esse volume tão grande demonstra, sobretudo, o imenso vazio regulatório que existe nesse segmento no nosso país.

Todavia, as proposições podem ser tratadas de forma bem objetiva. É só aplicar o método. Tem propostas que são exequíveis a curtíssimo prazo, porque demandam apenas a vontade do Executivo (municipal, estadual ou federal) de colocá-las em prática. Outras dependem de gestões da sociedade junto ao Estado. Há as que demandam projetos de lei - são mais demoradas, assim como as que demandam dinheiro. Outras requerem ainda o próprio amadurecimento da sociedade e vão acontecer à medida em que o povo e o país vá se desenvolvendo.

O que me parece demais é tratar tudo como se fosse uma obra tipo uma ponte, um viaduto a se construir, com cronograma de começo, meio e fim, subordinado a contratação de empreiteiros para sua execução. Se o governo disser que tem coisas que não podemos fazer agora, ainda que por razões de conjuntura política nacional ou internacional, eu acho que é possível compreender. Mas dizer que nada pode ser feito agora, não podemos aceitar. E, sobretudo, a gente não está mais disposto a aceitar que alguém, uma única voz, uma única instância diga o que deve ou não deve ser feito.

Existe uma comissão que coordenou essa conferência e que tem que concluir seu trabalho.



FNDC

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oliver Stone diz que Lula não deve confiar nos elogios de Obama

O cineasta veio ao Brasil para lançar o documentário 'Ao Sul da Fronteira', que fala sobre sete presidentes da América Latina. O destaque é para o venezuelano Hugo Chávez, de quem o cineasta é admirador.

* Matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo em 27 de maio de 2010


O cineasta americano Oliver Stone (Platoon, JFK, entre outros) por telefone, de seu escritório, em Los Angeles, Stone falou à folha:

Folha - Como é Chávez?

Oliver Stone - Ele é muito acolhedor e amoroso. As notícias sobre ele nos EUA têm sido muito negativas, porque ele mudou as regras. Fez coisas que nenhum outro, exceto [Fidel] Castro, havia feito. Ele tem feito coisas novas, assim como Néstor Kirchner na Argentina e Lula no Brasil. Como Cristina Kirchner diz no filme, as pessoas que estão no poder na América do Sul têm o semblante do povo que as elegeu. Hugo Chávez é um soldado e obviamente tem algumas das falhas de um soldado. Lula é um sindicalista e tem algumas das falhas de um sindicalista.
Mas ambos representam uma grande mudança. E eu espero que dê certo. Porque é o desejo de controlar o seu próprio destino, de ser levado a sério, de não ser ignorado.


O filme é pró-Chávez?

Não é pró-Chávez. Apenas mostra honestamente o que ele está fazendo e o que estão dizendo sobre ele. Não é um documentário longo que vai defender tudo, é uma "roadtrip". Se fosse pró-Chávez, ele teria três horas a mais.


O presidente Hugo Chávez tenta controlar a mídia na Venezuela...
[Interrompendo] Não mesmo. 80% da mídia na Venezuela é privada, dirigida por ricos que falam mal do governo. Chávez brigou pela liberdade de expressão. Alguns canais e revistas convocaram greves e chamaram as pessoas para um golpe de Estado em 2002. Em meu país, se você fizer isso, sua licença [de TV] será retirada.


Há relatos de jornalistas sobre a pressão do governo.
Estou falando do que vi e ouvi. O governo respeita a liberdade de imprensa, exceto nos casos em que a mídia desrespeita a lei ou tenta um golpe. Aí as licenças das empresas de comunicação não são renovadas. A maioria das TVs do país é dirigida por lunáticos, caras de direita que perderam seu poder quando Chávez nacionalizou o petróleo. É uma das imprensas mais histéricas que já vi.

O sr. desaprova algo no governo de Chávez?

