quinta-feira, 14 de outubro de 2010

'Desinformação' não serve à democracia, diz Marilena Chauí

 

João Peres
Rede Brasil Atual




Em entrevista exclusiva à Rede Brasil Atual, a professora de filosofia da USP aponta setores ruralistas e classe média urbana como focos de anti-Lula. Ela faz reiteradas críticas à ameaça à liberdade de expressão provocada pela concentração dos meios de comunicação
São Paulo – Marilena Chauí pensa que a velha mídia está nos seus estertores. A filósofa e professora da Universidade de São Paulo (USP) entende que o surgimento da internet, o crescimento das alternativas e as atuais eleições delineiam o fim de um modelo.
A professora, que deixou de escrever e de falar para a velha mídia por não concordar com a postura de vários desses veículos, entende que a imprensa tem papel fundamental para a ausência de debate de temas-chave nas atuais eleições, alimentando questões que favorecem à candidatura de José Serra (PSDB).
Ela considera que não é possível falar de democracia quando se tem o poder da comunicação concentrado em poucas famílias, sem que a sociedade tenha a possibilidade de contestação. Após ato pró-Dilma Rousseff (PT), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista, a filósofa manifestou à Rede Brasil Atual que os ruralistas e a classe média urbana são os setores que alimentam o ódio a Lula.
Marilena Chauí aponta, sempre em meio a muitos gestos e a uma fala enfática, que o presidente jamais será perdoado. O motivo? Combateu a desigualdade no país.
Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista.


