segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Semana Nacional pela Democratização da Comunicação 2017

Programação em Belo Horizonte


- 17/10 | Lançamento estadual do relatório “Um ano da campanha Calar Jamais!”
Horário: 15h
Local: Sala da Imprensa da Assembleia legislativa de Minas Gerais, Rua Rodrigues Caldas, 30 (Santo Agostinho)
- 17/10 | Jornalistas Livres convidam: sessão comentada do filme "Intervenção - Amor não quer dizer grande coisa"
Horário: 19h
Local: Ocupação Carolina Maria de Jesus, Av. Afonso Pena, 2300 (Funcionários)
Convidada/os:
Gustavo Aranda, diretor do filme e membro dos Jornalistas Livres
Poliana Souza, dirigente nacional do MLB (Movimento de Luta pelos Bairros, Vilas e Favelas)
Mediação: Agatha Azevedo, editora dos Jornalistas Livres
- 18/10 |Oficina de DeepWeb e práticas de segurança na internet, oferecida pelo Movimento Pirata Minas Gerais
Horário: 16h à 18h
Local: DCE da PUC-Minas, Prédio 21 da PUC Minas, Avenida Dom José Gaspar, 500 (Coração Eucarístico)
Com formador, João Moreno, especialista em software livre, hardware livre, criptografia e segurança digital.
- 19/10 |Ato público de rua: Pelo Direito à Comunicação em Minas Gerais!
Horário: 13h à 17h
Local: Praça da Liberdade
- 20/10 | Seminário “Os silenciamentos da mídia”, organizado pelo Grupo de Estudos em Mídia e Discurso (MíD) da PUC Minas e FNDC
Horário: 14h à 17h
Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Avenida Alvares Cabral, 400 (Centro)
Convidada/os:
Angela Carrato (jornalista, professora da UFMG)
Danielle Sarah Oliveira (estudante secundarista)
Eliara Santana (jornalista, doutoranda em Análise do Discurso, PPGL PUC Minas, e bolsista CAPES)
Robson Sávio (professor da PUC Minas, membro da Comissão da Verdade)
- 21/10 | “Conversa com o FNDC” no Seminário de movimentos sociais do curso de Serviço Social PUC Minas
Horário: 9h30 às 11h
Local: Sala 216 prédio 47 PUC Minas, ICS instituto de ciências sociais. Avenida Dom José Gaspar, 500, (Coração Eucarístico)
Descrição: Palestra com Florence Poznanski, secretária geral do comitê FNDC-MG
- 21/10 | Roda de Conversa “Web, Mídia e resistência: pelo fim de todos os latifúndios”
Horário: 14hs
Local: a confirmar
Convidadas/os:
Margarida Salomão, Deputada Federal (PT/MG)
Aurea Carolina e/ou Cida Falabella, Vereadoras em Belo Horizonte (PSOL)
Um/a representante do movimento hacktivista (aguardar confirmação)
- 22/10 | 20° Plenária Estadual do FNDC-MG
Horário: de 9h às 18hs
Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Avenida Alvares Cabral, 400 (Centro)
Formulário de inscrição: https://goo.gl/forms/pFqD4CaYv1kIHcqu1
- Roda de conversa na escola, como a mídia pauta o tema da maioridade penal. Atividade organizada pelo Fórum das juventudes
Data e horário: a confirmar
Local: a confirmar






sexta-feira, 6 de outubro de 2017

FNDC promove semana para denunciar violações à liberdade de expressão

 Escrito por: Redação FNDC

A Semana Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação 2017 acontece entre os dias 15 e 21 de outubro, em todo o país

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) promove, de 15 a 21 de outubro, a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação 2017. Debates, seminários, atos e atividades políticas e culturais estão marcadas em diversos estados, com ênfase na denúncia de violações à liberdade de expressão em curso no Brasil.

Na atual conjuntura, multiplicam-se casos graves de repressão a protestos e manifestantes, censura privada ou judicial de conteúdos na internet e na mídia, decisões judiciais e medidas administrativas contra manifestações artísticas e culturais, aumento da violência contra comunicadores, desmonte da comunicação pública, cerceamento de vozes dissonantes na imprensa, entre outras iniciativas que, no seu conjunto, contribuem para calar a diversidade de ideias, opiniões e pensamento em nosso país.

Para chamar atenção para essa escalada de violações, o FNDC, em parceria com diversas organizações da sociedade civil, lançou em outubro do ano passado a campanha “Calar Jamais!”. Por meio de uma plataforma online, a campanha tem recebido denúncias de violações à liberdade de expressão.

No dia 17 de outubro, durante a Semana Nacional, em Salvador (BA), será lançado o relatório de um ano de campanha, que destaca os principais casos constatados no período. Um ano após o início da "Calar Jamais!", também será um momento de mobilização e intensificação da luta em defesa do direito à comunicação no país. O lançamento acontecerá durante o seminário internacional preparatório para o Fórum Social Mundial (FSM) 2018.  
    
“Em tempos de avanço do conservadorismo e de ruptura democrática no Brasil, a liberdade de expressão acaba se tornando um dos primeiros alvos de ataque. O objetivo dessa campanha, lançada há um ano e que segue muito atual, é alertar a sociedade sobre a gravidade do momento em que vivemos”, afirma Renata Mielli, coordenadora-geral do FNDC.

As denúncias recebidas pela campanha também serão enviadas para organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos, como o Ministério Público Federal, o Conselho Nacional de Direitos Humanos e as Relatorias para a Liberdade de Expressão da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU (Organização das Nações Unidas).

Além do lançamento do relatório, a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação contará com atividades em diferentes estados sobre comunicação pública, o papel da mídia na atual crise política, regulação democrática dos meios de comunicação, acesso, privacidade e liberdade de expressão na internet, entre outros. A programação completa organizada pelos comitês estaduais do FNDC será divulgada no portal do Fórum e nas redes sociais da entidade e de organizações parceiras.

Participe!
#CalarJamais
#LiberdadedeExpressão
#SemanaDemocom
#FNDC

Serviço

Semana Nacional pela Democratização da Comunicação
Data: 15 a 21 de outubro de 2017
Local: em todo o país
Informações:

Site: www.fndc.org.br
Facebook: https://www.facebook.com/fndc.br/
Twitter: @fndc_br
E-mail: secretaria@fndc.org.br

Neutralidade da rede segue violada no Brasil e na América Latina

Por Oona Castro*

Sivaldo Pereira da Silva**

Uma das características mais importantes da internet é a possibilidade de acessarmos ou publicarmos diversos tipos de conteúdos (vídeo, texto, áudio, imagem etc.) de forma livre, desde que isso não viole direitos de outras pessoas. Agora, imagine uma internet diferente, na qual as empresas que proveem acesso à rede teriam o poder de inspecionar onde você navega e tudo aquilo que você publica, cobrando preços distintos por isso. Neste cenário, para usar redes sociais, por exemplo, você precisaria contratar um plano específico. Baixar ou publicar vídeos e fotos também só seriam possíveis com pacotes adequados. E quem não tivesse recursos para pagar planos mais caros, teria de se contentar com o “básico”, só conseguindo, talvez, enviar e receber emails.