Ele comete erros assim como qualquer outro governo do mundo. Mas 75% votaram nele em 2006. Nos EUA, a votação de Obama não chegou nem perto. Você não tem ideia de quão pobre era a Venezuela antes de Chávez. Parte por causa do neoliberalismo praticado, inclusive, no seu país, o Brasil. Washington e o FMI não têm interesse, de coração, nas pessoas. Chávez, Lula, Kirchner, [o boliviano Evo] Morales têm. E pagam o preço sendo criticados por pessoas que têm dinheiro e controlam a mídia.


No filme, Lula diz que só quer ser tratado com igualdade. Ele está sendo?

Por quem?

Por líderes do mundo.


Não. Ele e os outros líderes da América do Sul ainda são ignorados. Eu admiro muito o Lula. Ele fez uma coisa nobre indo ao Irã. Ele está tentando manter a sanidade, manter suas posições. Os americanos e europeus acreditam que podem controlar o mundo. Lula representa uma terceira via, de quem não quer a guerra, um caminho fora dessa loucura. Os EUA costumam dizer que Chávez é a má esquerda e Lula, a boa. Isso é nonsense. Obama apoiou Lula até quando ele cruzou a linha.


Ele disse que Lula é "o cara".

Eu não confiaria nos EUA. Os americanos sempre jogaram com os brasileiros desde que pudessem controlá-los. Apoiaram o golpe militar no país em 1964. O Brasil sempre esteve no bolso de trás dos EUA, mas agora eles têm que ser mais espertos. Sabem que não podem controlar o Brasil. E Lula é muito importante. Ele se dá com Chávez, com os Kirchner, e com a Colômbia, o Peru e o México, que são aliados dos Estados Unidos.


E Obama?

Nós estamos tentando. Ele é um homem racional, ético, mas faz parte de um grande sistema. Se ele não estivesse lá, estaria John McCain ou Sarah Palin. Você prefere eles? Eu não. Mas, em relação à América Latina, Obama está jogando o mesmo jogo. A reação americana ao golpe em Honduras foi típica.


O sr. vai fazer um documentário sobre o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad?

Não estou pensando nisso no momento. Houve um problema de comunicação. Eu quis fazer o filme, e ele [Ahmadinejad] não quis. Quando ele quis, eu estava fazendo o filme "W", sobre George W. Bush.

(LÍGIA MESQUITA)

Esses são os nossos representantes?



A maioria dos políticos da matéria nem sabem o que assinaram. Preste muita atenção na hora de votar nas eleições.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dunga custa dinheiro à Globo. Simples assim


Redação
Carta Capital

Publicamos ontem a opinião de Juca Kfouri e Carlos Heitor Cony sobre a desavença entre o Dunga e a TV Globo. Agora, os jornalistas Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna falam o que pensam sobre a saia justa entre o técnico e a emissora carioca

Técnico sabe que ‘inimigos’ externos podem motivar qualquer grupo
Por Luiz Carlos Azenha*


O primeiro jogo do Brasil na Copa rendeu 45 pontos no Ibope à TV Globo. Contra a Costa do Marfim, num domingo, foram 41 pontos. A Bandeirantes marcou 10 pontos nas duas ocasiões. Do total de televisores ligados na hora do jogo, 87% estavam sintonizados nas partidas. É menos que no passado, ainda assim uma enormidade. É preciso levar em conta que hoje há outras opções para ver o jogo: emissoras a cabo e via satélite, por exemplo.

Além disso, como muitas pessoas se reúnem para ver as partidas em bares ou em casas de parentes, fica difícil quantificar a audiência exata. Mas o fato é que a Globo ganha em qualquer circunstância: ganha na própria Globo, na SporTv, nas assinaturas de TV a cabo e assim por diante. Portanto, de fato, a Globo não tem nenhum motivo para torcer contra o Brasil. Quanto mais longe for o Brasil, maior o retorno e o lucro.

