terça-feira, 29 de maio de 2018

Mostra CineTrabalho The 2018 Brazilian International Labour Film Festival


Programação 2018

Mostra CineTrabalho
The 2018 Brazilian International Labour Film Festival

21 a 25 de Maio de 2018
Espaço Cultural Casa do Lago
UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
Campinas, São Paulo, Brasil
04 a 08 de Junho de 2018
Faculdade de Filosofia e Ciências
UNESP – Universidade Estadual Paulista
Marília, São Paulo, Brasil



Filmes 2018


BILFF-Catalogue2017
A MARCA DE UMA SOCIEDADE LIVRE
Robert Grieves
Reino Unido | 2017 | Animação | 2 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 17H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Esta animação explora o direito humano de formar sindicatos de trabalhadores. Começando com a revolução industrial, onde condições extremas de trabalho causaram muitas mortes, provocando o surgimento dos primeiros sindicatos do mundo.
Première Mundial

BILFF-Catalogue2017
POR CONTA PRÓPRIA – A SEGURANÇA SOCIAL EM MOÇAMBIQUE
Fábio Ribeiro
Moçambique | 2017 | Documentário | 27 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 17H03 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
“Por conta própria – A Segurança Social em Moçambique” é um documentário produzido pela OIT – Organização Internacional do Trabalho sobre a extensão da cobertura da proteção social aos trabalhadores da economia informal em Moçambique.
Première Mundial

BILFF-Catalogue2017
FORA DA CAIXA
Edu MZ Camargo
Brasil | 2017 | Documentário | 15 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 17H30 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Fora da Caixa é sobre a arte de lutar contra moinhos de vento. Uma provocação. E o sabor do ar rarefeito das grandes ideias.

BILFF-Catalogue2017
CUBEMAN
Linda Dombrovszky
Hungria | 2017 | Ficção | 18 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 17H45 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Um homem idoso não consegue aceitar que terá que se aposentar e, então, sua vida toma um rumo dramático quando ele percebe que não poderá terminar o trabalho de sua vida. 

BILFF-Catalogue2017
O RETORNO DE ERKIN
Maria Guskova
Rússia | 2015 | Ficção | 29 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 18H03 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Erkin saiu da prisão e deseja retomar a sua antiga vida, mas tudo mudou e ele não sabe se poderá viver como um homem livre.

BILFF-Catalogue2017
AMA-SAN
Cláudia Varejão
Portugal, Japão, Suíça | 2016 | Documentário | 112 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO | 19H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Um mergulho, a luz do sol do meio-dia atravessa a água a pique. O ar que está nos pulmões terá que chegar até que se consiga arrancar o abalone das rochas do fundo do Oceano Pacifico e, finalmente, subir para respirar outra vez. Sem o auxílio de cilindro de ar ou outra ferramenta que potencie a capacidade de permanecer debaixo d’água, todo o corpo é convocado a atingir o seu limite. Estes mergulhos são dados no Japão há mais de 2000 anos pelas Ama-San, literalmente, mulheres do mar que na cultura japonesa ocupam um lugar especial, sendo reverenciadas e ao mesmo tempo, incompreendidas.
As Ama-San conquistaram o estatuto de colectoras e cuidadoras, questionando não só o papel da mulher na sociedade oriental como a própria natureza feminina. Este filme acompanha o quotidiano de 3 mulheres de idades distintas que há 30 anos mergulham juntas numa pequena vila pescadora da Península de Shima. Rodado entre o silencioso mundo subaquático e a vida rural no exterior, este olhar resulta num retrato único de uma tradição que está em vias de extinção. A média de idades das mulheres que hoje ainda mergulham situa-se entre os 50 e os 85 anos.

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A ARCA
Leo Hyde
Filipinas | 2017 | Documentário | 6 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 16H45 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Quando desastres atingem as Filipinas, Anvic é um dos corajosos primeiros socorristas, deixando sua família para trás e correndo para o olho da tempestade. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público. 

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GUARDIÕES DA CIDADE
Leo Hyde
Itália | 2017 | Documentário | 9 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 16H53 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Enquanto turistas e moradores ainda dormem, Pascale e Emanuele já estão nas ruas para ajudar a manter Siena como uma das cidades mais bonitas do mundo. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público. 

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O PEIXE GRANDE
Leo Hyde
Indonésia | 2017 | Documentário | 7 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 17H02 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Depois de 20 anos de uma fracassada privatização da água, Daskim e seu sindicato ainda não desistiram da luta para trazer o abastecimento de água de volta para as mãos do povo de Jacarta. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.

BILFF-Catalogue2017
FORÇA PARA AS PESSOAS
Leo Hyde
Indonésia | 2017 | Documentário | 9 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 17H10 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Eko é um eletricitário e se orgulha de ser um trabalhador do setor público, pois isso significa que ele trabalha para fornecer um serviço para toda a sociedade. O fato de ser servidor em uma empresa pública de eletricidade faz com que o seu trabalho tenha um senso comunitário e não individualista. Como ativista sindical, Eko tem consciência de que a privatização não é apenas um problema indonésio. É uma questão global que deve ser enfrentada globalmente! O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público. 

BILFF-Catalogue2017
TEM ALGUMA COISA NA ÁGUA
Leo Hyde
Grécia, França | 2016 | Documentário | 17 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 17H20 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Acompanhe a luta dos ativistas e sindicalistas gregos enquanto eles lutam contra a privatização de seus serviços públicos, imposta pela Troika. Produzido pela Internacional de Serviços Públicos, o filme centra-se na luta pela água pública em Salonica (Thessaloniki), onde, apesar de 98,2% dos eleitores optarem por manter o controle público, a Troika continua pressionando pela privatização, com a multinacional francesa Suez pronta para comprar uma parte significativa. No entanto, Yiorgos, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Água local, juntamente com sua ampla coalizão de ativistas e aliados ainda não estão jogando a toalha.

BILFF-Catalogue2017
VOCÊ VERÁ QUE ESTOU CERTO
Saga Gärde
Suécia | 2016 | Documentário | 45 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 17H28 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
O coletivo é a nossa única ferramenta elétrica. Magnus é um motorista de ônibus e um representante do sindicato na garagem de ônibus em Estocolmo, na Suécia. Seu engajamento aumenta à medida que o mercado de trabalho é desregulamentado e o modelo sueco enfraquecido. O que acontece quando o sindicato não garante emprego seguro e condições para viver uma vida digna? O que isso traz para uma sociedade? Dirigindo a noite pela cidade de Estocolmo, Magnus faz um discurso sobre os desafios de hoje quando os sindicatos estão sob ataque.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
CORP.
Pablo Polledri
Argentina | 2016 | Animação | 9 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 19H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Ambição, exploração do trabalho, poluição do meio ambiente, degradação humana, mais-valia, corrupção e muito mais no incrível mundo do livre mercado! 

BILFF-Catalogue2017
CÚMPLICE
Heather White e Lynn Zhang
China, Estados Unidos da América | 2017 | Documentário | 89 minutos
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO | 19H10 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
A China produz 90% dos eletrônicos de uso pessoal de todo o mundo. Segundo dados oficiais, a cada cinco horas, um trabalhador é envenenado pelos produtos químicos tóxicos utilizados na fabricação desses produtos. Mas especialistas afirmam que o número real é muito maior. Filmado sem despertar a atenção, ao longo de três anos, o documentário “Cúmplice” segue o ativista chinês Yi Yeting e outros ativistas que lutam para melhorar as condições nas fábricas. Enquanto luta contra sua própria leucemia induzida pelo trabalho, Yi Yeting ensina direito trabalhista a si mesmo para preparar uma contestação legal contra seus antigos empregadores. Além de enfrentar funcionários corruptos, os ativistas se infiltram em fábricas que fabricam produtos para algumas das maiores marcas do mundo, como a Apple, para conseguirem provas de condições de trabalho perigosas.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
MARIAS
Edem Ortegal
Brasil | 2017 | Ficção | 15 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 16H45 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
O Brasil ainda é uma colônia de exploração governada por escravocratas. Hoje é mais um dia de trabalho em que as Marias sonham com a liberdade, mas perdem a infância.