Ainda que esta descrição pareça bastante absurda, trata-se de um horizonte que poderia se tornar uma realidade se não fosse aquilo que chamamos de neutralidade de rede não fosse garantida por lei. A neutralidade de rede é um conceito consagrado mundialmente para designar o princípio segundo o qual todos os dados devem ser tratados de forma igualitária pelas empresas que fazem o serviço de conexão à internet. Isso impede uma operadora de banda larga ou de celular de fazer diferenciação de usuários, seja em razão da origem ou destino do dado (de onde vem e pra onde vai), seja quanto ao tipo conteúdo ou aplicação utilizada.

Quando a neutralidade de rede é garantida, as operadoras de telecomunicações são obrigadas a ser neutras em relação ao transporte de nossos dados na rede. Qualquer interferência neste livre trânsito, como dar prioridade ou o bloquear determinados sites, aplicativos ou conteúdos, caracteriza uma violação deste princípio.

Embora a neutralidade de rede esteja prevista e garantida por lei em diversos países, inclusive no Brasil, desde a aprovação do Marco Civil da Internet em 2014, ela tem sido sistematicamente violada na região, muitas vezes com o aval do próprio órgão ou ente regulador que deveria protegê-la. É isso o que revela o estudo “Neutralidade de rede na América Latina: regulamentação, aplicação da lei e perspectivas – os casos do Chile, Colômbia, Brasil e México”, lançado recentemente pelo Intervozes e pela organização chilena Derechos Digitales, com o apoio de entidades da Colômbia e México.

Leia também:

Você se importa com seus dados na internet?


O estudo mapeou os avanços e desafios da implementação deste princípio nos quatro países e identificou que, na maioria dos casos, os instrumentos normativos são contraditórios e confusos ou sustentam pouca ação das agências reguladoras em defendê-lo. Há situações ainda em que, apesar de formalmente garantir a neutralidade, a própria legislação, regulamentação ou o ente regulador fragilizam o princípio, seja por criar uma lista ampla de exceções que dão margem a interpretações incorretas ou mal intencionadas, seja por não prever uma forma consistente de fiscalização, não estipular claramente os procedimentos para abrigar denúncias ou simplesmente por não prever um sistema eficaz para aplicar punições às operadoras de telecomunicações.

Zero rating, o principal violador

Embora haja denúncias de bloqueios ou discriminação de tráfego de dados de modo mais direto, a principal forma de violação da neutralidade de rede são os planos de tarifa-zero, também conhecidos como zero rating. Tais planos são caracterizados pelas operadoras (principalmente de telefonia móvel) quando estas dão tratamento diferenciado a pacotes de dados de determinados sites ou aplicativos, privilegiando-os ao colocá-los como “serviços gratuitos”.

A prática de zero rating pelas empresas simula uma aparente vantagem para o consumidor, porém cria distorções ao priorizar alguns serviços em detrimento de outros. Tecnicamente, para favorecer um site ou aplicativo, uma operadora precisa lançar mão de ações discriminatórias, barrando determinados dados e liberando outros. Ou seja, para praticar a tarifa zero, a operadora viola a neutralidade de rede.

No Brasil, o Marco Civil da Internet e seu decreto regulamentador determinaram explicitamente a proibição de práticas anticoncorrenciais como esta. Nossa lei prevê apenas duas exceções para a quebra da neutralidade de rede. A primeira, em caso da necessidade técnica indispensável para gerenciar o fluxo de dados e garantir a prestação do serviço. Quando a rede está com uso intenso e congestionada, por exemplo, conteúdos de streaming (uma webconferência ou uma ligação de voz por IP) são tecnicamente prioritários frente a uma mensagem de email. Isso porque 20 ou 30 segundos de atraso em um e-mail não gera grandes danos, mas pode inviabilizar a comunicação numa transmissão ao vivo.

A outra exceção à neutralidade prevista do Marco Civil é a priorização de serviços de emergências. Por exemplo, em caso de uma catástrofe natural, pode ser necessário priorizar que mensagens vindas de determinadas áreas mais afetadas passem na frente no fluxo de dados; ou em caso de um caos generalizado e funcionamento precário da rede, apenas um tipo de mensagem pode ser priorizada (como mensagens instantâneas ao invés de vídeos), para garantir que as pessoas se comuniquem entre si e com autoridades. Em nenhum desses casos a prática de tarifa zero, que é uma ação comercial, se encaixa.

Apesar da sua ilegalidade, os planos de tarifa zero são abertamente oferecidos e divulgados pelas empresas no Brasil na forma de “promoções” que incluem acesso “gratuito” a ferramentas de mensagens instantâneas como o Whatsapp ou redes sociais como o Facebook. No Chile e a Colômbia, embora as leis defendam a neutralidade enquanto princípio e textualmente determinem que os pacotes de dados não sejam discriminados, os órgãos reguladores também ignoram essa afirmativa e permitem explicitamente o zero rating. No México, o estágio de regulamentação é menos avançado e não há legislação que se detenha sobre o tema.

A omissão dos órgãos reguladores
A omissão ou a interpretação enviesada de corporações privadas e também de entes reguladores é um problema comum nos países estudados. No Brasil, por exemplo, segmentos empresariais defendem que a oferta gratuita de acesso a alguns aplicativos específicos não geraria prejuízo, já que o consumidor poderia usar os dados restantes de seu pacote para acessar outros sites. Nesta linha de raciocínio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) considerou a prática de zero rating legítima no Brasil.

Organizações de defesa do consumidor, como a Proteste, estão recorrendo da decisão do Cade, argumentadno que o caso foi encerrado sem julgamento e sem que o órgão ouvisse a opinião de organizações como o Comitê Gestor da Internet e a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça. O Ministério Público Federal também já entrou com denúncia contra a oferta desses planos.

No Chile, ocorreu algo semelhante. Pedro Huichalaf, ex-subsecretário de Telecomunicações daquele país, legitimou a prática da tarifa zero afirmando que, se o usuário tem um plano de dados e a operadora oferece um acesso sem custo, ali não há violação do princípio da neutralidade da rede. Para ele, o problema só existiria se o acesso a determinadas aplicações fosse permitido para quem não tem qualquer plano de dados contratado.

Além de menosprezar a questão técnica, a argumentação também ignora a concentração de audiência em alguns aplicativos gerada pela oferta diferenciada de serviços, e as consequências dessa prática para a livre concorrência e a inovação tecnológica. Afinal, privilegiar o acesso a determinados sites e aplicações via sua “gratuidade” cria um círculo vicioso no qual só aqueles com grande número de usuários ou maior poder econômico conseguem expandir suas bases, perpetuando a concentração e diminuindo a diversidade de acesso à fontes distintas.

Fato é que, enquanto as operadoras que disputam lugar no mercado querem ter a liberdade de lançar mão desse tipo de oferta, fortalecendo o hábito de uso de dados de internet por sua base de clientes e disputando novos consumidores, e as aplicações também tem interesse em ampliar seus usuários e o tempo que eles passam em suas plataformas mobile, os órgãos reguladores parecem não querer mexer nesse vespeiro.