Onde é que Dunga prejudica a Globo, então? Nos dias e horários em que não há jogo. Para a emissora, a Copa do Mundo era no passado um evento importante para alavancar a audiência de toda a programação. Os jogadores da seleção brasileira costumavam desempenhar o papel de um cast alternativo. O acesso exclusivo aos jogadores e integrantes da comissão técnica garantia aos telejornais audiências bem acima da média durante a Copa do Mundo. A exclusividade no acesso à seleção teria um papel ainda mais crucial este ano. Hoje as pessoas se informam em tempo real através de emissoras de rádio ou da internet e não precisam mais ficar sujeitas à ditadura da programação para obter notícias somente depois das 8 da noite, no Jornal Nacional. A não ser que uma emissora tivesse o monopólio das notícias importantes sobre a seleção, o que deixou de acontecer.

É cedo, obviamente, para fazer qualquer tipo de análise da audiência de TV durante a Copa. Até agora parece não ter havido uma revolução nos números, a não ser durante os jogos do Brasil. Nos últimos dias a Record, por exemplo, tem perdido alguns pontos de audiência aqui ou ali, de acordo com a importância do jogo transmitido pelas rivais. Mas, curiosamente, o Jornal da Record, que compete diretamente com o Jornal Nacional, tem tido números consistentes com a audiência que tinha antes do evento.

Será que o Dunga pensou em prejudicar a Globo ao implantar a isonomia na seleção, ou seja, tratamento igual para iguais? Claro que não. O técnico da seleção brasileira sabe que um fator importante para motivar qualquer grupo é encontrar um ou mais “inimigos” externos. Sabe que é absolutamente essencial passar ao grupo a impressão de que não privilegia este ou aquele jogador, especialmente quando a exposição na TV, durante uma campanha vitoriosa, pode render contratos milionários. Sabe o quanto a ciumeira despertada por um relacionamento “especial” de um jogador com este ou aquele repórter, este ou aquele narrador, pode custar caro ao grupo.

A diferença entre Dunga e a Globo encontra-se no calendário distinto pelo qual ambos se regem: a emissora precisa ganhar tudo agora, comercialmente tem pouco a faturar depois que o Brasil chegar à final; Dunga só irá ao banco descontar o cheque milionário se e quando garantir o título. A Globo precisa de um cast. Dunga precisa de um time. Minha sugestão à emissora do Jardim Botânico é que crie uma seleção cenográfica lá no Projac. Garanto que pouca gente vai notar a diferença.


Dunga dá uma surra na TV Globo: os meninos mimados perderam privilégios
Por Rodrigo Vianna**


A política suicida da Globo parece não ter limites. Primeiro foi na cobertura política. Depois de anos de esforço para superar a marca de emissora golpista e manipuladora (esse esforço se deu na gestão de Evandro Carlos de Andrade como Diretor de Jornalismo, e com a participação ativa de Amauri Soares na sucursal de São Paulo), a Globo mostrou as garras na eleição de 2006. Acompanhei tudo de perto; eu era repórter de política na Globo, e estive no grupo de jornalistas que internamente não aceitaram a linha de cobertura adotada pela emissora. Por causa disso, saí da Globo, e expus meus motivos numa carta interna aos colegas de Redação; carta essa que acabou vazando na internet.


Agora, a direção da Globo empurra a emissora para o suicídio também na cobertura esportiva. A Globo manda no futebol brasileiro. Isso todo mundo sabe. Muitos clubes sobrevivem da grana que a Globo adianta, como pagamento por “direitos de transmissão”. A Globo sempre teve, também, privilégios na cobertura da seleção brasileira. Todo jornalista sabe disso. Aqui na África do Sul, um colega lembrava da Copa da França, em que a Globo tinha uma “salinha” exclusiva para as entrevistas com jogadores. Tudo acertado com a CBF. As outras emissoras esperneavam, e a Globo manobrava nos bastidores. Com habilidade.