Rede Brasil Atual – O único ponto aparente de consenso entre os institutos de pesquisa é quanto à aprovação do governo Lula. Que grupos estão entre os 4% da população que consideram ruim ou péssimo o desempenho do presidente?
Marilena Chauí - É um mistério para mim. Tudo que tenho ouvido, sobretudo no rádio, em entrevistas sobre os mais diversos temas, vai tudo muito bem. Os setores que eu imaginaria que diriam que o governo ruim não são. Surpreendentemente.
Mas há dois setores que são "pega pra capar". Um é evidentemente a agroindústria, mas é assim desde o primeiro governo Lula. Eles formam esse mundo ruralista que o DEM representa. Não são nem adversários, são inimigos. Inimigos de classe.
"A classe média urbana, que está apavorada com a diminuição da desigualdade social e que apostou todas suas fichas na ideia de ascensão social e de recusa de qualquer possibilidade de cair na classe trabalhadora. Ao ver o contrário, que a classe trabalhadora ascende socialmente e que há uma distribuição efetiva de renda, se apavorou porque perdeu seu próprio diferencial. E seu medo, que era de cair na classe trabalhadora, mudou. Foram invadidos pela classe trabalhadora." – Marilena Chauí
O segundo setor é a classe média urbana, que está apavorada com a diminuição da desigualdade social e que apostou todas suas fichas na ideia de ascensão social e de recusa de qualquer possibilidade de cair na classe trabalhadora. Ao ver o contrário, que a classe trabalhadora ascende socialmente e que há uma distribuição efetiva de renda, se apavorou porque perdeu seu próprio diferencial. E seu medo, que era de cair na classe trabalhadora, mudou. Foram invadidos pela classe trabalhadora.
Os trabalhadores têm reconquistado direitos e, com isso, setores do empresariado reclamam que há risco de perda de competitividade pelo mercado brasileiro.Isso é uma conversa para a campanha eleitoral. É coisa da Folha, do Estadão, do Globo, da Veja, não é para levar a sério. E se você for lá e pedir para provar (que perderia competitividade), vão dizer que não falaram, que foi fruto das circunstâncias. Eles sabem que é uma piada isso que estão dizendo, não tem qualquer consistência.
A senhora passou por uma situação parecida à da psicanalista Maria Rita Kehl, agora dispensada pelo Estadão por ter elogiado o governo Lula...
Não foi parecida porque não fui demitida. Eu disse a eles que me recusava a escrever lá. Tanto no Estado quanto na Folha. Tomei a iniciativa de dizer a eles que não teriam minha colaboração.
Quando li o artigo da Maria Rita Kehl, pensei mesmo que poderia dar algum problema. Como é que o Estadão deixou o artigo sair? Era de se esperar que houvesse uma censura prévia.
Agora, se você tomar o que aconteceu nos últimos oito ou nove anos, vai ver que houve uma peneirada e uma parte das pessoas de esquerda simplesmente desistiu de qualquer relação com a mídia. Outras tiveram relação esporádica em momentos muito pontuais em que era preciso se expressar publicamente.
Houve, em um primeiro momento, um deslocamento das pessoas de esquerda para o Estadão, mas um deslocamento que não tinha como durar porque o jornal não tinha como abrigar esse tipo de pensamento.
Desapareceu para valer qualquer pretensão da mídia até mesmo de se oferecer sob uma perspectiva liberal. E sob uma perspectiva democrática. É formidável que no momento em que dizem que nós, do PT, ameaçamos a liberdade de imprensa, eles demitam a Maria Rita.
O que acho, com o segundo turno das eleições de Lula e as eleições da Dilma, é que há um estilo de mídia que está nos seus estertores. O fato de que haja internet e mídia alternativa que se espalha pelo Brasil inteiro muda completamente o padrão.
Passa-se de jornais que tinham função de noticiar para jornais que têm a função de opinar, o que é um contrassenso. A busca pela notícia faz com que não se vá mais em direção ao jornal, vá se buscar em outros lugares.
Em períodos eleitorais, tem sido recorrente a associação entre mídia e partidos políticos. Qual a implicação disso na tentativa de consolidação da democracia?
Isso é o que atrapalha a democracia do ponto de vista da liberdade do pensamento e de expressão. O que caracteriza uma sociedade democrática é o direito de produzir informação e de receber informação, de modo que possa circular, ser transformada. O que se tem é a ausência da informação, a manipulação da opinião e a mentira.
Acabo de ver em um site a resposta do Marco Aurélio Garcia (um dos coordenadores de campanha de Dilma) à manchete da Folha. Como é que a Folha dá manchete falando que Dilma vai tirar a questão do aborto do programa de governo se essa questão não está no programa? É dito qualquer coisa.
"Desapareceu o compromisso mínimo com a verdade, o compromisso mínimo com a informação. É uma coisa de partido, puramente ideológica, perversa, de produção da mentira. (...) A desinformação. Isso não serve para a democracia." – Marilena Chauí
Desapareceu o compromisso mínimo com a verdade, o compromisso mínimo com a informação. É uma coisa de partido, puramente ideológica, perversa, de produção da mentira. Isso me lembra muito um ensaio que Hannah Arendt escreveu na época da Guerra do Vietnã. Ela comentava as mentiras que a TV, o rádio e os jornais apresentavam. Apresentavam a vitória no Vietnã, até o instante em que a mentira encontrou um limite tal nos próprios fatos que a verdade teve que aparecer. Ela chamou isso de crise da República, que é quando tem a mentira no lugar da informação. Ou seja, a desinformação. Isso não serve para a democracia.
O governo Lula teve, internamente, a convivência de polos opostos. Talvez tenha sido o primeiro a ter, por exemplo, Ministério de Desenvolvimento Agrário voltado a agricultura familiar e dialogando com o MST e o Ministério da Agricultura, voltado para o agronegócio. O governo e o presidente se saíram bem na tarefa de fazer opostos conviverem?
Sim. E isso é um talento peculiar que o presidente Lula tem, de ser um negociador nato. Como uma boa parte do trabalho do governo foi feita pela Casa Civil, podemos dizer que Dilma Rousseff tem a capacidade de fazer esse trânsito e essa negociação.
Mas como explicar as reações provocadas?
Duas coisas são muito importantes com relação ao atual governo. A primeira é que o governo Lula jamais será perdoado por ter enfrentado a questão da desigualdade social. Lula enfrentou a partir da própria figura dele. O fato de você ter um presidente operário, que tem o curso primário (Lula tem o ensino médio completo), significou a ruína da ideologia burguesa. Todos os critérios da ideologia burguesa para ocupar este posto (Presidência da República), que é ser da elite financeira, ter formação universitária, falar línguas estrangeiras, ter desempenho de gourmet... Enfim, foi descomposta uma série de atrativos que compõem a figura que a burguesia compôs para ocupar a Presidência. Ponto por ponto.
"Alguém tinha de vir das classes trabalhadoras para dizer o que precisa fazer no Brasil. Os governos anteriores sequer levavam em conta que isso (desigualdade social) existia." – Marilena Chauí, professora de filosofia da USP
A burguesia brasileira e a classe média protofascista nunca vão perdoar isso ter acontecido. Imagine como eles se sentem. Houve (Nelson) Mandela, Lula, (Barack) Obama, (Hugo) Chávez. É muita coisa para a cabeça deles. É insuportável. É a sensação de fim de mundo.
Tudo que fosse possível fazer para destruir esse governo foi feito. Por que não caiu? Não caiu porque foi capaz de operar a negociação entre os polos contrários. Isso é uma novidade no caso do Brasil porque, normalmente, opera-se por exclusão. O que o governo fez foi operar por entendimento. E a possibilidade de corrigir uma coisa pela outra.
Agora, há milhares de problemas que o próximo governo vai ter de enfrentar. Não podemos cobrar de nós mesmos que façamos em oito ou em 16 anos o que não foi feito em 500. Mas quando se olha o que já foi feito, leva-se um susto. A redução da desigualdade, a inclusão no campo dos direitos de milhões de pessoas, o Luz para Todos, a casa (Minha Casa, Minha Vida), o Bolsa-Família, a (geração de empregos com) carteira assinada... É uma coisa nunca feita no Brasil.
A sra. faz uma avaliação muito positiva do governo. Por que essas medidas não ocorreram antes?
Alguém tinha de vir das classes trabalhadoras para dizer o que precisa fazer no Brasil. Os governos anteriores sequer levavam em conta que isso existia. O máximo que existia era o incômodo de ver essa gente pela rua, embaixo da ponte, fazendo greve, no ponto de ônibus, caindo pelas tabelas na condução pública. Era uma coisa assim que incomodava - (diziam:) "é meio feio, né? É antiestético". O máximo de reação que a presença de classes populares causava era por serem antiestéticos. É a primeira vez que essa classe foi levada a sério.
Eles vão estrebuchar, vão gritar, vão xingar. Vão pintar a saracura, como diria minha mãe. Mas é isso aí. Deixa pintar a saracura que nós ficamos em pé.