Embora o princípio da neutralidade seja fundamental para evitar que um pequeno grupo de agentes determine privilegiados e desprivilegiados na rede – garantindo assim um ambiente aberto e isonômico, melhor para todos – determinar o fim de ofertas de dados gratuitos parece, num primeiro momento, uma medida deveras impopular. Mas ela é necessária.

Recomendações
Indo além da prática de tarifa zero, no que se refere a violações da neutralidade via bloqueios ou degradação de dados, com exceção da Colômbia, todos os países registraram denúncias. Porém, nenhum deles possui uma capacidade fiscalizadora desenvolvida e ativa para acompanhar de perto as operações técnicas das empresas. Como dizer se a sua ligação em um programa de voz sobre IP com o Skype, por exemplo, caiu porque a conexão falhou casualmente ou porque foi derrubada por um robô propositalmente?

Por isso, uma das recomendações indicadas pela pequisa é incentivar o desenvolvimento de ferramentas que contribuam para a fiscalização, pelos usuários e pelos órgãos reguladores, da efetivação do princípio da neutralidade de rede. Outra recomendação é subsidiar o Judiciário com informações técnicas relevantes para as tomadas de decisão, a fim de construir uma jurisprudência de acordo com a legislação e com a proteção ao direito do consumidor.

Apoiada pela AccessNow, a pesquisa foi coordenada pelo Intervozes no Brasil e Derechos Digitales no Chile. Participaram também a Fundación Karisma, da Colômbia, e R3D, do México. A íntegra do estudo pode ser acessada aqui.


* Oona Castro é jornalista e coordenadora de conteúdo no Instituto Nupef.

**Sivaldo Pereira da Silva é doutor em Comunicação, com pós-doutorado em Democracia Digital, e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.

Ambos são associados do Intervozes e coordenaram a pesquisa sobre neutralidade de rede citada neste artigo.





quarta-feira, 27 de setembro de 2017

TV Brasil cancela programa sobre mídia


Escrito por: Altamiro Borges 

Neoliberalismo não combina com democracia. Esta é uma máxima confirmada no mundo inteiro. O golpe dos corruptos, que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, só reforça esta tese. Para impor a chamada “Ponte para o futuro” – também batizada de pinguela para o passado com suas políticas de desmonte do Estado, da nação e do trabalho –, o covil golpista tem feito de tudo para cercear as liberdades. Na semana retrasada, a TV Brasil anunciou formalmente o cancelamento do único programa de análise crítica da mídia nativa – o “Ver TV”, apresentado pelo jornalista Laurindo Lalo Leal Filho. As sete famílias que monopolizam os meios de comunicação e que tiveram papel protagonista no golpe devem ter ficado aliviadas. 
 
O jornalista Mauricio Stycer, da Folha, registrou o retrocesso: “No embalo das mudanças realizadas após a troca de gestão da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), em 2016, a TV Brasil confirmou esta semana o cancelamento do ‘Ver TV’, apresentado por Laurindo Leal Filho. Exibido desde fevereiro de 2006, era o único programa no ar com a proposta de debater o conteúdo e a qualidade da programação exibida pela televisão. O ‘Ver TV’ não era gravado havia quase um ano, mas a TV Brasil vinha exibindo reprises. Agora, nem mais... Na condição de crítico de televisão, participei de alguns debates do ‘Ver TV’, sempre sobre temas relevantes e com pluralidade de vozes. Lamento pelo fim do programa”.
 
A TV Brasil, que a cada dia mais se parece com a “TV Temer” em função do seu jornalismo chapa-branca, até tentou justificar a grave regressão. Argumentou que o corte do programa se deu “em função da grave restrição orçamentária pela qual passa a EBC... Só neste ano, o orçamento da empresa sofreu contingenciamento de 43%, o que tem forçado a direção a fazer ajustes e cortes na programação”. A desculpa, porém, é esfarrapada. Na prática, o covil golpista deseja cercear qualquer voz dissonante e agradar os barões da mídia monopolista, que protagonizaram o golpe dos corruptos. O respeitado Laurindo Lalo Leal Filho, em artigo postado na edição de setembro da Revista do Brasil, já havia alertado para este retrocesso. Vale conferir seu texto:
 
*****
 
Ascensão e queda da comunicação pública
 
A construção foi longa e demorada. A destruição rápida. Falo da comunicação pública brasileira representada pela EBC, a Empresa Brasil de Comunicação, responsável pelas TV Brasil nacional e internacional, por oito emissoras de rádio e duas agências de notícias.
 
Ao contrário do que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, onde as emissoras públicas se constituíram na primeira metade do século passado, por aqui só conseguimos esse feito no final de 2007 com a criação da EBC.
 
Tentativas anteriores fracassaram. A mais arrojada delas ocorreu quando o segundo governo Vargas, no início dos anos 1950, se dispôs a outorgar um canal de televisão à Rádio Nacional, emissora líder de audiência no país, controlada governo federal. Com a morte do presidente o processo foi interrompido.
 
Juscelino Kubitschek tentou dar prosseguimento a iniciativa. A resposta da mídia comercial foi violenta. Assis Chateaubriand, o poderoso controlador dos Diários Associados, espécie de Organizações Globo da época, foi claro “se Vossa Excelência der o canal de televisão à Nacional, jogo toda a minha rede de rádio, imprensa e televisão contra o seu governo”, lembra o ator e compositor Mario Lago no livro de memórias “Bagaço de Beira de Estrada”. Diante da ameaça, JK esqueceu a promessa de criar o canal público. O espaço reservado no dial para a Nacional, o canal 4 do Rio de Janeiro, acabou nas mãos da Globo, ocupado por ela até hoje.
 
Consolidou-se assim o modelo de rádio e TV comercial em todo o país. Alguns estados, a partir dos anos 1960, até criaram emissoras não comerciais, no entanto elas sempre foram muito mais estatais do que públicas, controladas direta ou indiretamente pelos governantes do momento.
 
A EBC rompeu com essa prática. Ainda que impulsionada e mantida pelo governo federal, garantiu o seu caráter público com a participação ampla da sociedade em seu órgão máximo, o Conselho Curador. Além disso, deu ao seu presidente um mandato de quatro anos, revogável apenas por decisão do próprio Conselho.
 
Uma das primeiras medidas do governo que substituiu, por meio de um golpe parlamentar a presidenta Dilma Rousseff, foi acabar com esse dois instrumentos institucionais garantidores do caráter público da empresa. A EBC deixou de ser pública tornando-se apenas mais um ente estatal. Decisão contrária a própria Constituição Federal que em seu Artigo 223 determina a existência complementar de sistemas de radiodifusão privados, públicos e estatais. O atual governo acabou com o sistema público.
 
Decisão arbitrária que acabou com uma importante experiência de comunicação, fundamental para o funcionamento da democracia, sem receber da sociedade a contestação que merecia. Isso porque a EBC não conseguiu, em seus quase dez anos de existência conquistar os corações e mentes de ouvintes, leitores e telespectadores.
 