BILFF-Catalogue2017
MONICA
Dimitris Argyriou
Alemanha, grécia | 2016 | Ficção | 5 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Monica queria ser cabeleireira quando era jovem. As coisas deram errado… e esta é a sua história. (Baseado em uma entrevista real com uma vítima do tráfico de mulheres). 

BILFF-Catalogue2017
CARMEN
Natalia Preston
Espanha | 2017 | Documentário | 16 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H06 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Sacrifício, uma história de amor, saudade e uma vida difícil longe de casa: Carmen é um retrato pungente e sincero de uma mulher que segue seu coração da Venezuela até Madri, na Espanha, mas encontra uma dura realidade. O homem que ela seguiu se foi e seus dias são longos, solitários e difíceis. Ela ganha a vida cantando nas estações de metrô de Madri, onde o subterrâneo urbano se torna seu mundo, e a música da Venezuela continua sendo sua fiel companheira. Carmen compartilha a esperança e suas canções, que ela canta com as pessoas que passam por ela no metrô. As músicas a transportam de volta para as memórias de seus filhos, o amor inatingível e uma vida deixada para trás, na Venezuela. Apesar das dificuldades e mágoas, ela está conectada às pessoas através da música e do amor que ela sente através da música, que lhe dá força e dignidade e a motiva para tentar ser um exemplo e uma embaixadora da humanidade para aqueles ao seu redor.
Première Brasileira

BILFF-Catalogue2017
UM MINUTINHO
Javier Macipe
Espanha | 2016 | Ficção | 8 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H23 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Maria passa os dias tentando conseguir assinaturas para mudar uma lei que ela considera injusta, mas ninguém tem um minuto para ouvi-la. Quando ela começa a ficar desesperada ela conhece Alejandro, que tem um presente para ela.


BILFF-Catalogue2017
M.A.M.O.N. (MONITOR AGAINST MEXICANS OVER NATIONWIDE)
Alejandro Damiani
Uruguai, México | 2016 | Animação | 5 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H32 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Enquanto Trump é submetido a uma cirurgia, um portal se abre para uma outra realidade. Os latinos residentes nos Estados Unidos se veem transportados ao deserto na fronteira, dividido por um muro. Ali se desenvolve uma batalha épica entre um robô mecha, controlado por Trump, e vários mexicanos estereotipados.

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SOLIDARIEDADE ATRAVÉS DAS FRONTEIRAS
Leo Hyde
Líbano | 2017 | Documentário | 7 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H38 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Depois que os refugiados sírios fogem da guerra eles se estabelecem na comunidade de Georges, no Líbano. Ele e seu sindicato trabalham para garantir que todos tenham acesso a água potável segura e saneamento. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.


BILFF-Catalogue2017
SONS E SILÊNCIO
Leo Hyde
Itália | 2017 | Documentário | 8 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 17H46 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Arabella nos dá uma visão sobre a paciência e a sensibilidade, necessárias para ajudar a desenvolver os mais novos membros da sociedade. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.


BILFF-Catalogue2017
DOUTOR ATIVISTA
Leo Hyde
Chade | 2017 | Documentário | 8 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Depois de ajudar a condenar o ex-ditador do Chade pelos crimes de guerra cometidos, Dr. Younous mantém a luta pelos direitos sindicais e assistência médica para todos, em um dos regimes mais repressivos da África. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.


BILFF-Catalogue2017
INTACTO
Johannes Bachmann
Suíça | 2017 | Ficção | 14 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H09 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Bruno trabalha em uma fábrica com uma máquina que repete a mesma sequência a cada quatro segundos. Sua vida cotidiana monótona de repente sai da linha quando seu filho aparece na fábrica para trabalhar ao seu lado. Bruno luta para que seu filho tome um caminho diferente na vida.


BILFF-Catalogue2017
16 SEMANAS
Carlota Coronado
Espanha | 2017 | Ficção | 5 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H25 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Vanessa é a candidata perfeita para a vaga, mas…

BILFF-Catalogue2017
TODOS OS DIAS
Philippe Orreindy
França | 2017 | Ficção | 14 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H31 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Françoise é diretora de uma empresa. Ela está sob a perversa pressão psicológica de seu superior, mas é real ou seria apenas uma alucinação causada por sua angústia?

BILFF-Catalogue2017
TERRAFORM
Sil van der Woerd e Jorik Dozy
Reino Unido, Holanda, Indonésia, Singapura | 2017 | Documentário | 5 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H46 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
“Terraform” conta a história real das dificuldades e sacrifícios que fazem os trabalhadores das minas de enxofre de KawahIjen (Indonésia) para manterem suas famílias. 

BILFF-Catalogue2017
CEREST CAMPINAS – 30 ANOS DE HISTÓRIA
Tomas May e Michel Belletatti
Brasil | 2017 | Documentário | 18 minutos
QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO | 19H52 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
O CEREST Campinas (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Campinas) completou 30 anos de serviços em saúde do trabalhador. O documentário apresenta entrevistas com ex- e também atuais servidores públicos, de diferentes áreas da saúde, que construbuíram para a construção dos 30 anos de história da instituição, abordando, em paralelo, o desenvolvimento dos direitos e das políticas públicas de Saúde do Trabalhador no Brasil.

BILFF-Catalogue2017
JUSTIÇA, UM SERVIÇO PÚBLICO
Leo Hyde
Chade | 2017 | Documentário | 7 minutos
QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO | 16H45 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Como assistente jurídica pública para vítimas de estupro e abuso no Chade, Demba usa a lei para combater as injustiças – enquanto luta para manter sua esperança. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público. 

BILFF-Catalogue2017
A CORREÇÃO
Leo Hyde
Estados Unidos da America | 2017 | Documentário | 10 minutos
QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO | 16H53 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Diante da opinião pública, Chelsea destaca as qualidades humanas e o cuidado com os outros necessários para seu trabalho como agente penitenciária. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público. 

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PERFILADOS
Kathleen Foster
Estados Unidos da America | 2016 | Documentário | 52 minutos
QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO | 17H05 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
“Perfilados” combina as histórias de mães de jovens negros e latinos desarmados, que foram assassinados por policiais da cidade de Nova York, em uma poderosa denúncia de discriminação racial e brutalidade policial, colocando-os dentro do contexto histórico das raízes do racismo nos Estados Unidos.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
A MARCHA DAS MULHERES DO CHADE
Leo Hyde
Chade | 2017 | Documentário | 5 minutos
QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO | 19H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Siga a luta de Adjoujiu para organizar a primeira Marcha das Mulheres do Chade – pelos direitos dos trabalhadores, em face de um regime opressivo. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.


BILFF-Catalogue2017
UM SENTIMENTO MAIOR QUE O AMOR
Mary Jirmanus Saba
Líbano | 2017 | Documentário | 93 minutos
QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO | 19H06 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Em sua estreia como diretora, Mary Jirmanus Saba aborda uma revolução esquecida, salvando do esquecimento duas greves sangrentas em fábricas libanesas de tabaco e chocolate. Esses eventos da década de 1970, que realizaram a promessa de uma revolução popular e, com ela, da emancipação das mulheres, foram apagados da memória coletiva pela guerra civil do país (1975-1990). O documentário é rico em imagens de arquivo da tradição militante do cinema libanês, reconstruindo o espírito dessa revolta e perguntando ao passado como podemos transformar o presente.