Semana Nacional da Comunicação

Pelo cumprimento das deliberações da
1ª Conferência Nacional de Comunicação.


 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O argumento de Marilena Chauí para atrair o voto verde

Redação - Carta Maior


Para a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), apoiar José Serra significa a agroindústria ligada ao latifúndio e, portanto, o ataque ao meio ambiente e também à possibilidade de reformar a situação da terra no Brasil. "É preciso conversar com os ambientalistas", defendeu Marilena Chauí, e "mostrar que o mapa da votação indica que José Serra foi vitorioso em todas as regiões da agroindústria, do latifúndio que ataca o meio ambiente". "Não é pouco que isso se refira à estrutura da terra criada desde a colonização, que isso seja ligado aos obstáculos contra a Reforma Agrária e que se refira também ao ataque contra o meio ambiente", adverte.




Em ato realizado na última sexta-feira na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), Marilena Chauí, apresentou um argumento para a campanha de Dilma Rousseff atrair, neste segundo turno da eleição, os votos de ambientalistas que foram para Marina Silva no primeiro turno: "É preciso mostrar aos ambientalistas que José Serra foi vitorioso em todas as regiões da agroindústria, do latifúndio que ataca o meio ambiente", defendeu. Reproduzimos a seguir a fala de Marilena Chauí sobre essa questão (ver vídeo):



"O mapa da votação mostra que José Serra foi vitorioso em todas as regiões da agroindústria. Portanto, foi vitorioso nas regiões que, no meu tempo, quando era jovem, chamávamos de latifúndio. Ele foi vitorioso no latifúndio e no latifúndio que ataca o meio ambiente e que impede a Reforma Agrária".

"Não é pouco. Não é pouco que isso se refira à estrutura da terra criada desde a colonização, que isso seja ligado aos obstáculos contra a Reforma Agrária que se refira também ao ataque contra o meio ambiente".

"Então, é preciso conversar com os ambientalistas, pelos quais tenho o maior respeito. Ao chegar na minha idade, a questão principal é o futuro das novas gerações. Eu penso nos jovens que estão aqui. Eu penso nos meus netos. É preciso lembrar aos ambientalistas que apoiar José Serra significa apoiar a agroindústria e, portanto, o ataque ao meio ambiente e à possibilidade de reformar a situação da terra no Brasil".

Reflexões críticas sobre a mídia

É a grande imprensa transformando as notícias em apenas mais um produto para ser colocado no mercado e consumido.

A Montanha dos Sete Abutres

Diretor: Billy Wilder - EUA/1951 - Duração: 111 minutos





Repórter em decadência fareja um grande assunto quando um homem fica preso numa mina. Com a cumplicidade do xerife e da mulher da vítima, explora o fato, mas não parece muito disposto a salvar a vida da vítima.

Vale a pena conferir!

Recordando Darcy Ribeiro: “essa gente quer vender o Brasil”

Redação - Carta Maior

No momento em que o tema das privatizações volta ao debate público nacional, vale a pena reler o que Darcy Ribeiro falou na época sobre a venda da Companhia Vale do Rio Doce, no dia 10 de janeiro de 1997, um mês antes de morrer. "Essa gente quer vender, quer entregar o Brasil porque acha melhor. Essa gente usa o Brasil, usa a Nação, para alcançar os seus objetivos", disse Darcy Ribeiro. A Vale acabou sendo privatizada no governo FHC por insistência do então ministro do Planejamento, José Serra, conforme relatou mais tarde o próprio Fernando Henrique.


A Vale do Rio Doce foi privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso por insistência do então ministro do Planejamento, José Serra, conforme relatou o próprio por em entrevista à revista Veja (ver o vídeo). “Eu custei muito tempo para me convencer de que era necessário privatizar a Vale. Venho de outra formação e tinha resistência a isso. Pode ser uma boa empresa, pensava. Por que privatizar? (...) O Serra foi um dos que mais lutou pela privatização da Vale. Digo isso porque tem muita gente que diz que o Serra é estatizante. Não. A Light também foi o Serra que privatizou”, diz FHC na entrevista ao jornalista Augusto Nunes.

No momento em que o tema das privatizações volta ao debate público nacional, vale a pena reler o que Darcy Ribeiro falou na época sobre a Vale, um mês antes de morrer. O discurso abaixo foi feito por Darcy Ribeiro no dia 10 de janeiro de 1997, no Rio de Janeiro, durante um ato público contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce realizado no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Naquela ocasião, Darcy Ribeiro disse a amigos: “Vou ao ato na ABI pela Vale nem que seja carregado”. Ele foi de cadeiras de rodas e falou o seguinte:

Senhores membros da mesa, queridíssimos companheiros e amigos.