No Reino Unido, nos anos 1980, o governo neoliberal de Margareth Thatcher tentou privatizar a BBC. A resposta contrária da sociedade foi forte e imediata. A “dama de ferro” que havia dobrado o poderoso sindicato dos mineiros não conseguiu acabar com o caráter público do principal serviço de comunicação do país. Isso porque a BBC havia conquistado, com seu trabalho ao longo dos anos, o apoio da ampla maioria da população.
 
Por aqui, a TV Brasil nunca chegou a ser uma emissora nacional de fato, concorrente real das grandes corporações comerciais. Seu sinal não chegava a todo o território nacional ferindo um princípio básico da comunicação pública que é o da universalidade de acesso. Na maioria dos estados só podia ser sintonizada no canal controlado pelo governo local, ficando assim a mercê da vontade política dos governantes regionais de turno.
 
Das oito emissoras de rádio da EBC nenhuma delas chega a São Paulo. Um esforço para romper com essa situação foi feito pouco antes da intervenção do atual governo na empresa. A Rádio Brasil Atual passou a transmitir para a capital paulista e região um noticiário matinal em conjunto com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, controlada pela EBC. Seria a libertação do monopólio informativo radiofônico existente no Estado. Infelizmente a experiência durou poucas semanas. O golpe acabou com ela.
 
A destruição tornou-se acelerada. Transformados em estatais, os veículos da EBC passaram a ser meros divulgadores das ações do governo federal, deixando de lado qualquer compromisso público. Serviços importantes, como os prestados pela Rádio Nacional da Amazônia, outra emissora da EBC, foram abandonados. Uma pane em seu transmissor causada por um raio a tirou do ar, sem que se vissem maiores esforços para recuperá-lo. Um contingente enorme de ouvintes que tinha na emissora a sua única janela para o mundo deixou de ser atendido.
 
Propõem-se agora a demissão voluntária de 500 funcionários da empresa, fala-se em fundir a TV Brasil com a NBR, a emissora oficial do governo, ouvem-se reclamações de ingerências políticas nas pautas jornalísticas, criticam-se distorções nos textos da Agência Brasil, fonte noticiosa de inúmeros veículos de comunicação por todo o país.
 
Destrói-se rapidamente, de maneira acintosa, uma dura conquista da sociedade brasileira. Que pelo menos os erros cometidos sirvam de lição para o momento em que a democracia plena for restaurada e a comunicação pública volte a ser entendida como patrimônio da nação.
 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Quem 'governa' a Internet? Você já pensou nisso? Deveria..


Escrito por: Renata Mielli
Fonte: Midia Ninja

Ah! a Internet, essa coisa fantástica, que conecta o mundo todo e todo mundo. Como ela funciona? Onde ela está? Quem a governa?

A verdade é que a gente usa a internet e não pensa muito nessas coisas.
 
Queremos que ela seja cada vez mais ágil, que tenha mais funcionalidades, mas não discutimos nem acompanhamos o debate sobre os seus rumos, sobre as decisões que as pessoas que pensam nisso 24 horas por dia tomam. E eu posso afirmar, uma grande parte das pessoas que pensam nisso e tem poder político e econômico para decidir os rumos da internet não toma as decisões pensando no interesse público.
 
Está em curso um movimento mundial e nacional para deixar essas decisões, quase que exclusivamente, na mão desses grupos.
 
E quem são eles? Empresas de Telecomunicações (Vivo, AT&T, Claro), empresas de tecnologia e gigantes da internet como Google, Facebook e Amazon, para citar três dos maiores. Além dos governos, que podem ser de todo tipo: democráticos, autoritários, golpistas… A sociedade que usa a internet e sofre com os impactos dessas decisões está sendo escanteada.
 
No Brasil, o órgão responsável para fazer a governança da internet foi criado em 1995 – isso mesmo, no governo FHC – e se chama Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br.
 
E o modelo escolhido, depois aperfeiçoado em 2003 – no governo Lula – foi o que incorpora quatro segmentos interessados no assunto: o setor empresarial, o setor governamental, o setor acadêmico, e o terceiro setor. Esse modelo é chamado de multissetorial, porque inclui de forma equilibrada a presença do setor econômico, do Estado, as universidades e academias, e a sociedade civil que é usuária da internet.
 
Mas como o golpe em curso no Brasil vai sendo aprofundado à galope, o setor empresarial – que tem profundos interesses econômicos – com a ajuda do governo golpista, lesa pátria e venal, está tirando as manguinhas de fora e tentando alterar o modelo do CGI para que eles sejam maioria e tenham o controle sobre as decisões tomadas. Querem fazer do CGI.br uma Anatel da vida – um espaço capturado pelos interesses econômicos. Para saber mais, leia a nota de repúdio contra os ataques do governo Temer ao Comitê Gestor da Internet no Brasil.
 
As Teles e o setor privado tem sido contrariados nos últimos anos pelas decisões tomadas no CGI.br, que se pauta pelo interesse público justamente pela sua composição multissetorial, e por leis como o Marco Civil da Internet, que impôs limites aos modelos de negócios predatórios que afetam a neutralidade da rede e tantas outras coisas que fazem da internet – ainda – um espaço aberto, livre, que não discrimina conteúdos na camada de infraestrutura, que protege a liberdade de expressão e o direito dos usuários na rede.
 
Se ainda há metade da população brasileira desconectada por falta de acesso à infraestrutura de telecomunicações que as permita utilizar a internet, se nos outros 50% conectados a maior parte tem uma conexão precária, geralmente pelo celular, com valores abusivos e franquias de dados totalmente limitantes para um uso integral da internet, caso a ofensiva do governo e das empresas sobre o CGI.br vingue, é bem provável que em pouco tempo a internet no Brasil seja muito diferente do que é hoje, ainda mais excludente, segmentada e para poucos.
 
E, num mundo cada vez mais dependente da internet, os excluídos serão cidadãos de segunda, terceira categoria.
Porque a gente não fala disso?
 
Se a internet é tão fundamental para a sociedade, se ela media praticamente todas as relações econômicas, sociais, culturais, se ela se torna cada vez mais indispensável para a vida, então porque a gente não debate essas coisas?
Primeiro porque nós, os mortais, estamos acostumados a fazer uso das tecnologias e ferramentas e ponto final. Desde que funcionem o resto não é da nossa conta. Essa é uma postura cultural, mas que precisamos começar a mudar, porque no mundo digital, no mundo da Internet das Coisas e da Inteligência Artificial sua vida offline será cada vez mais afetada por essas decisões.
 
Segundo porque é difícil para *!#@[**! E como todo assunto que tem uma dimensão técnica – e esse tem demais –quem já está tomando as decisões faz questão de complicar para afastar as pessoas do debate. E isso funciona. Quem é que consegue discutir arquitetura da informação, TCP-IP, IPV6, ccTLD’s, gTLD’s, DNS, peer to peer, PTT, criptografia, neutralidade de rede, interoperalidade, deep web, clock chain, bitcoin? Isso tudo é um amontoado de siglas e termos que não fazem sentido para a esmagadora maioria das pessoas, afinal, são só tecnicismos.
 
Mas, não são. E as decisões sobre essas coisas não são técnicas, apenas, elas são sobretudo políticas. E é aí que o bicho pega.
 