BILFF-Catalogue2017
NÃO FAÇA RODEIOS
Luisde Céspedes e Andrés Cámara
Espanha | 2017 | Ficção | 3 minutos
SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO | 16H45 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Enquanto a crise castiga severamente os setores mais pobres da sociedade, Dolores e Manuel acreditam ter encontrado uma saída. Talvez, não seja a correta, mas é melhor… que não faça rodeios. Se pode acostumar a tudo… menos a ficar sem comer.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
GERAÇÃO À DERIVA
Stella Nikoletta Drossa
Grécia, Alemanha | 2017 | Documentário | 91 minutos
SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO | 16H50 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Um grupo de cinco jovens mulheres, filhas de imigrantes gregos na Alemanha, voltou a estudar na terra natal de seus pais. Em meio a uma sociedade que se desfaz devido à crise econômica, as mulheres estão tentando construir sua existência. Mas a crise não poupa ninguém. Nem a psicóloga nem a engenheira civil, nem menos a diretora que mora em Berlim e que, repentinamente, acaba vendo a si mesma no meio da realidade grega.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
OURO NAS CINZAS
Magali Roucaut
França | 2018 | Documentário | 24 minutos
SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO | 19H00 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Um ex-funcionário retorna, repetidamente, à fábrica abandonada em que ele trabalhou durante anos. Ao observá-lo através do seu estranho ritual nas roupas de trabalho que ele costumava usar, seguimos o caminho labiríntico de suas memórias.
Première Mundial

BILFF-Catalogue2017
O NÓ DA CANA TAMBÉM DÁ GARAPA
Marco Escrivão
Brasil | 2017 | Documentário | 22 minutos
SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO | 19H25 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
Um filme de andanças e memórias. Através dos causos e prosas de Helvio Tamoio, O Nó Da Cana Também Dá Garapa percorre a história da Usina Tamoio no interior do Estado de São Paulo: a monocultura canavieira, o desenvolvimentismo desenfreado e os trabalhadores expulsos de sua terra natal.
Première Mundial

BILFF-Catalogue2017
OCUPAR, RESISTIR, PRODUZIR – RIMAFLOW
Dario Azzellini e Oliver Ressler
Itália | 2014 | Documentário | 34 minutos
SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO | 19H50 | Espaço Cultural Casa do Lago – UNICAMP | CAMPINAS
A Maflow, uma produtora multinacional de autopeças sediada em Milão, fechou suas instalações de produção em 2009, com a proprietária Italian Lifestyle Partners enfrentando acusações de fraude judicial. Os funcionários começaram uma luta para reabrir a fábrica sob o controle dos próprios trabalhadores. Em 2013, eles ocuparam a fábrica e, desde então, 20 trabalhadores participam em tempo integral do projeto, reinventando-se completamente a si mesmos e também a fábrica, que eles renomearam RiMaflow. Aplicando o conceito de uma “fábrica aberta”, os trabalhadores começaram a reciclar computadores e dispositivos eletrônicos domésticos, abriram um bar e lanchonete e organizaram um mercado de pulgas, além de atividades culturais com a comunidade local. Eles também construíram alianças com produtores agrícolas orgânicos locais, criando um grupo para compras solidárias.


BILFF-Catalogue2017
JUSTA CAUSA
Carol Silvério
Brasil | 2017 | Ficção | 2 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO | 18H00 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Sobre as Justas Causas tão injustas, sobre as causas mais que justas das mulheres, um curta sobre mulheres e para mulheres.
Première Mundial

BILFF-Catalogue2017
AS DUAS FACES DA REALIDADE
Adriano Gomez
Brasil | 2018 | Ficção | 7 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO | 18H03 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Uma equipe de reportagem absorve de maneira explicita, as opiniões divergentes de uma empregada doméstica e de sua patroa sobre a rotina do dia-a-dia.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
MULHERES DE FOGO
Vinicius Meireles
Brasil | 2017 | Documentário | 13 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO | 18H11 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Histórias de vida de bravas mulheres e sua luta pela terra. Ambientado no Assentamento Chico Mendes III, nas cidades de São Lourenço da Mata e Paudalho, em Pernambuco.


BILFF-Catalogue2017
NOVAS UNIDADES
Edgar García Carballo
Espanha | 2016 | Ficção | 8 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO | 18H25 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Um grupo de pessoas compete por uma vaga de trabalho muito disputada, através de um estranho processo de seleção do Conselho Municipal. Os responsáveis pelo processo divulgarão os resultados, mas também os segredos que esconde essa convocatória.


BILFF-Catalogue2017
KAPITALISTIS
Pablo Muñoz Gómez
França, Bélgica | 2017 | Ficção | 14 minutos
SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO | 18H34 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
“Papai Noel é um capitalista. Traz brinquedos para as crianças ricas e moletom para os pobres”. ­Nikos, 5 anos.


BILFF-Catalogue2017
O FUNCIONÁRIO DO MÊS
Caroline Schwarz
Alemanha | 2017 | Ficção | 12 minutos
TERÇA-FEIRA, 05 DE JUNHO | 18H00 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Dois atores, em quatro papéis, atuam e refletem sobre o foco subjacente do filme, a saber: rotina. No processo de modernidade, as pessoas estão menos envolvidas como indivíduos em conflitos e mais como representantes de um sistema. Usando da improvisação, o pseudo documentário desenvolve sua narrativa através da troca de papéis, entrevistas e um mundo abstrato para mostrar, humoristicamente, como princípios nutridos e hierarquias predispostas se apresentam como autodisciplina dentro dos indivíduos.


BILFF-Catalogue2017
163 DIAS. A GREVE DE BANDAS
Larraitz Zuazo
Espanha | 2017 | Documentário | 68 minutos
TERÇA-FEIRA, 05 DE JUNHO | 18H13 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Em 1966, 800 trabalhadores da empresa “Laminación de Bandas en Frio”, em Bizkaia, protagonizaram a greve mais longa durante o franquismo. Em um momento histórico convulsionado dentro do marco de uma crescente organização operária e sentimento antifranquista, centenas de famílias e vizinhos de Etxebarri, Basauri e Otxarkoaga começaram um luta que acabaria sendo exemplo para todo o movimento operário que viria depois.


BILFF-Catalogue2017
VERONA, A HISTÓRIA DO MASSACRE DE EVERETT
Denise Ohio
Estados Unidos da America | 2017 | Documentário | 95 minutos
QUARTA-FEIRA, 06 DE JUNHO | 18H00 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
“Verona: A história do Massacre de Everett” mistura entrevistas, documentos nunca antes vistos, relatos em primeira mão e perícias para desvendar a história de uma luta pela liberdade de expressão em Everett, Estado de Washington, nos Estados Unidos, que deixou 7 mortos em 5 de novembro de 1916. Com um estilo parecido com Ken Burns e Steve James, Verona se concentra nas pessoas envolvidas na violência que acontece quando aqueles que não têm nada desafiam aqueles que têm tudo.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
OUTRO FOGO
Guilherme Moura Fagundes
Brasil | 2017 | Documentário | 21 minutos
QUINTA-FEIRA, 07 DE JUNHO | 18H00 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Um registro sensorial das relações de afinidade e inimizade com o fogo na conservação do bioma Cerrado. Na companhia de moradores locais contratados para atuarem como brigadistas e, mais recentemente, como agentes de manejo, o curta-metragem explora os afetos estabelecidos com o fogo em meio às pirofobias do combate e às pirofilias do manejo. Além de documentar a luta contra incêndios e as técnicas de manipulação, o experimento cinematográfico aponta para uma antropologia visual mais que humana, onde forças ambientais como o calor, a vegetação e o vento compõem uma alteridade cuja condição permanece ambígua.
Première Brasileira

BILFF-Catalogue2017
OS HOMENS EM VIGÍLIA
Diane Sorin
França | 2016 | Documentário | 80 minutos
QUINTA-FEIRA, 07 DE JUNHO | 18H22 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
“Os homens em vigília” é uma imersão completa com os trabalhadores da sociedade SFVP (Serviços Funerários de Paris) encarregados de prepararem e, depois, transportarem os cadáveres, na cidade. Intervindo em quaisquer circunstâncias, noites e dias, eles carregam, continuamente, a morte bruta e comum.
Première Sul-Americana

BILFF-Catalogue2017
MAMA CHI
Leo Hyde
Filipinas | 2017 | Documentário | 4 minutos
SEXTA-FEIRA, 08 DE JUNHO | 18H00 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Chi Chi, uma parteira filipina, compartilha sua alegria de trabalhar para trazer nova vida à sua comunidade local. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.