Pois bem. A atual direção da Globo resolveu explicitar as coisas. Fez um striptease público. Tudo porque o técnico Dunga decidiu acabar com as “salinhas” da Globo. No domingo, Dunga brigou com o Alex Escobar (comentarista da Globo). O motivo? Escobar queria entrevistas exclusivas com jogadores, e Dunga vetou. O jornalista Mauricio Stycer conta . tudo aqui


No passado, a Globo manobraria nos bastidores, e talvez arrancasse alguma concessão de Dunga. Mas a arrogância (e a burrice) da atual direção da emissora não tem limites. Resolveram fazer um editorial contra o Dunga! É tudo muito didático para o público…

É como se houvesse um menino rico acostumado a comer sempre o primeiro pedaço do bolo nas festinhas da escola. Um dia chega o professor novo e diz: “você pode ser rico, mas aqui tem que pegar fila pra comer o bolo”. O menino rico, em vez de avisar o pai e manobrar em silêncio pela demissão do professor, resolve chorar no meio do pátio, e ainda pendura um manifesto na porta da escola: “eu sou rico, tenho direito ao primeiro pedaço do bolo”.

O menino rico, e mimado, joga a escola inteira contra ele. Talvez consiga a demissão do professor. Mas a comunidade inteira agora sabe que esses privilégios existem.

A Globo conseguiu isso. Na guerra entre Globo e Dunga, o Brasil fica ao lado do técnico.Vejam a enquete do UOL sobre o assunto: o Dunga dá uma surra na Globo.


O povo não aguenta mais a arrogância da Globo. Os Marinho vão pagar caro por ter dado poder a gente como Ratzinger e sua turma.

Mas o Dunga que se cuide. A Globo vai tentar triturá-lo. Diante da primeira derrota, ele será demolido. O Dunga devia bater um papo com o Lula…


*Matéria originalmente publicada no site Vi o mundo
Vi o mundo


**Matéria publicada originalmente no site
O Escrevinhador

Cinema Perto de Você



Governo federal lança programa que oferecerá incentivos fiscais e financiamentos para empresários investirem em salas de projeção audiovisual. Meta é criar 600 novos espaços



Foi lançado na quarta-feira, 23 de junho, no Cine-Teatro do Centro de Convenções de Luziânia (GO), o Cinema Perto de Você - Programa de Expansão do Parque Exibidor. O evento contou com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Cultura, Juca Ferreira, e do diretor-presidente da Ancine/MinC, Manoel Rangel.

Criado para estimular e acelerar a implantação de salas de exibição no País, o Programa Cinema Perto de Você marca uma nova etapa na política pública de fortalecimento do cinema e do audiovisual no Brasil. “O cinema deve ser um ponto de encontro e um local de utilidades múltiplas”, disse o presidente Lula.

Trata-se de um conjunto inédito de mecanismos e ações diversificadas de crédito, investimento e desoneração tributária que incentiva a iniciativa privada e as Prefeituras e Governos estaduais a investir na expansão do parque exibidor, especialmente nas cidades médias do interior e nas zonas urbanas dos grandes centros, que apresentem baixa densidade de salas. O diretor-presidente da Ancine/MinC, Manoel Rangel, lembrou que, em 1997, havia pouco mais de mil salas em todo o Brasil. Para Juca Ferreira, este foi um momento de muita alegria. “A assinatura da medida provisória que cria o programa não é um ato isolado. Desde que chegamos ao MinC, todo nosso esforço tem sido no sentido de produzir um deslocamento do cinema para o interior do país”.

A meta é estimular abertura de 600 novas salas, no período de quatro anos, além do ritmo normal de crescimento apresentado pelo setor. “Vamos convencer prefeitos e estimular empresários a adotar o Programa. Precisamos mostrar a eles que pode ser melhor, por exemplo, abrir um cinema onde há um imóvel sem utilidade pública ao invés de vendê-lo”, lembrou o presidente da República.