Preciso contar duas coisas de verdade: não sei se é porque estou velho, sentimental - não sei por que - não posso mais ouvir o Hino Nacional sem vontade de chorar! A segunda coisa que gostaria de dizer preliminarmente, em nome dos que estão aqui e de todos os brasileiros é o seguinte: um beijo na testa de Barbosa Lima Sobrinho!

Eu não vou chegar lá! Mas é muito bonito ver um brasileiro, o mais eminente dos patriotas brasileiros, que lutou todas as lutas brasileiras desses últimos 80 anos, vê-lo vivo comemorando os seus 100 anos. Por isso quero fazer esta pequena homenagem em nome de todos os brasileiros, tanto quanto posso representá-los...

O meu discurso vem agora: Por que é que o Presidente Fernando Henrique - um presidente tão culto, tão inteligente, tão agradável - é um presidente tão ruim! É incrível que Fernando Henrique se deixe dirigir pela pior gente que há, que é o economista! Basta dizer que se você pegar três deles, dos mais eminentes e colocá-los juntos para discutir qualquer assunto - eles vão discordar entre si. Eles sempre discordam em tudo porque não têm certeza de nada...

E Fernando Henrique só lê na cartilha dos economistas do BNDEs e do Ministério da Fazenda... É incrível! Eles são bisonhos, são jovens com a cabeça feita lá fora. Eles não têm nada de patriótico, eles não têm compromisso conosco. É gente que nunca fez nada na vida e nem é provável que venha a fazer. Essa gente quer vender, quer entregar o Brasil porque acha melhor. Essa gente usa o Brasil, usa a Nação, para alcançar os seus objetivos. Por isso que é importante que existam cabeças como a de Barbosa Lima Sobrinho...

Existe no mundo empresa mais exitosa para fazer mineração, tirando o minério das minas e transportando-o para os compradores do que a Vale do Rio Doce? Existe acaso empresa no mundo com o domínio da tecnologia mais avançada e mais alta do que a Vale? Existe alguma empresa no mundo com as técnicas de reflorestamento empregadas pela Vale? Existe empresa de mineração no mundo, pública, que seja mais lucrativa do que a Vale? Existe empresa que cuide melhor de seus trabalhadores? É claro que não! É por isso que precisamos defender a Vale. E saber que se ela for privatizada logo de cara 30% de seus trabalhadores serão despedidos.

Existe por acaso empresa melhor associada a outras para a exploração de minérios? É claro que não! Se Fernando Henrique tivesse respostas positivas a estas perguntas, que há empresas melhores do que a Vale, poderíamos entender a sua posição. De que a entrega da Vale estava certa. Mas nada disso existe! Entregar a Vale pura e simplesmente para a acumulação dos banqueiros é uma coisa criminosa!

Por isso temos que aprofundar esta campanha em defesa da Vale do Rio Doce tanto quanto possível, mostrando a Fernando Henrique, de todos os modos, que a Nação não aceita esta venda. A Vale é a segunda das empresas criadas através da sagacidade intensa, da capacidade imensa de Getúlio Vargas. Getúlio fez todo esforço para trazer para o Brasil empresas privadas que quisessem produzir aço. Getúlio sabia que só com um grande parque siderúrgico o Brasil poderia dar certo. Era preciso criar a matriz da indústria brasileira. E a "mater", a mãe da indústria brasileira, foi a Companhia Siderúrgica Nacional.

Sem a CSN não existiria indústria naval, indústria de automóveis, o Brasil não teria dado todos os passos imensos que deu, para o progresso. Volta Redonda foi negociada com Roosevelt como condição para o Brasil apoiar os Aliados na guerra. Pois a CSN foi entregue a três banqueiros. Quem pode confiar que três banqueiros agirão de acordo com a Nação e com os interesses do povo brasileiro? Ninguém!

Agora a segunda empresa também negociada por Getúlio pode ser vendida. Os ingleses queriam que enquanto continuasse a Segunda Guerra, enquanto durasse a guerra, o Brasil vendesse para eles, fiado, todo o minério de ferro que pudessem absorver. Getúlio aproveitou a oportunidade e fez um acordo pensando nos interesses do Brasil. Os ingleses passaram a propriedade que tinham sobre as jazidas de ferro em Minas Gerais com a condição de que o Brasil vendesse fiado para eles. E essa foi a origem, o início da grande Vale do Rio Doce que temos hoje.

Quando a Vale se instalou existiam outras empresas que se dedicavam a mineração, como a Hanna. E a Vale cresceu. É por isso que não há nada mais incompreensível, absurdo, criminoso, de lesa-pátria, do que esta tentativa do Governo de privatizar a Vale do Rio Doce .

(*) Este texto de Darcy Ribeiro nos foi enviado por OswaldoPeres Maneschy (maneschy@urbi.com.br)
Recordando Darcy Ribeiro: “essa gente quer vender o Brasil”

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ELEIÇÕES 2010: Guerra suja na campanha eleitoral



* Venício A. de Lima em 12/10/2010
As campanhas eleitorais têm servido para revelar, de forma inequívoca, qual a ética empresarial e jornalística que predomina na grande mídia brasileira.