BILFF-Catalogue2017
TOMASITO
Ignacio F. Rodó e Sergio Arróspide
Espanha | 2017 | Ficção | 12 minutos
SEXTA-FEIRA, 08 DE JUNHO | 18H05 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Despedir uma pessoa é uma tarefa fácil. A não ser que ela tenha doze anos de empresa, tenha um currículo impecável e se chame Tomasito.


BILFF-Catalogue2017
TARTARUS
Cássio Domingos
Brasil | 2016 | Ficção | 15 minutos
SEXTA-FEIRA, 08 DE JUNHO | 18H18 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Um grupo de mulheres é submetido, em uma confecção de roupas clandestina, ao trabalho escravo contemporâneo.


BILFF-Catalogue2017
CINECLUBISMO NA BF
Carol Vilamaro
Brasil | 2018 | Documentário | 21 minutos
SEXTA-FEIRA, 08 DE JUNHO | 18H33 | Auditório 1 (Sala 64) – UNESP | MARÍLIA
Na Baixada Fluminense, coletivos culturais independentes iniciaram um movimento cineclubista que leva o cinema até o espectador. Há mais de dez anos atuando no território, esses Cineclubes tem um papel fundamental na construção social das regiões periféricas e abrem o debate para transformação do cotidiano nessas cidades. O documentário mostra a atuação de seis dos principais Cineclubes da Baixada Fluminense: Cineclube Mate com Angu, de Caxias; Cineclube Buraco do Getúlio, de Nova Iguaçu; Cineclube Donana, de Belford Roxo; Cineclube Cinema de Guerrilha, de São João de Meriti; Cineclube Xuxu com Xis, de Austin e Facção Feminista Cineclube, de Caxias.
Os Cineclubes levam os filmes para as praças, bares, escolas e onde mais tiver espaço para exibir. Promover Cineclubes é preservar a possibilidade do encontro, da identificação com o outro e o prazer de compartilhar e motivar pessoas.



Locais


Espaço Cultural Casa do Lago

UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
Av. Érico Veríssimo, 1011 – Cidade Universitária Zeferino Vaz
Barão Geraldo, Campinas-SP
13083-851


Auditório 1 (Sala 64)

UNESP – Universidade Estadual Paulista
Av. Hygino Muzzi Filho, 737
Marília-SP
17525-000

quarta-feira, 23 de maio de 2018

'Está na hora dos jornalistas deixarem as redações'

Escrito por: Redação
Fonte: Jornalistas Livres

Edwy Plenel, fundador de Mediapart, o jornal independente online da França, defende um novo ecossistema democrático para acompanhar a revolução tecnológica e fortalecer o direito ao saber dos cidadãos
Há cinquenta anos, um movimento popular, operário e estudantil de denúncia da autoridade e defesa da liberdade de expressão expandiu-se no mundo inteiro. Na França, onde teve ampla repercussão, nasceu o célebre slogan “É proibido proibir”. Era a época das utopias concretas em plena guerra no Vietnã.

Para comemorar o cinquentenário desse movimento que ainda hoje destaca-se como um dos maiores desde o fim da Segunda Guerra mundial, o consulado da França no Rio de Janeiro promoveu uma série de atividades sobre a censura e a liberdade de expressão. Entre os convidados, o jornalista Edwy Plenel, ex-diretor no jornal Le Monde e fundador, em 2008, de Mediapart, um jornal independente online, participativo e 100% FINANCIADO por cerca de 140 mil assinantes. Na sede da Aliança Francesa do Rio de Janeiro, ele concedeu entrevista à ativista francesa da democratização da mídia e residente no Brasil, Florence Poznanski, para os Jornalistas Livres. Plenel luta por um jornalismo independente capaz de cumprir sua função social e fornecer à sociedade as ferramentas para exercitar plenamente sua cidadania. Um jornalismo que não olhe a sociedade do alto, mas que deixe todas as vozes se expressarem.

Independentemente das bolhas, dos algoritmos e da nefasta cultura da gratuidade na Internet, ele continua um entusiasta das possibilidades que o sistema digital permite para investigar e produzir a custo baixo informações de alta qualidade que não se encontram na mídia de massa, atrelada aos interesses dos monopólios. Cruzando os olhares entre o Brasil e a Europa, ele faz um rápido balanço sobre o papel da mídia na construção do golpe no Brasil e manda um recado desafiador para os jornalistas brasileiros: “Não está na hora de deixarem suas redações para fundar um jornal verdadeiramente independente? Se não o fizermos, se os jornalistas não mostrarem seu compromisso democrático, se não defenderem seus ideais profissionais, não há razão para o público confiar em nós”. Confira a entrevista:

Florence Poznanski: O que significa para você, vir ao Brasil nesse período para falar sobre censura?

Edwy Plenel: A censura hoje se disfarça de liberdade de comércio, liberdade de empreendimento, liberdade de transmitir opiniões. Ela assume a forma de mídia controlada por patrões que defendem seus interesses e se asseguram que as informações que os incomodam não apareçam. Ela está nas redes sociais onde existem algoritmos que trabalham com publicidade e que transforma você em uma mercadoria que, por um lado, utilizam seus dados pessoais e, por outro lado, lhe enviam opiniões apenas e não informações que podem incomodá-la. Eu nunca venho a um país estrangeiro como um doador de lições. Na França, há dez bilionários que controlam a maioria dos meios de comunicação privados. E eles os controlam não para nos impedir de fazer o nosso trabalho, mas para evitar que esses meios perturbem seus interesses e para que não possamos mudar a ordem das coisas. Temos de lutar hoje por um novo ecossistema democrático, podemos chamar isso de revolução, de refundação, de reforma radical, para acompanhar a revolução tecnológica, regular e defender os direitos dos jornalistas, impedir situações de monopólio e fortalecer o ‘direito ao saber’ dos cidadãos. O direito fundamental de saber o que é do interesse público e o que os poderes políticos e
econômicos escondem.

“ESSES BILIONÁRIOS CONTROLAM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PARA QUE NÃO PERTURBEM SEUS INTERESSES E QUE NÃO POSSAMOS MUDAR A ORDEM DAS COISAS”

FP – Aqui no Brasil estamos em uma situação de monopólio que controla mais de 90% dos meios de comunicação. A mídia pública é muito fraca e as iniciativas regulatórias sempre foram reprimidas. Quando falamos de regulação para esses meios, eles chamam isso de censura. Na Argentina, a “ley de médios” foi aprovada e a Clarin está empenhada em acabar com essa lei desde então. Parece-me que na América Latina esses monopólios têm muito mais poder. Você acha que temos as mesmas armas que a Europa para chegarmos lá?

EP – Nós não podemos ser a favor dos monopólios, devemos necessariamente ter leis anti-concentração. O monopólio é como o fim das espécies vivas, não podemos querer preservar espécies ameaçadas e ser a favor dos monopólios. O monopólio é a morte. “Regulação não é um palavrão. O monopólio é como o fim das espécies vivas, o monopólio é a morte”. Na Europa, temos um mínimo de regulamentação. Não é a lei da selva. Não podemos aceitar que um setor tão importante quanto a informação seja simplesmente o reino dos mais fortes e poderosos. Você precisa de regras. Essas regras devem ser democraticamente discutidas e deliberadas. E o poder estatal não deve se considerar o fiador. Porque existe o risco de que seja usado a serviço do poder político do momento. Essas regras devem ser a favor da independência profissional e da pluralidade do jornalismo, da diversidade das redações. Falar de regulação não é absolutamente um palavrão. Deve-se regular os monopólios privados e também o poder estatal. Na França, temos uma mídia pública paga pelos impostos porque ela é a serviço do bem comum. Mas este serviço público deve ser independente em sua gestão, não pode depender do poder político.