Desenvolvido pelo Ministério da Cultura e pela Ancine, e operado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a ação foi concebida para contemplar especialmente as regiões Norte e Nordeste, mais carentes de salas de exibição, e a nova classe C, estrato social no qual o consumo mais cresce e que já representa mais da metade da população brasileira. “É por isso que o programa Cinema Perto de Você é um passo muito importante para a economia do país”, ressaltou o ministro Juca Ferreira.



Informações do Ministério da Cultura

segunda-feira, 21 de junho de 2010

9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis



De 19 a 4 de julho, o Teatro Governador Pedro Ivo se torna um templo da sétima arte, com a exibição de filmes do mundo todo e também abrigando ampla discussão sobre produção para o público jovem

Filmes de 14 estados brasileiros e de 10 países irão entreter as crianças de Florianópolis na 9ª Mostra de Cinema Infantil, que começa hoje e vai até 4 de julho. Além da exibição de curtas, médias e longas-metragens, haverá debates, oficinas, shows, bate-papos com atores e diretores, exposições, videoteca, salas de leitura, pitching e muitas outras atrações.

Os destaques são a pré-estreia nacional do longa-metragem Eu e Meu Guarda-chuva, de Toni Vanzolini, e da presença de Arnaldo Antunes para o show de encerramento.

Foram selecionados 73 curtas brasileiros para a Mostra Competitiva deste ano, e haverá ainda as pré-estreias internacionais da ficção indiana Somos Todos Diferentes, de Aamir Khan, da animação alemã O Melhor Amigo da Lua, de Mike Maurus e Thomas Bodenstein; e da animação O Segredo de Kells, de Tomm Moore.

Estão programadas também exibições de curtas do Irã, Índia, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Rússia, França, Bélgica, Holanda e Estados Unidos.

A diretora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Luiza Lins, aposta na universalização do evento.

– Está cada vez mais internacional, criando diálogo com outras linguagens e culturas e abrindo espaço para curtas inéditos no Brasil – acrescenta Luiza.

Durante 16 dias, o evento vai entreter o público infantil e adulto com a exibição de filmes no Teatro Governador Pedro Ivo, além de promover debates entre alunos, educadores, pesquisadores, cineastas e com o público em geral, no Hotel Majestic.

Como parte da programação, ocorre o 3º Pitching – uma seleção pública de projetos audiovisuais que pretendem habilitar-se a disputar recursos internacionais no Fórum de Financiamento do Buff festival, na Suécia. O filme Eu e Meu Guarda-chuva, por exemplo, foi o vencedor deste prêmio. Exibido nesta edição da Mostra, ele entrará no circuito comercial em outubro.

– O filme ganhou o Pitching de 2008, recebeu um impulso importante no mercado de coproduções internacionais e volta agora para mostrar o resultado no evento que ajudou a abrir portas fora do Brasil. É uma demonstração clara da importância desse mecanismo para inserir os produtores e projetos audiovisuais brasileiros no mercado internacional de financiamento e distribuição – diz Luiza.

No dia 27 de junho será realizado o 6º Encontro Nacional do Cinema Infantil, e no dia 28 o 3º Fórum de Cinema e Educação. O cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes apresentará o show Pequeno Cidadão, em duas sessões em 4 de julho: às 15h e 18h, no Teatro Álvaro de Carvalho. Arnaldo vem acompanhado de sua banda: o guitarrista Edgard Scandurra (ex-Ira!), a tecladista Taciana Barros (ex-Gang 90) e o compositor Antonio Pinto (autor de trilhas sonoras e filho do cartunista Ziraldo).