Os episódios recentes relacionados à demissão de conceituada articulista do Estado de S.Paulo, assim como a ação da Folha de S.Paulo, que obteve na Justiça liminar para retirada do ar do blog de humor crítico Falha de S.Paulo, são apenas mais duas evidências recentes de que esses jornalões adotam, empresarialmente e dentro de suas redações, práticas muito diferentes daquelas que alardeiam em público.

Como se sabe, o Estadão é o jornal que afirma diariamente estar sofrendo "censura" judicial, há vários meses.

Tratei do tema neste Observatório quando da demissão do jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, publicada pela Editora Abril, por ter criticado, via Twitter, a revista Veja (ver "Hipocrisia Geral: Liberdade de expressão para quem?").

Corre solta também, na internet, uma guerra – e, como toda guerra, sem qualquer ética – de manipulação da informação, agora tendo como aliados partidos de oposição e os setores mais retrógrados das igrejas católica e evangélica, incluindo velhas e conhecidas organizações como o Opus Dei e a TFP.

Ademais, uma série de panfletos anônimos sobre candidatos e partidos, de conteúdo mentiroso e manipulador, tem aparecido e circulado em diferentes pontos do país, aparentemente de forma articulada.

Estamos chegando ao "primeiro mundo". Repetem-se aqui as estratégias políticas obscuras que já vem sendo utilizadas pelos radicais conservadores ligados – direta ou indiretamente – à extrema direita do Partido Republicano – o "Tea Party" – e também pela chamada "Christian Right", nos Estados Unidos.

A bandeira da liberdade de expressão equacionada, sem mais, com a liberdade de imprensa, não passa de hipocrisia.

Começou com o PNDH3

A atual onda, que acabou por deslocar o eixo da agenda pública da campanha eleitoral e da propaganda política no rádio e na televisão para uma questão de foro íntimo e religioso, teve seu início na violenta reação ao Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3), capitaneada pela grande mídia. Na época, escrevi:

"O curto período de menos de cinco meses compreendido entre 21 de dezembro de 2009 e 12 de maio de 2010 foi suficiente para que as forças políticas que, de fato, há décadas, exercem influência determinante sobre as decisões do Estado no Brasil, conseguissem que o governo recuasse em todos os pontos de seu interesse contidos na terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (Decreto n. 7.037/2009). Refiro-me, por óbvio aos militares, aos ruralistas, à Igreja Católica e, sobretudo, à grande mídia." ["A grande mídia vence mais uma", 15/5/2010].São essas forças políticas – com seus paradoxos e contradições – que agora se unem novamente para tentar influir no resultado das eleições presidenciais de 2010, valendo-se da "ética" de que "os fins justificam os meios".


Lições

A essa altura, já podem ser observadas algumas lições sobre a mídia e suas responsabilidades no processo político de uma democracia representativa liberal como a nossa:

1. Não é apenas a grande mídia que tem o poder de pautar a agenda do debate público. A experiência atual demonstra que, em períodos eleitorais, essa agenda pode ser pautada "de fora" quando há convergência de interesses entre forças políticas dominantes. Elas se utilizam de seus próprios recursos de comunicação (incluindo redes de rádio e televisão), redes sociais (p. ex. Twitter) e correntes de e-mail na internet. A grande mídia, por óbvio, adere e abraça a nova agenda por ser de seu interesse.

2. Fica cada vez mais clara a necessidade do cumprimento do "princípio da complementaridade" entre os sistemas de radiodifusão (artigo 223 da Constituição). Seria extremamente salutar para a democracia brasileira que o sistema público de mídia se consolidasse e funcionasse, de fato, como uma alternativa complementar ao sistema privado.

3. Independente de qual dos candidatos vença o segundo turno das eleições presidenciais, a regulação do setor de comunicações será inescapável. Não dá mais para fingir que o Brasil é a única democracia do planeta onde os grupos de mídia devem prosseguir sem a existência de um marco regulatório.

4. O artigo 19 da Constituição reza:
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na formada lei, a colaboração de interesse público.

Apesar de ser, portanto, claro o caráter laico do Estado brasileiro, na vida real estamos longe, muito longe, disso.

5. Estamos também ainda longe, muito longe, do ideal teórico da democracia representativa liberal onde a mídia plural deveria ser a mediadora equilibrada do debate público, representando a diversidade de opiniões existentes no "mercado livre de idéias". Doce ilusão.

*Professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010

* Para o observatoriodaimprensa.com.br

Chaui prega 'boicote' à mídia para 'defender liberdade de expressão'

09/10/2010
Redação Folha de S. Paulo


A professora titular de Filosofia da USP Marilena Chaui criticou ontem veículos de imprensa em um ato em apoio à candidata do PT Dilma Rousseff na Faculdade de Direito da USP.

De acordo com reportagem do site "Rede Brasil Atual", Chaui afirmou no ato de ontem que lideranças de esquerda e do PT devem deixar de atender jornalistas da grande imprensa e realizar uma espécie de "boicote" a pedidos de entrevista.

"Para defender a liberdade de expressão, é preciso não falar com a mídia", afirmou Chaui. A professora disse no evento que a mídia abre espaços para figuras do PT e de movimentos sociais apenas para "parecer plural", porém realiza um "controle de opinião" sobre o que é publicado, segundo relato do site.