Vamos tentar falar sobre essas coisas incríveis de uma maneira menos complexa e ir, aos poucos, entendendo como a decisão de um nome de domínio afeta a soberania de um país e o interesse público.
 
Porque é necessário manter o caráter aberto e descentralizado da rede mundial de computadores.
 
Porque é imprescindível discutir privacidade e proteção de dados num mundo em que não só as pessoas, mas as coisas (carros, geladeiras, aviões, casas, até privadas) estão e estarão cada vez mais interconectadas.
 
E porque é fundamental acompanhar e pressionar para impedir as tentativas de mudar o modelo multissetorial do CGI.br. Sobre isso, convido você a acessar a página da Coalizão Direitos na Rede que tem acompanhado e se posicionado sobre esse assunto, e também a participar do Fórum da Internet no Brasil, evento promovido pelo CGI.br que discute vários destes assuntos e é aberto a todos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

En "IV Congreso Iberoamericano de acoso laboral e institucional", Ecuador discutirá sobre el linchamiento mediático

Sandra Correa sostuvo que el acoso laboral con medios de comunicación, no busca la verdad, sino que la evade y pasa del silencio de la ley

En una entrevista con el programa "El Poder de la Palabra" de ecuadorinmediato.com/Radio Sandra Correa detalló el "IV Congreso Iberoamericano de acoso laboral e institucional", del cual es miembro del comité científico internacional que aborda este tema. Sostuvo que ahora, con los medios de comunicación, se hostiga, se acosa laboralmente a los ciudadanos y a la víctima o blanco de turno, que vendría a ser un personaje público.


Explicó que el acoso laboral contra personas o instituciones, se constituye en acoso moral debido a argumentos morales para amedrentar y ajusticiar, por lo que se recurre a la calumnia e injuria, no a pruebas en derecho, sino a difamarla, deslegitimarla y denostarla. “El objetivo es golpear la mente de la persona y en consecuencia, de todo un entorno, que estamos hablando de la ciudadanía, de la humanidad”.

Correa dijo que cada dos años realiza una conferencia al respecto, llevaba el hito de sacar a la luz y romper la impunidad para el acoso y linchamiento mediático. Hizo referencia al artículo 26 de la ley de Comunicación, “que por ausencia de seriedad y responsabilidad social, no se ha hecho el reglamento pertinente”. Sin embargo, precisó que lleva el reglamento hecho con un grupo de ciudadanos para establecer la nitidez de cuándo sí es un acoso laboral, con medios de comunicación, y cuando no lo es.

Sostuvo que el acoso laboral con medios de comunicación, no busca la verdad, sino que la evade y pasa del silencio de la ley, la fraudulencia, a la ley del silencio. Es una cadena perpetua.

Recordó que en 2013, presentó ante la Asamblea Nacional las consideraciones jurídicas y sociales para la tipificación penal de esta conducta. “Ahora entiendo que van a trabajar el tema del acoso laboral en la comisión laboral de la Asamblea, ojalá tomen en cuenta lo que a nivel mundial estamos trabajando en colectivo y nos inviten a participar en conocimiento, no desde la especulación ni la novelería”, agregó.

Para el criterio de Correa, Ecuador siempre ha sido un país innovador, desde 2011, “nosotros siempre dimos la claridad al mundo de lo que es el acoso y el linchamiento mediático, antes de que exista la tipificación de la LOC. Cada dos años he ido aumentado esta fenomenología”.

En la edición de este 2017, Correa dijo que el tema de acoso laboral se puede realizar a través de redes sociales, Facebook o Twitter, “todo se va volviendo un espacio común en todo el mundo y no es solamente el stalking, sino el acoso laboral con medios de comunicación a personas a las cuales se les conculca sus derechos humanos a totalidad y se confunde a la ciudadanía entre justicia y ajusticiamento, entre barbarie y civilización”.

Asimismo, Correa indicó que el acoso laboral con medios de comunicación es una venganza de alguien, que manipula. “Es fundamental que el entorno rechace estas prácticas inhumanas y viles, sino nos volvemos en sociedades linchadoras”. Al respecto señaló que su énfasis es en la práctica diaria en la educación.
(DRT)

 http://www.ecuadorinmediato.com/

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Posse da nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

Taís Ferreira, webjornalista, Alessandra Mello, presidenta do
SJPMG, Arthur Lobato, psicólogo, durante a posse da
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG.

Em noite de festa para os jornalistas mineiros, tomou posse na sexta-feira 23/6 a diretoria que comandará o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais no triênio 2017-2020. A cerimônia incluiu a entrega do 10º Prêmio Délio Rocha de Jornalismo de Interesse Público e reuniu mais de 500 jornalistas e convidados.

“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.”

Citando estes versos do poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht e deixando de lado seu discurso para falar de improviso, a nova presidenta do Sindicato, Alessandra Mello, exortou os jornalistas a superar o medo e se unirem para enfrentar a crise pela qual passam o Brasil e o Jornalismo. Alessandra sucede Kerison Lopes, que presidiu o Sindicato entre 2014 e 2017.
Ela disse que todos os brasileiros hoje estão com medo e que no coração dos jornalistas o medo é ainda maior. “Começou com as mudanças das novas mídias, aumentou com a crise econômica, contaminada pela crise política, e o Jornalismo desandou”, analisou Alessandra, citando a deterioração no ambiente das redações, com pressões dos patrões para perda de direitos dos trabalhadores. “Só há uma maneira de combater isso: juntar forças. Só a luta conquista direitos”, enfatizou.
Chamamento à luta

“Não podemos desanimar”, enfatizou Alessandra. “As mulheres não podem aceitar o machismo e o assédio nas redações. O jornalismo hoje é majoritariamente feminino, mas as mulheres não estão nos cargos de chefia”, denunciou.

A nova presidenta defendeu um Jornalismo plural, que expresse a diversidade. “O Jornalismo é um pilar da democracia. Não podemos deixar que o Estado brasileiro seja tomado pelo poder econômico e político”.
Alessandra reafirmou o compromisso de manter a sede do Sindicato aberto para a sociedade. Ela agradeceu aos companheiros da gestão que terminou, da qual foi vice-presidenta, citou Fidel Castro (“Revolucionários não podem ser pessimistas”) e fez uma chamamento à categoria para fortalecer o Sindicato, filiando-se e participando. “Só juntos vamos conseguir vencer. Luta, Jornalista!”, finalizou, citando o nome da chapa aprovada na eleição por 97,5% dos votantes.
Momento de mudança
A nova diretoria é nova também em renovação: 80% dos integrantes participam da direção do Sindicato pela primeira vez. Outro índice expressivo é o de mulheres: 42%.
Outros ex-presidentes estiveram presentes à festa: Manoel Marcos Guimarães, Aloísio Morais Martins, Dinorah Maria do Carmo, Aloísio Soares Lopes e Eneida Ferreira da Costa, além de Kerison Lopes. Entre as autoridades, compareceram a deputada federal Jô Moraes, o secretário estadual de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e o secretário municipal de Comunicação, Chico Maia.
O psicólogo Arthur Lobato e a webjornalista Taís Ferreira também prestigiaram a posse da nova diretoria do SJPMG.
Confira nas fotografias de Charles S. Duarte:







Crédito das fotografias: Charles S. Duarte
Com informações do http://www.sjpmg.org.br/
Publicado em: http://www.sjpmg.org.br/

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Franklin Martins: golpe blitzkrieg não conseguiu controlar o Brasil e está à deriva


Publicado no em: http://www.sjpmg.org.br

Os golpistas estão sem rumo. Tinham ilusão que tomariam o Brasil com um golpe blitzkrieg e resolveriam o problema da economia em seis meses, mas o Brasil é muito grande e complexo para ser tomado com um golpe blitzkrieg. Os golpistas perderam a bandeira da competência, perderam a bandeira da luta contra a corrupção e perderam a bandeira da legitimidade. O terrível é que eles estão no buraco e o país também está no buraco, o povo está no buraco. Tivemos uma redução dramática da atividade econômica. O golpe está à deriva, o barco está virando, cada dia que passa os golpistas estão mais fracos, as pessoas estão enxergando que têm muito mais a perder do que a ganhar com o golpe.