FP – Aqui, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) foi recentemente transformada em uma agência estatal. Este é um exemplo concreto do que o Estado pode fazer para controlar informações.

EP – Pois é. Ademais, em relação à mídia privada, disposições que defendam a independência das redações são fundamentais. Os jornalistas não são objetos, bens, propriedades daqueles que possuem esses meios, e os jornalistas precisam lutar pela integridade de seu trabalho.

FP – Nesse contexto, muitos jornalistas no Brasil estão revoltados com a linha editorial dos meios de comunicação de massa, mas as alternativas do jornalismo independente permanecem frágeis.

EP – Reconhecer isso é uma coisa. Mas o melhor para os profissionais da informação é mostrar que existe uma alternativa, que ela está na criação de uma mídia independente e de fazê-la funcionar. O Brasil é um país muito grande, muito conectado e existem varias iniciativas na mídia alternativa que estão sendo criadas. Acredito que os profissionais que observam a situação do país, a maneira pela qual o caso jurídico em volta do Lula serve para desacreditar o campo progressista e servir os interesses econômicos dominantes, são perfeitamente capazes de enxergar o que a sociedade precisa saber para reagir. Eu venho de um jornal totalmente digital. E minha mensagem é que é preciso parar de se lamentar, bater a cabeça contra as paredes. Temos que comprovar que existem alternativas, que podemos produzir jornais profissionais independentes que funcionam e não dependem de nenhum poder econômico porque só vivem com o apoio de seus leitores. A experiência de Mediapart é reproduzível em outros lugares. E este é o chamado que faço todas as vezes aos jornalistas que reclamam da mídia tradicional. Eu falo para eles: arrisquem, procurem aproximar-se do público, procurem o apoio dele e vocês verão que isso pode funcionar. É preciso dar-se as condições para fazer um grande jornal digital brasileiro.

FP – Qual a sua opinião sobre o papel da mídia na construção do golpe no Brasil?

EP – Eu não tenho conhecimento suficiente para dizer coisas específicas. Vi como todo mundo que durante seus anos de poder o PT não saiu ileso. Existem fatos reais e o jornalismo investigativo comprova isso. Não se pode dizer que são calúnias, há atos e fatos reais que não correspondem aos princípios e ideais do PT. E, ao mesmo tempo, não podemos acreditar na fábula de que seria o maior caso de corrupção da história do Brasil, na medida em que são os próprios corruptos que afirmam isso e que instrumentalizam amplamente o sistema penal. A Justiça deve ser capaz de agir de forma independente e não deve ser usada para solução política.

Também vi, como todo mundo, a mídia dominante que não dá voz à sociedade, não mostra o que está acontecendo na sociedade. Eles olham de cima para a sociedade. Também existe isso na França, não quero dar lições de fora (nos subúrbios, com os migrantes). Há sempre esse olhar de cima. Na França, por exemplo, os movimentos de solidariedade com os migrantes têm dificuldade em estar presentes nos meios de comunicação de massa. Basta alguns incidentes violentos em uma manifestação para que se fale apenas disso e não da razão da mobilização. Bairros populares são descritos como o inferno, lugares de perigo, enquanto há uma grande vitalidade que sempre passa despercebida.

“A MÍDIA DOMINANTE NÃO DÁ VOZ À SOCIEDADE, NÃO MOSTRA O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA SOCIEDADE. ELES OLHAM DE CIMA PARA A SOCIEDADE”

FP – Você fala da oportunidade do digital para superar os monopólios, mas a Internet é um espaço ainda mais monopolizado do que o sistema de mídia.

EP – Existem problemas reais sobre a neutralidade digital, um debate para que a Internet não se torne propriedade de operadores privados e para que possamos sempre transmitir nosso conhecimento. O escândalo Facebook/Cambrige Analitica mostrou como a publicidade gratuita é prejudicial à informação e como toda a imprensa é cúmplice disso. Esta publicidade gratuita corrompe a informação livre e valiosa. Nesta arena é preciso lutar, especialmente pela regulação desta arena. Médiapart é totalmente digital e isso é a sua força. Nós usamos as armas democráticas do digital.

Pegando o contraponto dessa gratuidade publicitaria, eu falo de gratuidade democrática que são nossos programas de TV, que são universidades populares e ajudam na transmissão do conhecimento. E isso não custa muito. Hoje existe o financiamento coletivo, por exemplo, que nós não tínhamos quando criamos o Médiapart. O principal fator que trava o debate público é o reinado das opiniões. E com essas opiniões tudo se torna relativo e não há mais verdade. Nós devemos liderar este debate sobre a verdade. Eu ainda temo esse aspecto da crítica da mídia que só trabalha com críticas políticas. Na minha jornada de 40 anos de jornalismo, tanto sob governos de esquerda quanto de direita, entendi muito bem que não basta acreditar que se pensa politicamente correto para informar a verdade. Você tem que fazer este trabalho de informação e você tem que lutar.

“O PRINCIPAL FATOR QUE TRAVA O DEBATE PÚBLICO É O REINADO DAS OPINIÕES. EM 40 ANOS DE JORNALISMO, ENTENDI MUITO BEM QUE NÃO BASTA ACREDITAR QUE SE PENSA POLITICAMENTE CORRETO PARA INFORMAR A VERDADE”

FP – No Brasil, várias iniciativas de mídia digital surgiram nos últimos anos, algumas com orientação ideológica e outras comprometidas com a independência editorial. Mas estudos sobre o comportamento da mídia na sociedade mostram que o nível de confiança na mídia online permanece muito baixo em comparação com a televisão e a imprensa tradicional. Como superar esse dilema diante de um público que muitas vezes prioriza o entretenimento frente ao interesse geral?

EP – Reconquistar a confiança do público significa defender o valor da informação. Temos que provar que o jornalismo é útil por causa da qualidade, da originalidade e da necessidade de sua informação. E, em contrapartida, devemos convencer o público de que esse trabalho tem um preço, o preço do jornalismo independente a serviço exclusivo do direito de saber dos cidadãos. Em outras palavras, é uma batalha que devemos peitar contra o reino do entretenimento, da opinião e do Ibope. Se não o fizermos, se os jornalistas não mostrarem seu compromisso democrático, se não defenderem seus ideais profissionais, não há razão para o público confiar em nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Golpes de Estado midiáticos nasceram na Venezuela, assegura Ramonet


Escrito por: Nicholas Valdés, para Prensa Latina
Fonte: Carta Maior

Jornalista alertou para o fato de a direita estar tentando, nestes últimos meses, aproveitar a crise econômica mundial para voltar com métodos diferentes

O conhecido jornalista espanhol Ignacio Ramonet afirmou nesta segunda-feira que foi na Venezuela que aconteceu o primeiro golpe de Estado midiático da história, e que o fato obriga a refletir sobre como utilizar os meios de comunicação no mundo de hoje.
 
No dia 11 de abril de 2002, há 14 anos portanto, houve uma tentativa de derrubar o então presidente Hugo Chávez, o que foi possível, durante algumas horas, especialmente graças ao papel dos meios de comunicação nos eventos que o propiciaram, declarou Ramonet, em entrevista para Prensa Latina, durante o encontro Venezuela en la Encrucijada (“Venezuela na Encruzilhada”), organizado pela Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade.
 