Na manifestação, Chaui afirmou ainda, sempre segundo o site, que "para que ela exista [a democracia], seria preciso que, em igualdade de condições, duas ou três ou quatro opiniões antagônicas pudessem se exprimir. O que temos é o controle da opinião e a impossibilidade da contestação".

O evento teve a participação de professores da USP e representantes de entidades de militância pró-governo, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), e reuniu cerca de 250 pessoas na Sala dos Estudantes da faculdade, segundo um dos organizadores.

De acordo com um deles,o professor de direito penal da USP Sérgio Salomão Shecaira, durante as duas horas do ato "falou-se de tudo, inclusive houve críticas à mídia".

No entanto, ele disse que "o ato era pró-Dilma, e não algo anti-imprensa".
"Atacamos bastante o PSDB, como resposta ao "Manifesto em Defesa da Democracia", lido em frente à faculdade há algumas semanas", afirmou Shecaira.

Para ele, a mídia brasileira tem problemas, sobretudo "por causa da concentração". De acordo com Shecaira, "é um absurdo a Rede Globo ter canal de televisão, emissora de rádio e jornal".

Também participaram do ato pró-Dilma outros professores de direito da USP, como Alessandro Octaviani e Otávio Pinto e Silva, além de políticos petistas, como o deputado federal reeleito Paulo Teixeira (SP) e o senador Eduardo Suplicy (SP).

Segundo diretores do centro acadêmico XI de Agosto, responsável pela sala, houve dúvida sobre a legalidade do ato, uma vez que lei eleitoral não permite a propaganda política nos bens públicos.

Inicialmente a solicitação do espaço foi feita por alunas para uma reunião de um grupo de estudo, de acordo com nota da entidade estudantil.

Os professores organizadores do ato defendem a legalidade da manifestação.

PROFISSÃO JORNALISTA: A confusão entre liberdade de expressão e de imprensa

              


"Não é o suporte que dá sentido à informação, nem o receptor, mas o jornalista". A legitimidade do jornalista está na sua função de intermediário que muitos querem eliminar por meio da mitificação de um simulacro de "democracia direta".


*Alfredo Vizeu e Heitor Rocha

O jornalismo é um caos no país desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a exigência da formação superior em Jornalismo para o exercício da atividade. Há um bom tempo essa discussão não passa de uma falácia dos críticos do jornalismo e dos conglomerados de comunicação. Se não resgatarmos logo a regulamentação profissional, muito em breve serão as empresas jornalísticas a disciplinar o mercado.

Como jornalistas e professores de Jornalismo, estamos cada vez mais preocupados com a questão e mais preocupados ainda em ver alguns críticos que insistem em dizer que a regulamentação profissional, bem como a formação superior num curso autônomo de Jornalismo, vinculado ao campo da Comunicação, cerceia a liberdade de expressão. Pensamos que, depois de mais de um ano da decisão do Supremo, os críticos tivessem refletido e se dado conta de que, na verdade, contribuíram para o controle cada vez maior do mercado por parte das empresas jornalísticas.

A liberdade de imprensa em nada melhorou ou aumentou desde a decisão do STF, no ano passado, até agora. Por isso, é importante lembrar algumas questões. A eterna confusão entre as liberdades de imprensa e de expressão é a cortina de fumaça que os grandes conglomerados de comunicação construíram para se manter soberanos na área, desviando o assunto de seu aspecto fundamental: o jornalismo é um bem público e um direito coletivo de todos os cidadãos.

Direitos individuais contra os abusos de poderEssa confusão é resultado de uma concepção ultrapassada de Jornalismo, que nos remete ao século 18, quando uma mesma pessoa fazia as funções de editor, impressor e jornalista. Não é preciso relembrar as "eternas" críticas ao campo jornalístico, com base nesses argumentos, que contribuíram para a derrubada, pelo Supremo, da exigência do diploma superior em Jornalismo para o exercício da profissão. Há setores que têm dificuldades em compreender a liberdade de expressão como o direito de cada pessoa e a liberdade de imprensa como o exercício de uma função pública.

Os críticos do Jornalismo continuam tributários da concepção liberal moderna da liberdade de imprensa que atribui a responsabilidade última aos jornalistas. A crítica ingênua sustenta que os jornalistas "confiscaram" o exercício da liberdade de expressão para o seu uso. É importante lembrar que a liberdade de expressão é um bem maior que o Jornalismo, o qual não impede, sob hipótese alguma, a ampla manifestação de cidadãos e cidadãs. Não estivéssemos convencidos disso tomaríamos homens e mulheres com seres passivos, "caixas vazias" diante do poder onipotente da mídia. Cidadãos e cidadãs significam e ressignificam todas as mensagens da imprensa. Não fosse isso não teríamos movimentos como Diretas Já e mesmo a eleição de Lula para a Presidência.

A liberdade de imprensa e a de expressão não são excludentes. A liberdade de expressão é básica para a organização de um espaço público deliberativo onde se tematizam, debatem e discutem as questões de interesse geral, políticas, abertas à manifestação e intervenção de cada membro da comunidade. É ela quem garante os direitos individuais contra os abusos de poder, que impede que a imprensa seja submetida à ditadura da maioria, que terminaria por asfixiá-la.