Esta análise foi feita pelo jornalista Franklin Martins durante o debate “Democracia e Golpes no Brasil: de Vargas a Jango”, realizado na Casa do Jornalista, na sexta-feira 7/7, do qual também participou o jornalista José Maria Rabêlo (foto). Na segunda 10/7, às 19h30, no Palácio das Artes, Martins participou do lançamento da segunda fase do Memorial da Democracia,  com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do segundo governo Lula (2007-2010), Franklin Martins é atualmente coordenador do Memorial da Democracia. Como jornalista, foi repórter, editor, comentarista político e chefe de redação, atuou em diversos veículos, dentre eles, jornal O Globo e Rede Bandeirantes. No debate, ele falou do jornalismo brasileiro e da situação política nacional. Tomando por base a pesquisa história do Memorial da Democracia, comparou os golpes de 2016 e 1964 e analisou a incapacidade da elite brasileira de aceitar a democracia de massas.
Democracia de massas
“Li um artigo do grande historiador mineiro José Murilo de Carvalho em que ele diz que o grande problema do Brasil é que a elite não aceita que o povo participe da política”, disse Franklin Martins.
Ele explicou que a partir de 1945 a participação popular na política dá um salto, inaugurando a democracia de massas. “O que acontece em 1945 não é redemocratização do país, porque o que existia antes de 1930 era oligarquia. Os números mostram isso, há crescimento vertiginoso do número de eleitores. Na eleição de Júlio Prestes, em 1930, votaram 1.830.000 eleitores. Em 1945, votaram 5.870.000, um crescimento de 220%”, exemplificou.
Nos 19 anos de democracia de massas, de 1945 a 1964, o partido que mais cresce é aquele que representava os trabalhadores, o PTB. “Nesse período, a classe média tem papel importante e os trabalhadores descobrem que precisam participar da política”, disse Martins. “Durante o Estado Novo, os trabalhadores conquistaram direito ao trabalho e direitos trabalhistas. A partir de 45 compreenderam que só assegurariam esses direitos se participassem da política. De 45 a 64, o PTB cresceu de forma impressionante, passando de 22 deputados eleitos em 1945 para 104 em 1962.”
É um período em que “as elites estavam meio perdidas”, não entendiam a participação dos trabalhadores na política. “Em 1950 Getúlio Vargas dá um banho eleitoral. As forças conservadoras não sabiam lidar com a democracia de massas. Cresce o antagonismo entre desenvolvimentismo e nacionalismo versus golpismo. É uma época de ebulição. A agenda conservadora é a mesma: como impedir a participação popular”, observou Martins.
Participação x golpismo
O aumento progressivo da participação dos trabalhadores na política é acompanhado de um crescimento do golpismo. Chamado de “anos dourados”, aquele período não é tão dourado assim, pois nele acontecem quatro golpes articulados pelo alto comando das Forças Armadas, em 54, 56, 61 e 64. “O golpe de 64 resolve o problema que a elite não conseguia resolver”, disse Franklin Martins.
“No fundo, qual a diferença fundamental entre esquerda e direita?”, perguntou o jornalista. “Para a direita, pobre é pobre porque merece ser pobre; para a esquerda, pobre é pobre porque não teve oportunidade.” Franklin Martins lembrou que pesquisa recente do Datafolha mostrou que 72% dos brasileiros concordam com a posição da esquerda: acham que pobre é pobre porque faltam políticas públicas que combatam a pobreza. “Apesar do golpe e do massacre midiático, as pessoas continuam pensando assim, esta questão é essencial”, frisou.
Martins disse que os golpes de 1964 e 2016 têm a mesma questão de fundo, a afirmação da direita de que só é possível governar para um terço da população, mas destacou que entre os dois golpes há uma diferença fundamental: o golpe de de 64 foi dado contra expectativas de mudanças e o golpe de 16 foi dado contra mudanças reais.
“Em 64, as mudanças não tinham acontecido. Este golpe agora tromba com a experiência de mudança da população brasileira”, observou. “Treze anos de mudanças extraordinárias demonstraram que o discurso conservador de que pobre merece ser pobre e que só dá para governar para um terço da população não é verdade. Povo não é estorvo, é um potencial da nação. Milhões entenderam isso. Não tenho dúvida de que foi uma experiência política extraordinária”, disse Martins.
Citando os programas Bolsa Família, Fies, Pronatec, Mais Médicos, transposição do Rio São Francisco, criação de mercado interno, desenvolvimento da indústria nacional e pré-sal, entre outros avanços do governo Lula, Martins ressaltou que contra cada um desses programas a elite se insurgiu e foi derrotada na luta política. “Eles perderam o discurso de que o povo não cabe no Brasil.”
Mesmo considerando o momento que o Brasil atravessa “extraordinariamente difícil”, Franklin Martins disse ser otimista. “Qual é a base da política? É a experiência das pessoas. E qual é a experiência dos brasileiros nas duas últimas décadas? Que o povo cabe na política e que o país é mais forte quando o povo participa.”
Para exemplificar como a situação política brasileira pode mudar, Franklin Martins citou a anticandidatura do deputado federal Ulysses Guimarães à presidência em 1974, durante a ditadura, quando o colégio eleitoral garantia a eleição do general governista. “Ulysses perdeu, mas ganhou”, disse Martins, lembrando que a anticandidatura foi um pretexto para que o líder emedebista percorresse o país pregando as bandeiras da oposição que vingariam nos anos seguintes.
O ex-ministro acredita que o apoio a Lula tende a crescer com o processo de perseguição que o líder petista está sofrendo. “Há dois sentimentos fortíssimos na política”, disse Martins. “O primeiro é o estelionato eleitoral. Isso aconteceu com Sarney, em 1988, com FHC, no segundo mandato, e com Dilma, no segundo mandato. O segundo sentimento é quando o cara que estava me defendendo foi atacado e eu não me mexi para defendê-lo. Foi o que aconteceu quando Getúlio Vargas suicidou.”
Regulação da mídia
Os governos do PT cometeram cinco erros, segundo Franklin Martins; o primeiro deles foi parar de fazer a disputa política com a intensidade necessária. “A partir de 2011 o governo passou a tratar questões políticas como se fossem técnicas”, disse. O segundo erro foi a política econômica: “Em vez de fazer um programa de investimentos, quando estava sobrando dinheiro, se caiu na desoneração fiscal, acreditando que os empresários iam investir, mas eles foram para o rentismo”.
Outro erro na política econômica, segundo Martins, foi não enfrentar a questão dos juros. “Demos um poder ao rentismo na sociedade que é inacreditável. Hoje temos deflação e juros de 8,5%. Dizem que vão viver de renda, mas o povo não pode viver de renda.”
O quarto erro foi não fazer a reforma política. “Quem manda nos partidos é o dinheiro. A direita é reacionária mas de burra não tem nada, sabe que se não ganha eleição tem que ter o Congresso. Como faz isso? Desidratando os partidos”, analisou Martins.
Um erro fundamental cometido pelo governo do PT diz respeito diretamente aos jornalistas: o governo abandonou o processo de democratização da mídia. “O debate tinha avançado e retrocedeu”, assinalou Martins. “O grande monopólio da mídia brasileira sempre foi tratado como se fosse uma coisa natural, as pessoas dizem que regulação é atacar a liberdade de imprensa. Não é. Tudo que é público tem regulação, a mídia não é assim em lugar nenhum do mundo.”
Franklin Martins acha que a discussão da regulação da mídia avançou durante o governo Lula, entrando na agenda política. “O governo Lula deixou preparado o processo de regulação. Avaliávamos que o governo Dilma ia tocar o processo, a razão pela qual não tocou só Deus sabe. Foi um erro”, disse, acrescentando que a esquerda amadureceu na discussão e abandonou a ideia de “controle social da mídia”.
Ele ressaltou que não é a favor da regulação da imprensa escrita, mas ponderou que radiodifusão é diferente, porque é concessão pública. “Eliminado o golpe, restabelecida a democracia, uma das primeiras coisas a fazer é uma televisão pública. Não é estatal, é pública”, enfatizou. Para ele, o golpe fez os brasileiros perceberem o grau de oligopolização e manipulação da mídia. Ao atacar o monopólio da Globo, Lula ajuda a popularizar a matéria. “Esta não é mais uma disputa de iniciados, passou a ser da sociedade”, disse.
Produzir informação
Para Franklin Martins, o problema vai além da regulação, tem a ver com a disputa política. A ideia de que o monopólio da mídia é “uma coisa natural” atinge também a esquerda, segundo o jornalista. “Por que a esquerda não tem um jornal forte? Getúlio Vargas tinha a Última Hora”, lembrou. Ele observou que a blogosfera progressista cumpre um papel crítico importante, mas insuficiente, porque não consegue ser produtora primária de informações, depende das notícias produzidas pela grande mídia.
Ele pregou a criação de instrumentos que produzam informação, como uma grande agência de notícias. “Não existe esquerda que cresça sem disputa política, sem produção primária de informação”, enfatizou. “Se queremos disputar, temos que produzir informação primária, para municiar a blogosfera, rádios e televisões comunitárias. Por que não sentamos e discutimos isso? Se esperarmos os partidos, isso não vai acontecer, porque essa não é uma questão prioritária para os partidos, isso dá porrada da mídia e não dá voto”, disse Franklin Martins.
Ele disse que estamos vivendo um momento muito difícil para o jornalismo no Brasil, não só pela situação econômica dos veículos, mas também porque há uma crise de credibilidade monumental.
“O que é o jornalismo? É um contrato entre o jornal e o leitor, que tem algumas obrigações: primeiro, coleta de informações equilibradas; segundo, produzir debate público qualificado; terceiro, de vez em quando, dar o que não se espera, surpreender; é o que faz um grande jornal. O que é o jornalismo no Brasil, hoje? Não faz nada disso. Estamos afundando, os jornalistas perderam a vontade de fazer jornalismo, porque não é para fazer. Há uma perda de identidade, porque a Globo quer mandar no país e não tem voto. Avançaram o sinal e não dá para voltar”, disse Martins. “Só sei de uma coisa: jornalismo, para ser bom, tem que ser inteiramente diferente do que está aí”, finalizou.
Memorial da Democracia
Memorial da Democracia é um trabalho extraordinariamente interessante e uma experiência riquíssima, segundo seu coordenador. “É um museu virtual, o museu vai a você, do Brasil inteiro, em qualquer lugar”, explicou Franklin Martins. “É um museu multimídia, não é só de texto. Dialoga com a juventude, não fica só na política e na economia, entra na questão cultural e no jornalismo”, disse, acrescentando que o Memorial da Democracia é muito útil para professores, pesquisadores e jornalistas.
Construído pelo Instituto Lula em parceria com o Projeto República, da Universidade Federal de Minas Gerais, o Memorial da Democracia é um portal multimídia que disponibiliza conteúdos sobre a longa caminhada do país desde a Colônia até o século XXI em busca de democracia com justiça social. Dois módulos, contemplando os períodos de 1964 a 1985 e de 1985 a 2002, já tinham sido inaugurados.
“O que marcou minha geração foi a atitude diante da ditadura. Nós podíamos ser presos, torturados, mortos, mas não nos calávamos. A atitude era: ‘Não vou me calar, vou lutar contra ela’. Eu não aceitei viver debaixo de ditadura, hoje não aceito viver num governo que persegue”, disse Franklin Martins, numa referência à perseguição ao ex-presidente Lula e ao instituto que leva seu nome e que mantém o Memorial da Democracia.