Ramonet, que é diretor da versão em espanhol da publicação Le Monde Diplomatique, disse também que essa é a razão pela qual a Venezuela é também o país onde mais se reflete e debate sobre como os meios dominantes manipulam a população.
 
A comunicação de massas tem uma inegável importância para esse quadro, mas isso está atrelado à forma como a mensagem é trabalhada. Segundo o jornalista, “não basta ter muitos veículos para ser eficaz na tarefa de difundir ideias, já que quando um sistema é repetitivo demais pode produzir um resultado contrário ao que busca, ou seja, rejeição por parte da audiência”.
 
Ramonet deu como exemplo o caso da Argentina, onde Nestor Kirchner chegou à presidência apesar da vontade contrária da imprensa privada dominante, liderada pelo Grupo Clarín.
 
Desde então, a Argentina viu o crescimento de meios públicos muito importantes na última década, além da criação de significativas redes comunitárias. “Apesar de tudo isso, paradoxalmente, a direita se impôs nas últimas eleições presidenciais”, lembrou Ramonet.
 
O analista explicou que a razão da vitória de Macri em 2015 está, provavelmente, na elaboração da mensagem: “nos acomodamos com a ideia de que temos muitos veículos e que vamos conseguir algo com eles. Mas essa não é a fórmula, é preciso emitir um discurso bem elaborado”.
 
O jornalista alertou para o fato de a direita está tentando, nestes últimos meses, aproveitar a crise econômica mundial para regressar com métodos diferentes.
 
“Estamos observando no Brasil, onde se tenta dar um golpe de Estado judicial contra o governo de Dilma Rousseff, e também na Venezuela, onde a maioria opositora da Assembleia Nacional quer impor leis que, na verdade, não estão previstas pela Constituição”, explicou Ramonet.
 
Horas depois, num encontro internacional da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, Ramonet falou com a reportagem do canal estatal venezuelano VTV, e afirmou que, nos últimos meses, a ultradireita, em todo o mundo, vem aproveitando a crise econômica global para reinstalar velhos procedimentos, visando atacar a institucionalidade das nações. Ele agregou que “eles (os representantes da nova direita) tentam criar debates que já não são tão frontais como os de 11 de abril de 2002, mas que buscam o mesmo objetivo: frear a experiência progressista na América Latina, porque ela joga contra os grandes interesses das oligarquias”.
 
O autor do livro Cien horas con Fidel (“Cem horas com Fidel”), citou o líder da Revolução Cubana, quem, na sua opinião, sempre teve clara a importância de trabalhar corretamente as mensagens dirigidas às massas.
 
“Há alguns anos, em Havana, num encontro que eu acompanhei, Fidel fez um alerta sobre o tema a um grupo de intelectuais: `é importante fazer com que as pessoas conheçam a nossa verdade´, e essa reflexão deve ser retomada na atualidade com muita força. Porém, os meios de comunicação são somente uma parte desse esforço, a diferença está nos conteúdos”, concluiu.
 
Tradução: Victor Farinelli
   

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Lançamento do Filme "Sobrevida" em Belo Horizonte


“Sobrevida" foi filmado em Belo Horizonte e se desenvolve a partir de uma pergunta: como uma pessoa que sobreviveu a um desastre aéreo que matou todos os outros passageiros passaria a viver?

O filme levanta questões sobre a natureza humana, particularmente sobre o tênue limiar entre crença e fanatismo.

Com cuidadosa preparação estética, ele conta uma história com uma forte carga dramática que explora uma rara mas significante experiência.

Lançamento:
Dia 26 de abril, quinta-feira, às 18h no Cine Santa Tereza, Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza, Belo Horizonte-MG.
 
Sobrevida foi exibido nos festivais Global Golden Frames Film Fest, Caribbean Film Festival & Market ( semi-finalista), Youth Arlington International Film Festival e está sendo considerado para o Samawa Cinema Survival, Open Everything Film Festival, Mostra Cinema Taranto, San Mauro Film Festival.

Com o apoio do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) de Minas Gerais, Sobrevida será exibido na quinta-feira, 26 de abril, no Cine MIS Santa Tereza, em Belo Horizonte.



O evento é gratuito e aberto ao público.
Confirme participação pelo Facebook
https://fb.me/EstreiaSobrevida

Data: 26 de abril, quinta-feira, às 18h 
Cine Santa Tereza
Rua Estrela do Sul, 89 -  Bairro Santa Tereza
Belo Horizonte - MG



Sobrevida foi escrito e dirigido por João Lobato, autor de 7 livros, ex-jornalista da Folha de São Paulo e mestre em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Cambridge. Lobato dirigiu e escreveu Made in Myanmar (2017), um documentário sobre a indústria cinematográfica na antiga Birmânia e roteirizou A Doutrinação (2005), um curta baseado em um conto seu publicado em 2003.

Roteiro e Direção: João Lobato
Direção de fotografia: Carioca da Clara
64 minutos



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Do agronegócio ao mercado imobiliário: conheça os outros negócios dos donos da mídia


Pesquisa inédita revela gravidade da concentração midiática no Brasil; país tem o pior cenário entre 11 estudados

Por Pedro Rafael Vilela - Brasil de Fato


Os proprietários dos principais grupos de mídia do país, além de concentrarem em poucas mãos os veículos de comunicação de maior audiência, também têm negócios em diversos outros setores da economia, como agronegócio, mercado imobiliário, mercado financeiro, entre outros. É o que revela uma pesquisa inédita, conduzida pela ONG Repórteres Sem Fronteiras e pelo Coletivo Intervozes, sobre a gravidade da concentração midiática no Brasil.
Trata-se de uma pesquisa já realizada em outros 11 países, baseada em uma mesma metodologia desenvolvida pelo Monitor sobre Propriedade da Mídia (MOM, na sigla em inglês), projeto vinculado à União Europeia. O MOM-Brasil tem o objetivo de mapear os veículos de maior audiência — que têm maior potencial de influenciar a opinião pública — e os grupos que os controlam. Com base nisso, produz indicadores sobre o pluralismo de ideias e a independência da mídia, incluindo medições sobre concentração de audiência e de propriedade.
No caso do Brasil, os resultados mostram, por exemplo, que quatro principais grupos de mídia concentram uma audiência nacional exorbitante, que ultrapassa 70% no caso da televisão aberta, que ainda é o meio de comunicação mais consumido no país. "O Brasil tem o pior cenário de concentração da mídia entre todos os países estudados até agora. É um dado assustador", afirma André Pasti, integrante do Intervozes e coordenador da pesquisa no Brasil.
O grau de concentração da mídia no brasileira chega a ser pior do que outros países em desenvolvimento como Camboja, Mongólia, Gana, Filipinas, Peru, Colômbia, Tunísia e Ucrânia.
A pesquisa também evidenciou que, além do controle sobre a audiência, os maiores grupos de mídia também controlam diferentes veículos, como rádio, TV, jornal e sites de notícias. É a chamada propriedade cruzada.
Grupos como Record e RBS (que atua na região Sul do país) aparecem nesse indicador, mas ninguém supera a Rede Globo, que controla as principais cadeias abertas de TV e rádio, e o maior número de canais na TV por assinatura em nível nacional. Também possui o controle de poderosos veículos impresso, como os jornais O GloboExtra e Valor Econômico, bem como as revistas ÉpocaGalileu e Marie Claire, por exemplo.
Outros negócios
De acordo com André Pasti, coordenador da pesquisa, os donos da mídia no Brasil também possuem outras empresas fora do setor de mídia. Assim, 21 dos 26 maiores grupos de mídia do país atuam em áreas como mercado financeiro, imobiliário e agronegócio.
Os membros da Família Marinho, por exemplo, que controlam o grupo Globo, são donos de fazenda e empresas de produção agrícola. Isso explica a razão de a TV Globo gostar de patrocinar campanhas como "Agro é Pop". Além das fazendas, os donos da Globo têm negócios no mercado imobiliário, no setor de finanças e de vendas. Isso faz com que a família Marinho seja dona da maior fortuna do país, segundo a revista Forbes.
João Carlos Di Genio, considerado o "rei" do setor imobiliário em São Paulo, também é dono da rádio MIX FM, que por sua vez, pertence ao Grupo Objetivo, da área de educação, controlado pelo mesmo empresário.
O Grupo Folha, que edita o principal jornal impresso do país, possui negócios em grupos de educação à distância e é proprietário do serviço de pagamentos online Pagseguro.
O Grupo Record é dono de 49% do banco Renner. E Silvio Santos, do SBT, é dono do Baú da Felicidade, um serviço crediário, e da TeleSena.
"As pessoas precisam saber dos interesses que estão por trás do que ela está lendo no jornal ou vendo na TV. Se a pessoa não sabe que está vendo uma TV cujo proprietário é ruralista, ela vai ter dificuldade de filtrar a informação, bem como de perceber uma posição editorial contra a reforma agrária, por exemplo", explica André Pasti.
Publicado em: http://www.sjsp.org.br/