A liberdade de imprensa, por sua vez, contribuiria para a livre circulação e socialização de informações e ideias com a preocupação de fiscalizar e controlar o abuso do poder e qualquer arbitrariedade contra os cidadãos. Nesse sentido, a liberdade de expressão necessita da liberdade de imprensa, cuja principal preocupação é realizar na e pela sociedade um espaço público e garantir o seu bom funcionamento. Neste contexto, o reconhecimento da liberdade de comunicação dos veículos não pode ser confundido com a liberdade de expressão dos meios de comunicação.

Prisioneiros do determinismoParece claro que a regulamentação profissional com a exigência da qualificação superior num curso de Jornalismo em nada impede a liberdade de expressão. É necessário enfatizar que a formação superior em Jornalismo é básica na preparação do futuro jornalista. Jornalismo não é um dom, não é intuitivo e não se aprender nas redações. Não se faz Jornalismo por curiosidade ou por esporte. É uma atividade profissional diária e singular que tem como objetivo interpretar a realidade social. Diante das novas tecnologias, é maior a necessidade de jornalistas para selecionar, hierarquizar, verificar, comentar, legitimar, eliminar e criticar os fatos.

Observou o diretor do Instituto de Ciências da Comunicação da França, Domique Wolton: "Não é o suporte que dá sentido à informação, nem o receptor, mas o jornalista". A legitimidade do jornalista está na sua função de intermediário que muitos querem eliminar por meio da mitificação de um simulacro de "democracia direta". Proclama-se que todos podem ser jornalistas, como se todos quisessem e pudessem ser e viver da profissão de jornalista. A democracia não é a supressão de papéis e profissões, mas a validação dos seus papéis para melhor criticá-los.

Consideramos central o Jornalismo na democracia. Por isso, é básico haver cursos superiores de Jornalismo em nossas universidades para formar jornalistas que não sejam tentados a abrir mão do rigor do método, esquecendo o respeito ao outro. Caso contrário, estarão faltando com o respeito que devem a si mesmos, como instrumentos mediadores da informação. Por decorrência, serão jornalistas reduzidos à função que as empresas lhes atribuírem, prisioneiros de um determinismo reificante do qual nem mesmo o cinismo será capaz de libertá-los.


*Jornalistas e professores do Departamento de Comunicação da UFPE



 O Equador foi assunto principal dos noticiários internacionais do final de setembro devido a uma tentativa de golpe de Estado no país contra o presidente Rafael Correa. O estopim da crise foi um protesto da Polícia Nacional do Equador contra um projeto de lei aprovado pela Assembleia Nacional, no qual um dos artigos prevê reduções nos benefícios salariais da categoria. Mas, para Correa e outros membros do governo, esse foi apenas um pretexto para a tentativa de golpe.

Na manhã do dia 30 de setembro, a polícia de Quito tomou os quartéis e bloqueou vias de transporte com o apoio da Força Aérea. Cerca de mil policiais da capital e de outras cidades, como Guayaquil e Cuenca, participaram da ação. O presidente tentou conversar pessoalmente com alguns dos manifestantes e foi atacado com bombas de gás lacrimogêneo. Ele foi levado ao hospital da polícia, sitiado pelos rebelados, o que deu início a um drama de quase doze horas. O saldo foi de dois mortos e 88 feridos em todo o país, segundo a Cruz Vermelha. O comandante da Polícia, Freddy Martínez, insistia que o presidente estava "protegido", mesmo depois que os populares mobilizados pelo chanceler Ricardo Patiño foram repelidos a bombas e tiros. 20 deputados governistas também ficaram presos dentro da Assembleia, tomada por policiais. Depois de tentar negociação com os policiais, o presidente Correa autorizou um resgate militar que terminou bem-sucedido. Uma multidão esperava Rafael Correa no Palácio. Na manhã do dia seguinte, 1º de outubro, o comandante Freddy Martínez anunciou sua renúncia ao cargo.

Durante o tumulto, a TV estatal equatoriana foi tomada. Aqui no Brasil, pudemos acompanhar minuto a minuto essa tragédia devido à transmissão ao vivo, pela internet, da cobertura feita pela Telesul. Além de manter parte da equipe nas ruas, acompanhando de perto a mobilização popular e o sequestro do presidente eleito democraticamente em um hospital de Quito, a emissora latino-americana fez diversas entrevistas e acompanhou todo o discurso de Rafael Correa após seu resgate.

Com informações da Carta Capital
 

Rafael Correa, presidente de Ecuador:

La burguesía se aprovechó de la desinformación para desestabilizar a su Gobierno


El presidente de Ecuador, Rafael Correa, afirmó en una entrevista exclusiva con teleSUR, que a pesar de todo el dolor que le causó el intento de gope de Estado sufrido el pasado 30 de septiembre; el acontecimeinto también dejó muchas lecciones para el pueblo ecuatoriano, entre ellas, la valentía de salir a defender la democracia. Asimismo, destacó que su Gobierno continuará con sus políticas con el objetivo de buscar el bienestar de todos los habitantes de su país y que seguirán las investigaciones para poder penalizar a los culpables del suceso.  