O júri infantil escolhe qual o Melhor Filme

Neste ano, com a parceria da TV Brasil, a mostra ampliou a premiação dos filmes vencedores. Serão quatro prêmios no valor de R$ 5 mil. As categorias de Melhor Ficção e Melhor Animação serão escolhidas por um júri formado por profissionais de cinema e de educação, composto por Gilka Girardello (UFSC), Arthur Nunes (Animaking), Marco Stroisch (presidente do Funcine) e Igor Pitta (animador). O Melhor Filme será definido pelo júri popular, com votação do público, e o Prêmio Especial será indicado por um júri formado por crianças.

Nos finais de semana, as exibições são abertas ao público em geral; e de segunda a sexta, direcionadas a instituições de ensino. Para os estudantes de escolas públicas, a mostra oferece transporte gratuito até o teatro.

Informações:
Diário Catarinense


www.mostradecinemainfantil.com.br

Memória: Direito de resposta que a justiça concedeu contra a Globo, em pleno Jornal Nacional

Cid Moreira leu uma nota escrita por Leonel Brizola em 15 de março de 1994. O direito de resposta foi concedido a Brizola depois que o Jornal Nacional da TV Globo falou inverdades sobre o líder do PDT, na época.



https://www.youtube.com/watch?v=8hkYW54eV-8




Brizola responde à Globo no Jornal Nacional

A propaganda enganosa e os mitos da carga tributária



Por Artur Henrique*


Um certo tipo de crítica que se faz à carga tributária brasileira esconde propósitos muito egoístas, apesar da aparência patriótica. É uma campanha que tem até painel eletrônico numa rua da capital paulista - o "impostômetro" de uma associação empresarial - e humorista de televisão se fingindo de frentista de posto para vender gasolina mais barata, "sem imposto". Algo que os patrocinadores dessas ações querem de verdade, mas tentam ocultar, é a diminuição dos investimentos do Estado em programas sociais ou em políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.


Essa conclusão salta aos olhos diante de um levantamento divulgado recentemente pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Alguns de seus dados contrariam abertamente a mais comum das críticas, a de que o governo federal tem aumentado seus gastos com a folha de pagamento ou com o "inchaço" da máquina.


Em 2002, último ano de FHC, o governo federal gastava 4,8% do PIB (Produto Interno Bruto) com pagamento de pessoal. Em março de 2010, depois da "gastança", do "aparelhamento" e outras imprudências atribuídas ao governo Lula, a folha de pagamento dos servidores consome... 4,8% do PIB. Houve, sim, aumentos salariais e contratações, essenciais para o processo de recomposição do Estado, mas dentro de uma lógica de acompanhamento da arrecadação e do crescimento da economia. Aliás, esses investimentos também funcionam como motivadores do crescimento econômico.


Por outro lado, os programas de transferência de renda, que em 2002 correspondiam a 6,4% do PIB, em março de 2010 saltaram para 9,1% do PIB, o que representa algo em torno de R$ 29,6 bilhões de reais. Esses são os recursos destinados a políticas que demonstram a opção do governo Lula por um modelo de desenvolvimento econômico e principalmente social.


Assim, se a carga tributária fosse simplesmente reduzida, como bradam analistas e empresários, as políticas públicas e sociais estariam entre as mais fortemente atingidas.


Para esses analistas, quando o Estado aplica recursos em programas e projetos para combater a fome, a miséria e diminuir as desigualdades sociais existentes, eles criticam e chamam de política assistencialista. Mas quando o Estado fortalece os bancos públicos, garantindo recursos para os investimentos privados a juros subsidiados por toda a sociedade, aí eles aplaudem.


Outro dado do levantamento desfaz a crença de que o atual governo vem sistematicamente aumentando a carga tributária, enquanto o governo anterior - atualmente na oposição e querendo voltar - era mais comedido. Entre 1998 e 2002, período do segundo mandato FHC, marcado por momentos de forte retração da economia, de desemprego e doação do patrimônio publico, a carga tributária da União subiu 3,32%. Em sete anos de governo Lula, a quantidade de impostos arrecadados pela União subiu 1,02%. Bem menos, e sem vender ou doar nenhuma empresa pública, ao contrário fortaleceu o papel dos bancos públicos, da Petrobrás, da Eletrobrás, etc.