domingo, 30 de julho de 2017

11 filmes sobre a manipulação da mídia



Esses filmes são verdadeiras obras-primas conscientizadoras sobre a máquina manipulativa que são as mídias, eles mostram de forma crua e bastante didática o poder de persuasão delas sobre as massas. Em vários países as mídias derrubam governos, formam opiniões, ditam modas, criam ídolos, símbolos e mitos. Vemos o seu poder manipulativo principalmente em países onde o índice educacional é baixo, onde governos trabalham em prol da corrupção e onde as grandes mídias são economicamente dependentes do governo, tipo no Brasil por exemplo.
O que mais chama a atenção nesses filmes é como o sensacionalismo pode ser algo assustadoramente chamativo, como essas mídias se aproveitam de artifícios baixos em busca de altas audiências, e de como estruturas sociais e vidas pessoais são destruídas no processo.
Esses filmes são magníficos, são aulas de como se prevenir contra as artimanhas midiáticas para te tornar num espectador em transe, acreditando piamente em tudo que é mostrado nessas mídias.
Sei que muitos irão me cobrar o porque de não ter colocado os filmes Muito Além do Cidadão Kane A Revolução Não Será Televisionada que enfatizam e denunciam brilhantemente o poder de manipulação das grandes mídias nas sociedades latinas americanas. Estes filmes além de serem geniais muitos já o conhecem e são cartas carimbadas em qualquer lista do gênero, nesta lista procurei sair um pouco do óbvio.

A lista está disposta em ordem cronológica.