Rage Against the Machine dedica música ao MST e Globo corta imagem


Foto: Vinicius Mansur
O Rage Against the Machine fez uma apresentação no Festival SWU, em Itu, na noite deste sábado. Zack de la Rocha, vocalista da banda, dedicou a música "People of the sun" ao MST. Ele disse o seguinte: "Esse som vai para os irmãos e irmãs do MST: People of the sun".



Durante a música "Wake Up", o guitarrista Tom Morello vestiu o boné do MST. Misteriosamente, a TV Globo cortou a transmissão que fazia ao vivo da apresentação.

Durante encontro com militantes do MST, Zack de la Rocha afirmou que vai doar parte do cachê da banda ao movimento. "O MST tem uma experiência muito importante de solidariedade humana e na criação de espaços fora do modelo capitalista, e é muito importante para muitos de nós que, nos EUA, que estamos lutando pelas mesmas coisas. Eu acho que MST já criou um exemplo maravilhoso de luta por justiça social e econômica, é um grande exemplo para nós", declarou.
Foto: Mauricio Acevedo

O Rage Against the Machine é uma banda de rock norte-americana, uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990. Uma forte característica é a mescla de hip-hop, rock, funk, punk e heavy-metal, com letras enérgicas e politizadas.

Junto com a música de protesto, demonstraram a luta pela causa política, contra a censura, a favor da liberdade e em defesa dos mais pobres.

O som do grupo é bastante diferenciado, devido ao estilo rítmico e vocal de Zack de la Rocha e as técnicas únicas de Tom Morello na guitarra.


Da Página do MST em 10-10-2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO


(Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira)


Da pré-escola ao pós-doutoramento - ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional - consideramos que o Brasilencontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programasi mplementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.

Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.

Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; instituise a Universidade Aberta do Brasil;
foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País;
e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens.

Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.

Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.

Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

Alan Barbiero - Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes - Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea - Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges - Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
 Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias - Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller - Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles - Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari - Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias - Universidade Federal do Ceará - UFC
Sueo Numazawa - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin - Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Thompson F. Mariz - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Carlos Tavares Carvalho - Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Valmar C. de Andrade - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Geraldo de Sousa Júnior - Universidade Federal de Brasília (UNB)
Virmondes Rodrigues Junior – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Walter Manna Albertoni - Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)

http://www.uftm.edu.br/upload/noticias/Manifesto_Reitores_22.9.10.pdf

Observatório da Imprensa na TV


Jornais e revistas exaltam a realização do primeiro turno em plena estabilidade política e praticamente sem conflitos, observando que a democracia brasileira completa sua restauração em plena maioridade democrática. São 21 anos de regime democrático e seis eleições para presidente depois da ditadura militar.

Segundo a unanimidade impressa e transmitida por rádio e televisão e pela internet, o país vive um fortalecimento das instituições como nunca antes em nossa história. Mas deve-se celebrar como plenitude da democracia uma eleição sem debates programáticos, influenciada por preconceitos religiosos e turbinada por boatos?

O Observatório da Imprensa na TV vai examinar, na terça-feira (5/10), o papel da mídia na reta final destas eleições: a confiança exagerada nas pesquisas e a incapacidade de lê-las corretamente, o papel da internet e a leniência com relação ao Supremo Tribunal Federal, que deixou sub judice alguns milhões de votos.

O Observatório vai discutir também a campanha em si, e o fato de a imprensa ter simplesmente, na maior parte do tempo, reproduzido declarações e factóides fabricados pelos marqueteiros, deixando de estimular o debate essencial sobre temas realmente relevantes.

Se os candidatos fugiram de compromissos e programas de governo, também cabe à imprensa a culpa por não haver colocado esses temas nas entrevistas e debates?
Sob o comando de Alberto Dines, os participantes serão convidados a falar também sobre a postura do STF, principalmente no caso da falta de decisão sobre a impugnação de candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa, o que deixa em suspenso a votação para o Legislativo.

Nesta terça, a partir das 22 horas, ao vivo pela TV Brasil, em rede nacional. Em São Paulo pelo Canal 4 da Net e 181 da TVA.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Abstenções e votos inválidos nas eleições 2010

Dilma Rousseff (PT) obteve 46,90% dos votos (47.637.275) e Serra (PSDB), 32,61% (33.126.231). Os dois agoram disputam o segundo turno para a presidência do Brasil e os votos dos eleitores de Marina Silva (PV) que conquistou 19,33% (19.635.352) dos votos.

O candidato José Serra conseguiu ir para o segundo turno com Dilma Rousseff, mas teve votação inferior à soma de abstenções, votos brancos e nulos. Serra teve mais de 32,7 milhões de votos e mais de 33 milhões dos eleitores confirmaram votos inválidos ou não foram às urnas. A abstenção chegou a 18,06%, o que significa que pelo menos 24 milhões deixaram de votar. Mais de 3% (3,4 milhões) votaram em branco e 5,4% (6 milhões), nulo.
No segundo turno, Dilma e Serra terão que conquistar também esse eleitorado, além dos votos dos outros candidatos.