A carga tributária está em torno de 34% do PIB. Mas não se trata de loucura sem paralelo no mundo civilizado, como querem fazer parecer muitos analistas por aí. Essa proporção está na mesma faixa de países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha e muito, muito abaixo de nações com forte estrutura de bem estar social, como Suécia e Dinamarca. Sem os impostos, como investir no papel social do Estado, nas políticas públicas?


O debate correto seria discutir a qualidade dos gastos, as prioridades, o orçamento participativo, e outros instrumentos que garantam que o Estado esteja realmente a serviço da maioria da sociedade.


Para os trabalhadores e trabalhadoras, mais importante que a proporção dos impostos em 2relação ao PIB, é chamar a atenção para quem é mais penalizado. Segundo estudo do economista Amir Khair, famílias que ganham até 2 salários mínimos pagam quase 49% de sua renda mensal em impostos. Já os mais favorecidos, que ganham acima de 30 salários mínimos por mês, comprometem 26,3% de sua renda com impostos. Muito menos.


Então, o desafio é alterar essa lógica perversa e criar um modelo tributário progressivo: quem ganha mais, paga mais. Quem ganha menos, paga menos. Voltaremos ao assunto.

* Artur Henrique, presidente nacional da CUT
Publicado em 15/06/2010

Fonte: CUT


CONTEE


Outras reflexões:

O impostômetro e os impostores

Blog do Miro

Memória: Discurso de Lula na ONU

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou no Debate Geral da 64ª Assembléia Geral das Nações Unidas.
Data: 23/9/2009
Local: Nova Iorque, EUA

Courtesy TerritorioScuola



Logo nos primeiros dias de seu governo, ou foi um pouco antes da posse (não me recordo bem) quando se referiu a um subsecretário dos EUA como sendo o “sub do sub”, Lula mostrou a que veio.Em seu mandato, o mundo precisaria olhar o Brasil com outros olhos e, mais que isso, precisaria ouvir o que tínhamos a dizer. Se muita coisa ainda precisa ser feita nessa terra, para que possamos deixar de ser o “país do futuro” e possamos passar a ser uma nação presentemente soberana, desenvolvida e igualitária, é inegável que muitos passos foram dados nesses sete últimos anos. O fato de o processo de desmoralização política ter alcançado picos nunca antes vistos ou mesmo sonhados, deve-se mais a uma crise de referenciais ético-sociais vivenciados pela humanidade que a ações de indivíduos isolados, embora também o seja. O que quero dizer com isso é que a corrupção, seja ela de que matiz for, não é nova entre a espécie humana, mas a dócil aceitação dela, sim. É o que Hannah Arendt chama de banalização do mal. Com Lula conduzindo nossa não, chegamos a um índice de orgulho nacional que penso, ser sem precedentes, ou, parafraseando-o, “nunca na história desse país” o povo pôde ser tão orgulhoso de ser brasileiro. Não de forma tão palpável. A soberania é uma realidade inquestionável. Nosso lugar na comunidade internacional não é apenas perceptível, mas também audível. Nisso o ministro Celso Amorim merece ser louvado, dada a sua parcela de contribuição. Problemas existem e, com certeza, existirão sempre. Copa do Mundo e Olimpíadas não resolverão nossos problemas. Certamente até nos trarão outros tantos. Mas passos importantes foram dados, no sentido de superarmos nossas desventuras.
Prof. Fernando Nunes

Assim se desmoralizam as Nações Unidas



Publicado em 11/06/2010

Por Emir Sader


A ONU nasceu, no segundo pós-guerrra, para administrar o mundo conforme os interesses e as visões das potências vencedoras na guerra. Embora aparecesse como um instrumento de democratização nas relações políticas internacionais – de que a existência da Assembléia Geral é a expressão mais direta -, ela reproduziu as relações de poder existentes no mundo, ao depositar em um Conselho de Segurança o poder real da organização.


Composto pelos quatro países vencedores da Segunda Guerra como seus membros permanentes, – EUA, Inglaterra, França, Rússia, aos que se acrescentou a China, ao se tornar potência nuclear a normalizar suas relações com os EUA -, que detêm poder de veto – a que basta um voto contra – sobre qualquer decisão que tome a Assembléia Geral.


Significativas são as decisões anuais de fim do bloqueio norteamericano sobre Cuba e de retirada das tropas israelenses dos territórios palestinos, para que se funde um Estado palestino, que são reiteradamente aprovadas por esmagadora maioria, contra o voto dos EUA, de Israel e de algum país exótico, às vezes. Mas basta o poder de veto dos EUA, para inviabilizar sua aprovação.


Sem ir muito longe no tempo, - quando a ONU foi instrumento das potências ocidentais na guerra fria – recordemos apenas que os EUA e a Inglaterra não conseguiram maioria no Conselho de Segurança para invadir o Iraque, com alegações que rapidamente se revelaram falsas.


Ainda assim essas duas potências invadiram, destruíram o Iraque, onde se encontram até hoje, provocando centenas de milhares de mortos. Que punição adotou a ONU em relação a essa tremenda brutalidade, não apenas por ter sido tomada contra a posição da ONU, mas pelos massacres que produziu e segue produzindo, além da destruição de lugares históricos, da mais antiga civilização do mundo? Nem formalmente tomaram decisão alguma de punição.


É agora essa mesma instituição, - que tem no seu Conselho de Segurança, como membros permanentes, com poder de veto, às maiores potências bélicas, aos maiores fabricantes de armamentos do mundo, aqueles que abastecem a todos os conflitos bélicos existentes no mundo, a que se supõe que a ONU deveria tratar de que não existissem ou que os pacificasse -, aprova punições ao Irã sob suspeita de que esse país poderia chegar a fabricar armamento nuclear. Isso, depois dos governos do Brasil e da Turquia terem conseguido do governo do Irã as exigências que as próprias Nações Unidas haviam solicitado.


Uma instituição que nada faz para punir a Israel, que assumidamente possui armamento nuclear – com que ameaça, regularmente, de bombardear o Irã -, que ofereceu esse armamento à Africa do Sul na época dos governos racistas – conforme provas recentes de um livro, que publica documentos que deixam claro esse oferecimento, que ocupa violentamente os territórios palestinos. Não faz e atende as demandas de Israel de que o Irã seja punido.


Uma decisão promovida pela maior potência bélica da história da humanidade, que possui bases militares em mais de 150 países, que foi o único pais que atirou bombas atômicas sobre outro – em Hiroshima e Nagasaki -, matando milhões de pessoas, que tem um histórico de agressões, invasões – como até hoje ocorre também no Afeganistão, com aprovação da ONU -, de golpes militares, de assassinatos de mandatários de países estrangeiros, de guerras, invasões e ocupações de outros países.


Essa instituição, hegemonizada por essa potência, aprovou sanções contra o Irã, depois de deixar impune a todos os atos de agressão militar dos EUA, cujo arsenal de guerra não deixa de se aperfeiçoar e se multiplicar. O que esperar de uma instituição assim, controlada pelas potências que protagonizaram as grandes guerras e seguem com seu papel imperialista, contra a grande maioria dos países do mundo? Por que não submetem essa decisão à Assembléia Geral, para constatar a reação de todos os governos do mundo, vítimas da dominação imperial dessas potências bélicas que, como disse Lula, necessitam inimigos, a quem diabolizar, para tentar evitar que sejam elas mesmas julgadas e condenadas como as maiores responsáveis pelas guerras que ainda assolam o mundo, fomentadas por elas mesmas.




Fonte: Blog do Emir