domingo, 25 de fevereiro de 2018

É preciso furar o bloqueio da mídia e lutar pela sua regulação e democratização

Ao silenciar sobre o contraditório, os meios sonegam informações que poderiam
dar uma visão mais ampla dos acontecimentos. Foto: Pixabay/cc


Por Laurindo Lalo Leal Filho*









Os meios de comunicação exercem um tipo de censura peculiar. Sonegam do público informações que poderiam dar-lhe visão mais ampla dos fatos e a oportunidade de tirar suas próprias conclusões.
“Defender o direito de Lula ser candidato é defender a democratização da mídia”, afirmou Jerry Oliveira, coordenador da Rádio Democracia, uma rede então com mais de 250 rádios comunitárias que transmitiu o julgamento do ex-presidente em Porto Alegre, em 24 de janeiro. O objetivo, segundo ele, era o de “furar a bolha da imprensa comercial e defender o Estado de Direito”.
O próprio Lula vem se manifestando constantemente sobre a necessidade de uma regulação da mídia. Ambos retomam um tema que há vários anos é objeto de debates acadêmicos, sindicais e de movimentos sociais voltados para área de comunicação. O marco inicial desse processo pode ser encontrado na Constituição Federal de 1988, que dedicou um capítulo inteiro à Comunicação Social. Só que a quase totalidade dos seus artigos não foi regulada por leis específicas e, por isso, não passaram a vigorar.
Um dos artigos que não viraram lei diz claramente que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. Como sabemos, no Brasil a mídia é oligopolizada. Poucas famílias detêm o controle da maioria dos grandes meios de comunicação os quais, de forma conjunta, transmitem praticamente as mesmas mensagens para toda a população, excluindo divergências que possam afetar seus interesses políticos e econômicos.
Ao silenciar sobre o contraditório, os meios de comunicação exercem um tipo de censura peculiar. Sonegam do público informações importantes que poderiam dar ao leitor, ouvinte ou telespectador uma visão mais ampla dos acontecimentos, oferecendo a ele a oportunidade de tirar suas próprias conclusões. Quando se trata de questões ligadas a uma possível regulação da mídia a situação se agrava. Há um alinhamento editorial contrário compacto.
Pesquisa realizada por Camilo Morano Vannuchi, publicada na revista Alterjor da Escola de Comunicação e Artes da USP, deixa isso claro. Ele observou como os jornais Folha de S.Paulo e O Globo trataram do assunto num período de dez anos, de 2007 a 2017. Foram 125 textos publicados pela Folha e 216 pelo Globo. A maioria concentrada em seis anos, de dezembro de 2010 a novembro de 2015. O autor constata que nesse período dois fatos ampliaram a discussão sobre a regulação da mídia: a realização da primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009, na qual foi apresentada a proposta do Conselho Nacional de Comunicação Social, gerando discussões acerca do que foi chamado de “controle social da mídia”, e, no mesmo mês, a emissão do decreto que implementou o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), que tinha entre as suas orientações a criação de uma comissão de monitoramento do conteúdo editorial com o objetivo de organizar um ranking de veículos identificados com a promoção dos direitos humanos. Propostas atacadas com furor pela mídia hegemônica.
Os números mostram como o tema entrou e saiu da pauta desses jornais. Em 2007 a Folha publicou quatro matérias a respeito. O Globo, duas. Em 2011, O Globo publicou 56 e a Folha, 14. E agora, em 2017 o assunto praticamente morreu: Folha, uma; O Globo, zero.
Significativa é a diferença dos números de matérias publicadas pelos dois veículos. Em 2010 e 2011 a frequência desse tipo de informação no Globo foi quase quatro vezes superior à da Folha. O autor da pesquisa acredita que o jornal carioca “chamou para si a responsabilidade por demover todo e qualquer apoio popular à iniciativa e por dispersar imediatamente os riscos de regulação, expediente que, em todas as teorias e propostas de lei, acarretaria em sanções ou perdas ao Grupo Globo empresa que é, simultaneamente, detentora de oligopólio de mídia, praticante de propriedade cruzada, beneficiada por 75% das receitas dos anúncios e concessionária de uma outorga que vem sendo renovada automaticamente, moto contínuo, e que tem deputados e senadores entre os proprietários de retransmissoras regionais”.
A pesquisa foi além e classificou as formas como os dois jornais tratavam do tema a partir de quatro palavras-chave: “marco regulatório” e “regulação da mídia”, consideradas neutras; “controle da mídia”, considerado negativo (ou desfavorável) e “democratização da mídia”, visto como positivo (ou favorável). O resultado era o esperado: houve quatro menções a "controle da mídia" para cada registro de "democratização da mídia" na Folha. A proporção no Globo foi de cinco para um. E mais, das quatro palavras selecionadas “controle da mídia” é a única que aparece nos títulos de primeira página, todas no Globo.
Além disso, a expressão “democratização da mídia” é usada de forma irônica como neste caso da Folha,que deu matéria com o titulo “Presidente do PT afirma que é preciso ‘democratizar’ a mídia”. As aspas são usadas para desmerecer o conteúdo da palavra. Ou uso da expressão “marco regulatório” com o intuito de desconstruí-la, como neste trecho do articulista da Folha Luís Felipe Pondé: “O ‘marco regulatório da mídia’, item do quarto mandato bolivariano, é justamente o nome fantasia para destruição da liberdade de imprensa no pais”.
Os dados da pesquisa são irrefutáveis e só vêm confirmar o que se depreende da leitura desses jornais. Trata-se da editorialização de um tema sensível a essas empresas. Daí a confusão deliberada que fazem dos termos “regulação da mídia” com “controle da mídia”. Regular não é controlar. É, por exemplo, estabelecer regras para a ocupação democrática dos espaços públicos, no caso, as ondas eletromagnéticas por onde transitam os sinais de rádio e TV.
Os números apresentados e as análises realizadas pelo autor da pesquisa darão, sem dúvida, muito mais consistência aos argumentos daqueles que lutam pela democratização da comunicação no Brasil.
*Laurindo Leal Filho é sociólogo e jornalista. Professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP
Publicado em:  www.sjsp.org.br

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

“The Post”


Em um mundo virtual infestado de notícias falsas, as "fake news", é cada vez mais importante refletir sobre o verdadeiro jornalismo, conteúdo de qualidade, informativo — o jornalismo como prestação de serviço aos cidadãos.

É aí que “The Post” pode ensinar algo a todos nós.

Baseado em fatos reais, o filme "The Post" traz Meryl Strep e Tom Hanks contando a história do vazamento dos papéis do Pentágono sobre a Guerra do Vietnã no jornal The Washington Post. Dirigido por Steven Spielberg, o filme é uma excelente aula de jornalismo em tempos de notícias "mentirosas".