11- A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, 1951) de Billy Wilder/ Gênero: Drama, Film-Noir/ País: EUA

Sinopse: Albuquerque, Novo México. O repórter veterano Charles Tatum (Kirk Douglas) foi despedido de 11 jornais, por 11 razões diversas. Ele está sem dinheiro, então pede a Jacob Q. Boot (Porter Hall), o dono do jornal local, que lhe dê um emprego e consegue. Seu plano era trabalhar ali no máximo dois meses, mas após um ano não surgiu nenhuma boa oportunidade nem aconteceu nada bem interessante que rendesse uma boa matéria. Tatum sente-se totalmente entediado e sem motivação, então recebe ordem para cobrir uma corrida de cascavéis. Aparentemente seria outra matéria sem o menor atrativo, mas ruma para o local acompanhado por Herbie Cook (Robert Arthur), um misto de auxiliar, motorista e fotógrafo. No meio do caminho param para abastecer o carro e Tatum acaba descobrindo que Leo Minosa (Richard Benedict) ficou preso em uma mina quando procurava por "relíquias indígenas". Tatum sente que esta reportagem pode ser a chance que ele esperava, mas para isto precisa ter controle da situação. Ele transforma o resgate de Leo em um assunto nacional, atraindo milhares de curiosos, cinegrafistas de noticiários e comentaristas de rádio, além de forçar Lorraine (Jan Sterling), a mulher de Leo, a se fazer passar como uma esposa arrasada. Na verdade ela ia abandonar Leo neste trágico momento, mas Tatum a fez ver que ela iria ganhar um bom dinheiro na sua lanchonete quando as pessoas chegassem para ver o acontecia. Para prolongar o circo Tatum reduz deliberadamente a velocidade do resgate de Leo, pois o ideal é que ele fique preso por seis dias e não apenas por algumas horas.


10- A Embriaguez do Sucesso (Sweet Smell of Success, 1957) de Alexander Mackendrick/ Gênero: Drama, Film-Noir/ País: EUA

Sinopse: Descontente com o relacionamento de sua irmã, que está prestes a se casar com o músico de jazz Steve Dallas, J.J. Hunsecker, o maior e mais temido colunista de um jornal de Nova York, contrata um relações públicas sem escrúpulos para acabar com a relação do casal.


09- Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd, 1957) de Elia Kazan/ Gênero: Drama/ País: EUA

Sinopse: Descoberto por Marcia Jeffires, Larry Rhodes se transforma numa estrela da TV. O sucesso lhe dá mais poder, o que irá lhe corromper até destruir sua vida.


08- O Monstro Na Primeira Página (Sbatti il mostro in prima pagina, 1972) de Marco Bellocchio/ Gênero: Drama/ País: França, Itália


Sinopse: Um jornal italiano de direita, comandado pelo editor-chefe Bizanti (Gian Maria Volonté), busca manipular a opinião pública em torno de um caso de assassinato. Uma menina rica foi morta na periferia de Milão e um jovem proletário de esquerda é acusado. As manchetes da primeira página não buscam a solução do crime, mas a vitória num complexo jogo político que mira as eleições do final do ano.


07- Um Dia de Cão (A Dog Day Afternoon, 1975) de Sidney Lumet/ Gênero: Drama, Policial/ País: EUA

Sinopse: Baseado numa história real, Al Pacino brilha no papel de Sonny Wortzik, um ladrão que resolve assaltar um banco num dia de calor escaldante em Nova York. As coisas não correm exatamente como ele planejou e, em pouco tempo, o banco está cercado pela polícia e por um gigantesco circo de mídia – daí em diante, tudo só se complica. Enquanto tudo se desenrola a multidão apóia e aplaude as declarações de Sonny e fica contrária ao comportamento da polícia.


06- Rede de Intrigas (Network, 1976) de Sidney Lumet/ Gênero: Drama/ País: EUA

Sinopse: Apresentador de noticiário recebe a notícia de que está demitido em razão dos seus baixos índices de audiência. Um dia, com o programa no ar, comunica a sua saída da emissora e avisa que se matará na próxima semana, quando o programa estiver no ar. É imediatamente afastado, mas o público pede a sua volta e como a rede estava com problemas de audiência resolve lançá-lo. A partir de então ele passa a encarnar o profeta louco, mas mesmo tendo um comportamento insano a recepção do público é altamente positiva. No entanto, as pessoas responsáveis pela sua ascensão agora querem detê-lo.


05- Quiz Show: A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, 1994) de Robert Redford/ Gênero: Drama/ País: EUA

Sinopse: Programa de perguntas e respostas na TV, nos anos 1950, é investigado e se descobre que, visando a audiência, produtores passam a dar as respostas a um jovem de família rica, que passa a ganhar de um rapaz judeu muito mais inteligente.


04- O Quarto Poder (Mad City, 1997) de Costa-Gavras/ Gênero: Drama, Policial/ País: EUA

Sinopse: Em Madeline, Califórnia, um repórter de televisão (Dustin Hoffman) que está em baixa, mas já foi um profissional respeitado de uma grande rede, está fazendo uma cobertura sem importância em um museu de história natural quando testemunha um segurança demitido (John Travolta) pedir seu emprego de volta e, não sendo atendido, ameaçar a diretora da instituição com uma espingarda. Ele nada faz com ela, mas acidentalmente fere com um disparo acidental um antigo colega de trabalho. O repórter, de dentro do museu, consegue se comunicar com uma estagiária que está em uma caminhonete nas proximidades, antes de ser descoberto pelo ex-segurança, que agora fez vários reféns, inclusive um grupo de crianças que visitavam o museu. Em pouco tempo um pedido de emprego e um tiro acidental se propagam de forma geométrica, atraindo a atenção de todo o país. O repórter convence ao segurança que este lhe dê uma matéria exclusiva e promete em troca comover a opinião pública com a triste história do guarda desempregado. É a sua chance de se projetar e voltar para Nova York, mas nem tudo acontece como o planejado. Os fatos são manipulados pela imprensa e tudo sai do controle, pois apenas altos salários e índices de audiência contam e a verdade não é tão importante assim.


03- Mera Coincidência (Wag the Dog, 1997) de Barry Levinson/ Gênero: Comédia, Drama

Sinopse: O presidente dos Estados Unidos (Michael Belson), a poucos dias antes da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante deste quadro, não vê muita chance de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contato com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este "invente" uma guerra na Albânia, na qual o presidente poderia ajudar a terminar, além de desviar a atenção pública para outro fato bem mais apropriado para interesses eleitoreiros.


02- A Ditadura Perfeita (La dictadura perfecta, 2014) de Luis Estrada/ Gênero: Drama/ País: México

Sinopse: “La Dictadura Perfecta” conta a história de um governador egocêntrico que busca a cadeira presidencial e de como ele utiliza a televisão para distrair a opinião pública dos grandes problemas do país.


01- O Abutre (Nightcrawler, 2014) de Dan Gilroy/ Gênero: Drama, Thriller/ País: EUA

Sinopse: Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um jovem determinado e desesperado por trabalho que descobre o mundo em alta velocidade do jornalismo sensacionalista em Los Angeles. Ao encontrar equipes de filmagem freelances à caça de acidentes, incêndios, assassinatos e outras desgraças, Lou entra no reino perigoso e predatório dos nightcrawlings - as minhocas que só saem da terra à noite.

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