O filme conta a história real de como The Washington Post arriscou tudo em 1971 ao publicar documentos ultrassecretos que escancararam à opinião pública americana como o governo lhes mentia escandalosamente há décadas sobre o conflito no Vietnã. O que só foi possível graças ao profissionalismo do redator Ben Bradlee (Tom Hanks) e pela coragem da publisher Katharine Graham (Meryl Streep).

Confira o trailer oficial:



Um grande trabalho de reportagem, uma luta contra a própria diretoria do jornal, o qual poderia ter falido, além da possibilidade de prisão dos jornalistas que faziam a sua obrigação em busca da verdade dos fatos. Uma história de coragem que mostrou as mentiras do governo Nixon e da Guerra do Vietnã ao mundo.

Quem tem coragem para isso atualmente?

Mais do que nunca precisamos de noticiários de alta qualidade.

Que imprensa é essa? A quem ela serve? É só ver os anúncios publicitários, não é? Ela é paga pelo sistema financeiro. Nos locais mais escondidos do "nosso" Brasil ela tem como donos, geralmente, grupos políticos/econômicos. E o que temos a ver com isso?

Nas redes, no mínimo temos a obrigação de não compartilhar notícias falsas, além de lutar pela televisão pública, já que 105 milhões de brasileiros não têm internet, mas possuem Tv em casa, segundo dados de 2016.


Porque nós cidadãos nunca nos lembramos que a televisão, é uma concessão pública, que deve nos servir, como cidadãos, com uma programação, segundo artigo 221, inciso I, que dê preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, e se transformou em uma fábrica de criação de mitos, sejam artistas ou políticos, mostrando em seus telejornais somente o que lhes interessa.

Sim, precisamos de mais Ben Bradlees e de mais Kat Grahams.

Quanto a nós, precisamos parar de acreditar em notícias só por estarem nos noticiários de Tv e parar para pensar a quem interessa aquela versão, enquanto não lutamos para ter de volta o nossos canais PÚBLICOS, sem interferência de governo de plantão, gerido pela própria sociedade através de conselhos como manda nossa constituição.

É uma obrigação não só de nós jornalistas, mas de toda a sociedade que quer informação de qualidade e de interesse público. Só assim podemos pensar em um Brasil melhor para nossos netos.


Taís Ferreira é jornalista, fotógrafa, blogueira.

SJPDF e Comissão dos Empregados da EBC repudiam casos de censura, retaliações e assédios contra jornalistas dentro da empresa.

Escrito por: Redação 

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF
Tempos sombrios pairam sobre a EBC, em especial sobre a Agência Brasil. Durante 2017, os casos de censura se multiplicaram e os assédios contra jornalistas viraram coisa corriqueira. Repórteres setoristas experientes foram transferidos sem nenhum diálogo, instaurando a perseguição contra os trabalhadores da empresa. O programa de correspondentes nacionais também foi interrompido de forma autoritária, após episódios explícitos de assédio moral.
 
2018 inicia com sinais ainda piores. O repórter Ivan Richard, há 10 anos trabalhando na Agência Brasil e hoje representante dos trabalhadores na Comissão dos Empregados, surpreendentemente, foi expulso da Agência Brasil e informado que não faria mais parte da equipe após seu retorno de férias.
 
O repórter sequer foi avisado oficialmente da mudança, sendo comunicado informalmente por um colega de redação sobre sua transferência autoritária para a redação da TV Brasil. Até o momento, nenhuma informação foi dada sobre o que motivou a decisão do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura. Questionado por e-mail, o diretor de jornalismo da EBC, Lourival Macedo, não se manifestou, atitude que, em nossa compreensão, demonstra conivência com a perseguição.
 
O cenário sistêmico de assédio a profissionais concursados na atual gestão da Agência Brasil acentua-se ainda mais com a retaliação que tem sido praticada contra as trabalhadoras, umas delas gestante, que tentou sair da Agência Brasil também por sofrer assédio moral e que teve seu pedido negado. Outras trabalhadoras, com reconhecida competência, inclusive premiadas, foram destituídas das funções que exerciam pela gestão Coura.
 
Agora, a medida autoritária contra o repórter Ivan Richard abre um precedente ainda mais perigoso não apenas contra os demais profissionais da Agência Brasil, mas para todos os empregados da EBC que, do dia para noite, sem diálogo ou qualquer informação prévia, poderão ser trocados de setor e de função por capricho dos seus superiores ou mesmo mantidos no veículo, a despeito de suas solicitações de mudança, para ficarem à mercê da perseguição dos gestores.
 
A atitude do gerente executivo da Agência Brasil, Alberto Coura, alvo de processo na Justiça do Trabalho por assédio moral, mostra o total descompromisso dele e da direção da EBC com a moralidade e com a comunicação pública e o desrespeito com os profissionais.
 
A desastrosa gestão de Coura na Agência é reflexo do ataque à empresa pública patrocinada pela atual direção e pelo governo federal. Desde junho, quando assumiu o cargo, o gerente não promoveu sequer uma reunião com seus subordinados.
 
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF não vai compactuar com esse tipo de ação que ameaça e gera insegurança aos trabalhadores, os quais, a cada dia, estão expostos a novas retaliações e a tornarem-se as próximas vítimas de mudanças açodadas.
 
Fica mais evidente que não interessa à direção da EBC garantir a finalidade para qual a empresa foi criada. O interesse passou a ser apenas afagar o governo e garantir os cabides de emprego na estatal, cometendo seguidos atos de ilegalidade e afronta aos trabalhadores e à sociedade brasileira.
 
 Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF
 
Comissão dos Empregados da EBC

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O retrato de uma catástrofe

"Todos os direitos sociais são abolidos pelo neoliberalismo. Eles deixam de ser direitos e são transformados em serviços. Você compra e vende no mercado. A grande privatização neoliberal não é a das empresas estatais. A grande privatização é a transformação dos direitos em serviços que compra no mercado."

Marilena Chauí, filósofa e professora universitária, fala, em entrevista, sobre a ideologia neoliberal e tece uma visão sobre como a ideia de meritocracia é construída e assimilada especialmente por jovens prestes a ingressar no mercado de trabalho.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Intolerância



Intolerância, de Griffith, é um filme de 1916, obra fundamental do Cinema. São quatro narrativas que reúnem 2500 anos de história sobre a "intolerância".

Será possível ter nações mais justas e de acordo com os direitos fundamentais?

Instituto Lawfare reafirmando a legalidade e o Estado de Direito. 
A ideia de que o direito deve conter o poder e não estar a serviço do poder.






quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Dedo na ferida: Novo filme de Silvio Tendler

O filme de Silvio Tendler pretende refletir sobre o avanço do sistema financeiro e seus reflexos sobre o cotidiano das pessoas, desde a perda de direitos até a qualidade de vida. O documentário foi patrocinado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro e pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros. A parceria com as entidades já havia rendido o documentário Privatizações - A Distopia do Capital, de 2014.

Dezenove pessoas foram entrevistadas, sendo 12 brasileiros, como o diplomata e ex-ministro Celso Amorim, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., (Banco dos Brics), os professores Ladislau Dowbor, Laura Carvalho e Guilherme Mello e ativistas como Guilherme Boulos (MTST) e João Pedro Stédile (MST). Entre os estrangeiros, falam o ex-ministro grego Yanis Varoufakis, o cineasta Costa-Gavras e os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha).

O filme procura mostrar como o sistema financeiro se beneficia de crises e aumenta a concentração de renda. "Os bancos ficam com a parte gorda da carne, para o povo restam os ossos", comenta Tendler. Um retrato dos verdadeiros donos do poder. Ele defende um novo projeto, sem saber ainda qual será. Sobre o avanço conservador no Brasil e as eleições marcadas para 2018, diz se preocupar mais com "a inapetência e desorganização da esquerda".

Confira o teaser do filme: